segunda-feira, 24 de julho de 2017


. .
A biomedicina vista de diferentes ângulos | WebSérie

Quantas vezes alguém já perguntou a você o que faz um biomédico ou se biomédico é quase médico? Que tal se a biomedicina fosse tão difundida quanto outras profissões?
É para o reconhecimento da nossa profissão é que lutamos diariamente! E para ‘dar um up’ na divulgação da biomedicina, o Prof Marcelo Oliveira, do Canal do Biomédico, junto a outros colegas, criou uma WebSérie para tirar todas as dúvidas e para bater um papo sobre ás áreas em que podemos atuar, sobre o cenário da biomedicina em concursos públicos, sobre pesquisa, residência biomédica, e muitos outros assuntos! Isso tudo reunindo grandes nomes da biomedicina que trabalham difundindo conhecimento na internet.
  


Além do Prof. Marcelo, participarão da WebSérie o Fredson Serejo (Prepara Biomédico), o Brunno Câmara (Biomedicina Padrão), Carlos Danilo Cardoso e Marcus Cardoso (Gêmeos da Biomedicina) e Rodrigo Colares (Movimento Biomédicos Unidos do Amazonas).
E é com grande honra que o Biomedicina em Ação estará na live final, falando e divulgando o que a gente mais gosta, não é?


Acesse o Canal do Biomédico e confira os vídeos que serão lançados ao longo das semanas. Curta, compartilhe, mande para os amigos, para a família! Vamos todos juntos em prol da divulgação da Biomedicina!
0 comentaram

quinta-feira, 13 de julho de 2017


. .
XVII Semana de Biomedicina da UFRJ



Acontecerá entre 07 e 11 de agosto, a XVII Semana de Biomedicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Trata-se de um evento idealizado e realizado a partir da livre articulação de alunos do curso de Ciências Biológicas: Modalidade Médica da UFRJ. O evento tem por objetivo a integração entre os estudantes de graduação das ciências biomédicas e demais entusiastas da área a fim de proporcionar um intercâmbio cultural e científico, promovendo a criação de uma rede que permita a interação entre estudantes e profissionais renomados das variadas áreas que compõem o campo de atuação de um biomédico no mercado de trabalho.

As inscrições vão até 19 de julho! Corre que dá tempo!

Palestras
O ciclo de palestras terá início no dia 8 de agosto de 2017 e se estenderá até o dia 11 de agosto de 2017.
Minicursos
Compreenderão atividades que abrangem as mais diversas áreas de atuação do biomédico no mercado de trabalho e oferecerão atividades lúdicas aos participantes.

Apresentação de pôster
A comissão organizadora proporcionará um momento para apresentação de trabalhos científicos produzidos por alunos inscritos na XVII Semana de Biomedicina.
Profissão Biomédico
Permitirá o contato com profissionais biomédicos de diferentes áreas, ajudando a esclarecer dúvidas sobre diferentes áreas de atuação dentro da carreira.
Mesa redonda
Momento de debate com pesquisadores sobre um tema de relevância dentro do cenário biomédico.

Para mais informações, acesse:

0 comentaram

terça-feira, 20 de junho de 2017


. .
A epidemia de Sífilis no Brasil

Pode parecer demasia para assustar a população, mas é a realidade. Por motivos irrisórios, uma doença sexualmente transmissível que pode ser evitada com uso de preservativo, dá sinais quando aparece, e pode ser tratada, ainda assombra o cenário nacional, tornando-se uma epidemia. Esse foi o tema de uma matéria da Revista Superinteressante, publicada agora no dia 13 de junho.  O assunto é sério, e por isso, hoje aqui no Biomedicina em Ação, vamos falar sobre Sífilis.

O que é?

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior. 

Treponema pallidum em microscopia de varredura.

Como é transmitida e como prevenir?

A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada, ou da mãe infectada para a criança durante a gestação ou o parto.
O uso correto e regular da camisinha masculina ou feminina é uma medida importante de prevenção da sífilis. O acompanhamento da gestante durante o pré-natal contribui para o controle da sífilis congênita.

O que é a sífilis congênita?

