segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


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A prevalência de câncer de boca e garganta aumenta em jovens


Durante o evento em comemoração aos 50 anos da FAPESP, intitulado como “Fronteras de la Ciencia – Brasil y España en los 50 años de la FAPESP”, foi abordado, pelo médico Luiz Paulo Kowalski, diretor do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do Hospital A.C. Camargo, o aumento do casos de cânceres de boca e garganta em jovens.
O tema foi abordado em um simpósio que fez parte das comemorações da FAPESP, e reuniu pesquisadores de São Paulo e de diferentes instituições de ensino e pesquisa da Espanha, nas cidades de Salamanca (10 a 12/12) e Madri (13 e 14/12).
Antigamente, esses cânceres estavam associados ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool, e ocorriam com maior frequência em pessoas com condições nutricionais e físicas comprometidas, mas nos últimos anos, esse perfil vem mudando. Estudos indicam que jovens que não fumam ou nunca beberam, estão apresentando esses tipos de cânceres, muitas vezes relacionados à infecção pelo papiloma vírus humano (HPV).
Atualmente, um jovem infectado por HPV, que nunca teve contato com cigarro e álcool, tem grandes chances de sobreviver e voltar à vida normal. Isso deve-se ao fato de que, segundo o estudo de Kowalski publicado no International Journal of Cancer, o câncer neste caso comporta-se de maneira diferente, mais localizada e ainda menos agressiva.
Isso implica na revisão dos programas de prevenção e detecção da doença, pois não só mais os fumantes e etilistas são o foco, mas sim todas as pessoas, além de trabalhar em campanhas de vacinação contra o HPV, pois os casos de câncer de orofaringe estão associados a somente 16 ou 18 tipos de variações do vírus.
Ainda de acordo com Kowalski, a prevalência de infecções pelo HPV nos pacientes com câncer de cabeça e pescoço era menor que 2%, mas o estudo publicado em 2012, apresenta uma taxa de prevalência muito elevada: 32% em jovens com câncer de boca.
Outra pesquisa está sendo realizada no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Oncogenômica do Hospital A.C. Camargo, apoiado pela FAPESP e pelo CNPq, e tem como objetivo “identificar marcadores de resposta ao tratamento”, avaliando e comparando pacientes com câncer de orofaringe atendidos no Hospital A.C. Camargo e pacientes atendidos no Hospital do Câncer de Barretos, no interior de São Paulo.
                           
A matéria é de Karina Toledo, de Madri ao Agência FAPESP.

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