É uma doença transmitida ao feto durante a gestação, através da passagem do treponema pela placenta. A doença é mais grave quanto mais recente for a infecção materna. São complicações dessa forma da doença: aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do feto, surdez, cegueira, deficiência mental e/ou morte ao nascer.

Segundo estudo realizado em 2004, estima-se que a taxa de prevalência de mulheres portadoras de sífilis no momento do parto seja de 1,6%. Isso corresponde a aproximadamente 49 mil parturientes infectadas e 12 mil nascidos vivos com sífilis, considerando-se uma taxa de transmissão de 25%, de acordo com estimativa da OMS (www.aids.gov.br).(Fonte: Telelab)

Mesmo quando não se manifesta com essas características, a infecção congênita pode permanecer latente, vindo a se expressar durante a infância ou mesmo na vida adulta. A definição da sífilis congênita deve ser feita pelo médico, o qual deve levar em consideração a comparação dos resultados dos testes não treponêmicos da mãe e da criança, os resultados dos exames de imagem e dos sinais clínicos presentes na criança.
Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado for positivo, tratar corretamente a mulher e sua parceria sexual, para evitar a transmissão vertical.

Quais os sinais e sintomas da doença?

Esse é o problema. Após a infecção, aproximadamente de 10 a 90 dias depois do contágio, aparece uma ferida, geralmente única, no local da entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele). Essa ferida chamada cancro duro ou protossifiloma, tem a base endurecida, contém secreção serosa e muitos treponemas, não dói, não coça, e por isso, o indivíduo dificilmente vai procurar tratamento. Esta é a primeira fase da sífilis. As lesões sifilíticas facilitam a entrada do vírus da imunodeficiência humana (HIV). Além disso, a sífilis acelera a evolução para Aids e a infecção pelo HIV altera a história natural de sífilis

Começa com um machucado. Indolor, costuma não ser bonito, mas também não é o fim do mundo. Quando aparece na área genital, fica evidente nos homens, mas pode acabar escondido dentro da vagina sem chamar qualquer atenção. Há ainda outros casos discretos, como na garganta ou no ânus. Aí, quando você está começando a se preocupar, Bam! Desaparece. Parabéns! Seu sistema imunológico é mesmo incrível, né? Na verdade, não. Você só passou para a próxima etapa de uma doença que, a curto ou longo prazo, pode atacar seu cérebro, mudar a estrutura dos seus ossos, deformar seu rosto e matar seus filhos. Você tem sífilis. (Fonte: Superinteressante)


A cicatrização da ferida é espontânea. Depois de 6 semanas a 6 meses dessa cicatrização, se não houver tratamento, aparecem manchas e erupções (exantema) no corpo, principalmente nas palmas das mãos e plantas dos pés, caracterizando a fase secundária. Essas manchas também não coçam, e podem ser confundidas com algum processo alérgico, sobretudo porque podem surgir ínguas. Nesta fase, o treponema já invadiu todos os órgãos e líquidos do corpo.

O exantema se apresenta na forma de máculas, pápulas ou grandes placas eritematosas branco-acinzentadas denominadas condiloma lata, que podem aparecer em regiões úmidas do corpo. (Fonte: Telelab)

Depois, vem a sífilis latente, que é dividida em recente (menos de um ano de infecção) e tardia (mais de um ano de infecção). A duração é variável (pode durar até 40 anos!), e nessa fase, não é contagiosa, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.
A fase terciária então pode surgir de 2 a 40 anos depois do início da infecção. É chamada fase da moléstia, pois costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

As úlceras que começam a brotar pelo corpo são tão agressivas que, em regiões de contato direto da pele com ossos, como no crânio, o esqueleto começa a ser corroído. Na tíbia, principal osso da canela, o corpo até tenta combater a degeneração: conforme a erosão óssea aparece, o estrago vai sendo calcificado. A região afetada começa a engrossar e, com o avanço do desgaste, a canela vai ficando curvada. Em alguns casos, a bacia também é afetada e o doente perde a capacidade de andar em linha reta. Uma das maneiras mais antigas de identificar portadores de sífilis, inclusive, é ver se a pessoa caminha como um pato, rebolando por causa da bacia deteriorada. Implacável, a infecção ainda ataca os sistemas vascular e nervoso – o que pode acontecer precocemente entre a primeira e a segunda fase. Quando a bactéria finalmente ocupa o cérebro, o infectado começa a sentir alterações de humor e pode desenvolver demência. É a chamada neurosífilis. Nesta última fase, finalmente, transar não ameaça mais aos outros. A sífilis deixa de ser infecciosa e quer acabar somente com o portador.(Fonte: Superinteressante)

Como a sífilis é diagnosticada no laboratório?

Para o diagnóstico da sífilis podem-se utilizar os testes treponêmicos e os não treponêmicos. Os testes treponêmicos são qualitativos, ou seja, detectam a presença ou ausência de anticorpos contra antígenos do Treponema pallidum na amostra. Os testes não treponêmicos detectam anticorpos não treponêmicos, anteriormente denominados anticardiolipínicos, reagínicos ou lipoídicos. Esses anticorpos não são específicos para Treponema pallidum, porém estão presentes na sífilis. Os testes não treponêmicos podem ser: qualitativos – rotineiramente utilizados como testes de triagem para determinar se uma amostra é reagente ou não; ou quantitativos – são utilizados para determinar o título dos anticorpos presentes nas amostras que tiveram resultado reagente no teste qualitativo e para o monitoramento da resposta ao tratamento. O título é indicado pela última diluição da amostra que ainda apresenta reatividade ou floculação visível.
De acordo com as fases da doença, podemos observar o seguinte:

·      Sífilis primária:
Na sífilis primária, o diagnóstico laboratorial pode ser feito pela pesquisa direta do Treponema pallidum por microscopia de campo escuro, pela coloração de Fontana-Tribondeau, que utiliza sais de prata, e pela imunofluorescência direta. Os anticorpos começam a surgir na corrente sanguínea cerca de 7 a 10 dias após o surgimento do cancro duro. Por isso, nesta fase os testes sorológicos são não reagentes. O primeiro teste a se tornar reagente em torno de 10 dias da evolução do cancro duro é o FTA-abs, seguido dos outros testes treponêmicos e não treponêmicos. Quanto mais precocemente a sífilis primária for tratada, maior será a possibilidade de os exames sorológicos tornarem não reagentes. Porém, mesmo após a cura os testes treponêmicos podem permanecer reagentes por toda a vida.

·      Sífilis secundária:
Na sífilis secundária, todos os testes que detectam anticorpos são reagentes e os testes quantitativos tendem a apresentar títulos altos. Após o tratamento nesta fase, os testes treponêmicos permanecem reagentes por toda a vida do usuário, ao passo que os testes não treponêmicos podem ter comportamento variável. Em alguns indivíduos ficam não reagentes, e em outros permanecem indefinidamente reagentes em baixos títulos.

·      Sífilis latente:
Nesta fase, todos os testes que detectam anticorpos permanecem reagentes, e observa-se uma diminuição dos títulos nos testes quantitativos. Para diferenciar esta fase da infecção primária, deve-se pesquisar no líquor a presença de anticorpos, utilizando-se o VDRL. Evidencia-se sífilis latente quando o VDRL é reagente no líquor, acompanhado de baixos títulos no soro.

·      Sífilis terciária:
Nesta fase, os testes que detectam anticorpos habitualmente são reagentes e os títulos dos testes não treponêmicos tendem a ser baixos. Porém, podem ocorrer resultados não reagentes. Em usuários que apresentam sintomas neurais, o exame do líquor (LCR) é indicado, porém nenhum teste isoladamente é seguro para o diagnóstico da neurossífilis. Recomenda-se que o diagnóstico seja feito pela combinação entre a reatividade do teste e o aumento de células e de proteínas no LCR. Para testagem do LCR, o VDRL – que tem alta especificidade – é o exame recomendado, apesar de apresentar baixa sensibilidade (de 30% a 47% de resultados falso-negativos).

Relação entre testes para diagnóstico de sífilis, as fases da doença, o curso clínico da infecção e o tempo. Fonte: Ministério da Saúde. 


E o tratamento?

O tratamento é simples, feito com antibióticos, especialmente penicilina cristalina. Deve ser acompanhado com exames clínicos e laboratoriais para avaliar a evolução da doença e estendido aos parceiros sexuais.

Imagem ilustrativa de Bezetacil, para tratamento de sífilis. 


Por que a sífilis se tornou uma epidemia?

Um dos pontos de maior destaque na matéria da Revista Superinteressante está relacionado aos motivos que levaram à epidemia de sífilis. O Ministério da Saúde decretou epidemia em outubro de 2016, já que desde 2010, foram notificados quase 228 mil novos casos; só entre 2014 e 2015 houve um aumento de 32% nos casos de sífilis entre adultos – e mais de 20% em mulheres grávidas. A maior parte dos casos está na região Sudeste (56%), a mais urbanizada e desenvolvida do País. Em 2015, tivemos 6,5 casos de bebês infectados a cada mil nascidos vivos; sendo esse valor 13 vezes maior do que a Organização Mundial da Saúde considera aceitável.
E como dizemos anteriormente, o tratamento é muito simples se comparado a outras ISTs. Além disso, é muito barato! Talvez esse seja o problema. Além da queda no uso de preservativos para evitar a sífilis e outras infecções, o acesso à penicilina passou a ser aliado para que tudo isso culminasse para o estado alarmante que vivemos hoje. Chega a ser piegas o fato de um dos problemas ser o acesso ao antibiótico mais antigo que existe.
Resumidamente, o que acontece é que, por ser barata, a indústria farmacêutica não se interessa em fabricar: falta penicilina nas prateleiras. Além disso, existe o risco de choque anafilático: ninguém quer aplicar sem estrutura adequada. Os parceiros de mulheres grávidas com sífilis não tomam medicamentos e, portanto, continua o ciclo.
E por fim, esta epidemia acontece há mais tempo do que possamos imaginar. Isso porque só em 2010 o diagnóstico de sífilis foi atrelado à notificação compulsória, o que ajudou nas estatísticas, aumentando o número de casos positivos.
É necessário que todo um trabalho seja realizado: a população esteja cada vez mais ciente do uso de preservativos, da procura por diagnóstico e tratamento, e que os órgãos competentes possam ser capazes de prestar um tratamento que não custa nem um pouco caro para os cofres públicos.

Para se aprofundar mais nos tipos de testes para diagnóstico da sífilis, indicamos um curso online e gratuito, o Telelab. Já falamos sobre essa plataforma do Ministério da Saúde, e lá você pode encontrar um curso completo sobre sífilis. Acesse clicando aqui! 



Referências bibliográficas:
Germano, F. A nova cara da Sífilis. Jun 2017. Disponível em: < http://super.abril.com.br/saude/a-nova-cara-da-sifilis/>.
Diagnóstico de Sífilis. Telelab. Disponível em: < http://telelab.aids.gov.br/index.php/component/k2/item/106-baixar-diagnostico-sifilis>.


0 comentaram

sábado, 10 de junho de 2017


. .
Ética na pesquisa científica: qual a importância?


Já tratamos aqui sobre um acontecimento envolvendo cientistas japoneses e uma descoberta que aparentemente daria novos rumos à medicina regenerativa (clique aqui para ler a matéria).  A história que no começo foi tratada como fraude, mas no fim não passou de inexperiência, cabe bem ao assunto desse post.
A ética na pesquisa científica é algo que por vezes se mantém longe de discussões, e só volta a ser mencionada quando algo polêmico aparece, como publicação de artigos com dados inverídicos, ou mesmo o que podemos chamar de corrupção, quando o grupo de pesquisa acaba por se tornar uma fábrica de artigos sem qualidade.
A Revista Fapesp do mês de maio trouxe nas suas páginas iniciais uma matéria muito interessante sobre isso. Em abril deste ano, as Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos criaram um relatório com 11 recomendações para que os problemas envolvendo a ética sejam diminuídos, e para que os indícios de má conduta sejam investigados.
É difícil acreditar que, também na ciência, há chantagens e propostas antiéticas ligadas à ação fraudulenta de empresas e instituições que se propões a ajudar pesquisadores a publicar artigos ou prestam consultoria sobre ética na pesquisa. Um caso que retratada essa situação é o de uma empresa chinesa de redação científica que propôs ao editor da revista Diabetic Medicine, Richard Holt, o que eles chamaram de “negócio colaborativo”. Nesse “negócio”, Richard receberia US$ 1 mil por artigo aceito para publicação. Eles argumentavam que era difícil para médicos chineses publicarem em revistas de prestígio, principalmente por barreiras linguísticas e, portanto, pediram para que o editor os ajudasse com isso. Entretanto, Holt respondeu que isso se tratava de um ato antiético e encaminhou o caso ao Cope (Committee on Publication Ethics), um fórum de editores com sede em Londres que trata de temas ligados à integridade científica.
E o paper inspirado em seriado de comédia? Pois é. A revista Urology & Nephrology Open Acess Journal publicou um artigo assinado pelo Dr. Martin van Nostrand, sobre um estudo de caso de uma doença chamada “uromycitisis”, doença que fazia com as pessoas fossem obrigas a urinar quando sentissem vontade, mesmo em locais públicos, caso contrário poderiam morrer. O problema é que esse tal Dr. Nostrand era um pseudônimo criado por um dos personagens de uma série de ficção que se passava por médico em alguns episódios, e a uromycitisis também era fruto da imaginação do comediante que escreveu a séria, Jerry Seinfeld, em que o personagem principal precisava inventar uma desculpa para o policial que o flagrou urinando em uma garagem.
Está mais do que clara a importância de se utilizar a ética na divulgação científica. É a partir de um artigo que outros são gerados, que descobertas são feitas e que vidas podem ser mudadas.

Para ter acesso às recomendações das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, acesse: www.nap.edu/21896


Fonte: A importância de dar um passo adiante. Maio 2017. Revista Fapesp, n.255, p.8-10.
0 comentaram

quarta-feira, 31 de maio de 2017


. .
Nanotecnologia aplicada ao combate da resistência bacteriana

Imagem: Mateus Borba Cardoso
Atualmente nos deparamos cada vez mais com perfis de resistência bacteriana a antibióticos, e a corrida por soluções está cada vez mais acelerada. Cientistas brasileiros do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)  encontraram uma nova estratégia para combater as bactérias multirresistentes.
O trabalho publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, trata sobre a síntese de um nanofármaco, usando um método de revestimento nanopartículas de prata e sílica porosa (potencialmente tóxicas para os microrganismos e também para as células humanas) com uma camada de antibiótico, no caso a ampicilina, em um arranjo específico, que tem uma explicação lógica. A ideia é que, por afinidade química, o nanorfámaco age apenas sobre os microrganismos patogênicos, sendo inerte ao organismo humano.
Segundo Mateus Borba Cardoso, um dos pesquisadores do CNPEM, o antibiótico é usado como uma espécie de isca, para levar a nanopartícula até a bactéria com uma grande quantidade do fármaco. “A ação combinada da droga com os íons de prata foi capaz de matar até mesmo microrganismos resistentes”. O pesquisador explica ainda que atualmente há medicamentos comerciais com nanopartículas, que servem para recobrir o princípio ativo e aumentar o tempo de vida deste dentro do organismo, mas a estratégia usada para este método publicado recentemente, eles “decoraram” a superfície da nanopartícula com grupos químicos que a direcionam até o local onde ela deve agir, sendo assim, mais seletivo.
E como a nanopartícula é direcionada até o patógeno? Tudo ocorre pela lógica do arranjo da ampicilina. “Por meio de modelagem molecular, conseguimos determinar qual parte da molécula de ampicilina interage melhor com a membrana bacteriana. Deixamos então todas as moléculas do fármaco com essa parte-chave voltada para o lado externo da nanopartícula, aumentando as possibilidades de interação com o patógeno”, explicou Cardoso.

E quanto à eficácia?

Inicialmente foi feito um estudo quanto ao efeito do nanoantibiótico em comparação ao da ampicilina convencional, em duas linhagens diferentes de Escherichia coli. Na primeira situação, os cientistas utilizaram uma linhagem suscetível à ampicilina, e praticamente 100% dos microrganismos morreram tanto com a ampicilina convencional quanto com o nanoantibiótico, versão combinada com a prata e a sílica. Na segunda situação, a linhagem da E.coli era resistente à ampicilina convencional, e somente o nanofármaco apresentou eficácia.  
Depois, era preciso testar o efeito citotóxico do nanoantibiótico nas células de mamíferos. Foi usado então, uma linhagem de células renais humanas. O resultado foi que o revestimento da nanopartícula com o antibiótico se mostrou segura.
Uma das partes mais interessantes do trabalho são as imagens de microscopia confocal, onde mostram que além de não ser tóxico, o nanoabtibiótico não interfere no ciclo celular:
 
Imagem do artigo, mostrando o teste de citotoxidade da nanopartícula revestida e sem o revestimento. Fonte: Oliveira, JFA. et al. Defeating Bacterial Resistance and Preventing Mammalian Cells Toxicity Through Rational Design of Antibiotic-Functionalized Nanoparticles. 2017.

Este estudo pode ser o passo inicial para a síntese de outros nanofármacos, variando o antibiótico de revestimento e combatendo também outras espécies de bactérias.

Tem pontos negativos?

Sim, como todo estudo inicial. O problema desse método é justamente a nanopartícula. Cardoso explica que, como a prata e a sílica são materiais inorgânicos, a nanopartícula não é metabolizada pelo organismo, o que ocasiona em acúmulo.
Não se sabe ao certo onde as nanopartículas se acumulariam. Para isso, serão necessários testes em animais. Entretanto, uma alternativa é utilizar ao invés da prata, um outro antibiótico de espectro diferente ou uma nanopartícula pequena o suficiente para ser excretada pela urina.
De qualquer forma, o nanofármaco apresentado neste estudo já é um avanço imensurável, e poderá ser utilizado em casos graves em que não há outra alternativa para o tratamento de infecções hospitalares, evitando a morte de muitos pacientes.
O trabalho foi também uma colaboração de pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Instituto de Química (IQ), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e do Departamento de Bioquímica-Programa de Pós-graduação em Biologia Funcional e Molecular, Instituto de Biologia (IB), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).


O artigo Defeating Bacterial Resistance and Preventing Mammalian Cells Toxicity Through Rational Design of Antibiotic-Functionalized Nanoparticles (doi:10.1038/s41598-017-01209-1), de Jessica Fernanda Affonso de Oliveira, Ângela Saito, Ariadne Tuckmantel Bido, Jörg Kobarg, Hubert Karl Stassen e Mateus Borba Cardoso pode ser lido na íntegra em: www.nature.com/articles/s41598-017-01209-1. 



Fonte: Revista FAPESP
0 comentaram

sábado, 27 de maio de 2017


. .
Site reúne bolsas de mais de 800 universidades brasileiras - Parceria Quero Bolsa

Educação sempre foi um assunto sério, e frente ao cenário brasileiro atual, ter acesso principalmente ao ensino superior, infelizmente, não é para qualquer um. Com cortes nos programas do governo como Fies e Prouni, tanto estudante quanto universidades privadas acabam perdendo. Eis que há outra alternativa para que os estudos caibam no orçamento! Uma ideia genial que surgiu para promover maior acessibilidade do estudante ao ensino superior, e aumentar o volume de crédito das universidades, já que com a queda nos financiamentos, o número de matrículas também caiu.
Que tal um site que reúne e compara valores de cursos de mais de 800 faculdades do Brasil, e ainda por cima oferece bolsas de até 75% de desconto? Parece interessante, não? Hoje apresentamos a vocês, o novo parceiro do Biomedicina em Ação, o Quero Bolsa. Trata-se de um site administrado pela empresa Quero Educação, que surgiu em 2010, e entre os seus investidores, estão alguns dos maiores nomes da internet brasileira, como Romero Rodrigues, fundador do site Buscapé, e Julio Vasconcellos, fundados do Peixe Urbano.


No Quero Bolsa, tanto o aluno quanto a universidade parceira são beneficiados. Para os estudantes, são concedidas bolsas de até 75% até o final do curso! E não se trata de financiamento, portanto, não gera dívida futura. Para as universidades, a matrícula online facilita o processo, o site otimiza a captação de estudantes e proporciona maior rentabilidade, ocupando vagas ociosas.
Até hoje, mais de 100 mil estudantes se matricularam pela plataforma, ocupando vagas nos mais de 10.000 cursos presenciais ou à distância, oferecidos no site.
O Biomedicina em Ação, como um portal de divulgação do conhecimento e do incentivo à ciência e educação, se juntou ao Quero Bolsa para levar o acesso ao ensino a mais pessoas.
Quer conhecer mais sobre a plataforma? É só clicar no banner abaixo e buscar pela universidade mais próxima de você! 


   Espero que gostem dessa parceria! Talvez essa seja a sua chance de se tornar um biomédico!


Fontes: 

0 comentaram

terça-feira, 18 de abril de 2017


. .
Segura aqui meu microscópio!


Não deixo barato não! 
0 comentaram

terça-feira, 14 de março de 2017


. .
A especialização do futuro: Biotecnologia

É claro que você já ouviu falar de transgênicos, de materiais biodegradáveis, biocombustível, vacinas, e outros produtos ou processos que utilizam a tecnologia e agentes biológicos, certo? Isso é só uma parte de uma das áreas mais promissoras da atualidade, a biotecnologia.



 Segundo a ONU, a biotecnologia é qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos ou modificados, para fabricar ou modificar produtor ou processos com finalidade específica. Trata-se de uma área interdisciplinar que está fortemente ligada à pesquisa científica e tecnológica, e nos últimos tempos deu
A Biotecnologia moderna engloba áreas de aplicações biológicas em saúde e biomedicina, na agricultura e na produção de insumos industriais. Dentre as disciplinas que constituem as bases da Biotecnologia destacam-se aquelas das áreas biológicas (principalmente microbiologia e biologia molecular), das áreas químicas (química orgânica, química analítica e bioquímica) e das áreas de engenharia (principalmente engenharia bioquímica ou de bioprocessos).
A biotecnologia tem aplicações até onde menos se imagina! Na indústria farmacêutica, por exemplo, é aplicada no desenvolvimento de novas drogas, farmacoterapias, produção e melhoramento de antibióticos, produção de proteínas recombinantes para fins terapêuticos, vacinas, estabelecimento de terapias gênicas e outras estratégias para o tratamento de doenças animais e vegetais. Para quem trabalha com análises clínicas, os testes de diagnóstico clínicos têm biotecnologia envolvida. Na agricultura, está presente no desenvolvimento de novas variedades de cultivos e organismos transgênicos, como foi citado no início do texto. Além disso, vemos suas aplicações na indústria alimentícia, com a produção e controle de qualidade de produtos alimentícios e bebidas.
Até mesmo o tratamento de esgoto e efluentes industriais, a produção de biocombustível, bioremediação, desenvolvimento de biorreatores, softwares e consumíveis da área, e o desenvolvimento de biomateriais reparativos e bioindutores, produção de órgãos e tecidos biológicos ex-vivo que ajudam na constante evolução da medicina.
Um dado interessante: estima-se que em 2030, a área de Biotecnologia contribua para 80% dos novos medicamentos, 35% da produção química e 50% da produção do setor primário. E no Brasil, é uma das principais linhas de ação de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em áreas consideradas estratégicas pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

ONDE ESTUDAR?

Atualmente, já existem cursos de graduação na área, e cursos de pós-graduação lato sensu (especialização). A Faculdade de Jaguariúna (FAJ) oferece o curso de pós-graduação, buscando formar alunos capacitados para o mercado de trabalho. O curso é reconhecido pelo MEC através do credenciamento FAJ-MEC: Portaria MEC n° 586 de 03/05/2000 publicada no DOU de 05/05/2000, e tem duração de 27 meses. As aulas terão periodicidade quinzenal, e serão ministradas na Faculdade de Jaguariúna – Campus II.

Carga horária: 472 horas.
Período: início previsto para final de março, de acordo com o fechamento de turma.
Investimento: valor da matrícula com 10% desconto para leitores do Biomedicina em Ação. Valores de mensalidades – 27 parcelas de R$520,00.



Ficou interessado? Então corra e faça a sua pré-inscrição para obter o desconto! Garanta seu espaço em uma das áreas mais promissoras da atualidade! 


https://docs.google.com/forms/d/1AlrIK7J9gLgL7cGIRCTf5wxwqmT4YKeL51UM0iF-CZk/viewform?edit_requested=true


Fontes: Unifesp
0 comentaram

segunda-feira, 6 de março de 2017


. .
A arte no mundo microcópico

No final de 2016, o Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP) lançou a terceira edição do Concurso de Imagens em Ciências da Vida, envolvendo ciência e pesquisa nos campos da astronomia e microscopia, propondo o despertar do interesse pela arte.
As imagens foram incríveis! Dá só uma olhada nas imagens vencedoras nas categorias fluorescência, campo claro e microscopia eletrônica!

Célula de meduloblastoma humano. Foto de Beatriz de Araújo Cortez, primeira colocada na classificação geral e na categoria fluorescência. Fonte: Fapesp. 
 
Intrincada rede de neurônios e astrócitos humanos (azul e amarelo, respectivamente), dois tipos de células que compõem o cérebro. Em vermelho aparecem os núcleos celulares, onde está o DNA. Imagem de Alexandre Teixeira Vessoni, segundo colocado na categoria fluorescência. Fonte: Fapesp.


Tendão da pata de rato após duas semanas de lesão, com algumas hemácias entre as fi­bras colágenas. Foto de Diego Pulzatto Cury, terceiro colocado na classificação geral e primeiro na categoria microscopia eletrônica. Fonte: Fapesp. 

Microscopia eletrônica de varredura de células sanguíneas no interior de um vaso de tendão de rato. Imagem de Diego Pulzatto Cury, terceiro colocado na classificação geral e segundo na categoria microscopia eletrônica. Fonte: Fapesp. 

Para conferir mais imagens que venceram o concurso, é só clicar aqui!  


Fonte: Fapesp. 
0 comentaram

domingo, 8 de janeiro de 2017


. .
O que são alimentos seguros? - Por Mayara Montani


Não existe um consenso, o risco deve ser minimizado durante toda a cadeia produtiva, garantindo a qualidade do produto final, reduzindo a ocorrência de doenças transmitidas pelos alimentos.
Um alimento pode ser considerado seguro quando produzido, manipulado, armazenado, embalado e transportado seguindo as boas práticas de fabricação, garantindo o controle de perigos e padrões de qualidade levando em consideração os fatores intrínsecos (características inerentes ao alimento) e extrínsecos (características do ambiente) do alimento. 
Um alimento é considerado seguro quando não causará dano ao consumidor, por estar isento de perigos biológicos, químicos ou físicos.

Os perigos biológicos são microrganismos considerados patógenos potenciais. Por isso, é importante salientar que um alimento seguro, isento de perigos biológicos não é sinônimo de alimento estéril ou isento de microrganismos. Um produto alimentício pode conter certo número de microrganismos e esporos viáveis, porém estes não têm condições de se desenvolver nas condições de estocagem do produto, termo conhecido como "esterilidade comercial".
As boas práticas na produção são importantes para garantir a segurança e qualidade do alimento e das etapas posteriores. O ambiente deve estar livre de perigos (contaminantes e pragas) e procedimentos devem ser estabelecidos, validados e seguidos, garantindo a produção, manipulação, armazenamento e transporte em condições satisfatórias de higiene.
 Alguns pré-requisitos devem ser levados em consideração com a finalidade de controlar os perigos de segurança alimentar e fornecer produtos seguros:
- Instalações (layout).
- Gerenciamento de resíduos.
- Saúde e higiene pessoal .
- Controle de pragas.
- Boas práticas na recepção, fabricação, armazenamento e transporte.
- Controle da qualidade da água e ar.
- Qualificação de fornecedores.
- Limpeza e sanitização de instalações, equipamentos e utensílios.
- Manutenções preventivas e corretivas.

Segundo a Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, a alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, sendo responsabilidade do poder público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população.
Art. 3º:  A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Art. 4º -IV: A segurança alimentar e nutricional abrange: A  garantia da qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica dos alimentos, bem como seu aproveitamento, estimulando práticas alimentares e estilos de vida saudáveis que respeitem a diversidade étnica e racial e cultural da população.
0 comentaram
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...