segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012


. .
Saiba mais sobre ...



O que é?
  Deve ser do conhecimento de muitos que os estímulos sensoriais  e motores são levados até o cérebro pelos nervos periféricos, para que sejam processados e entendidos como dor, calor, frio, ou até mesmo um movimento. Sabemos também que o revestimento desses nervos é chamado de bainha de milelina, e é exatamente essa "proteção" dos nervos que fica acometida em pacientes que desenvolvem a Síndrome de Guillain-Barré.
  A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) ou polirradiculoneurite aguda é uma desordem na qual o sistema imunológico do corpo ataca parte do sistema nervoso periférico. Trata-se de uma neuropatia auto-imune caracterizada pela inflamação aguda ou perda da mielina nos nervos periféricos, e em algumas situações, de nervos que enervam do tronco cerebral. A produção de auto-anticorpos atacam e destroem a bainha de mielina, bloqueando a passagem do  estímulo nervoso. Os nervos acometidos são basicamente os motores, acarretando na incapacidade muscular com pouca ou nenhuma diminuição da sensibilidade. 
  


"É geralmente desencadeada após uma infecção viral ou bacteriana (ainda que também possa ocorrer após vacinação, cirurgia, anestesia epidural, transplante de órgãos e medula óssea, linfomas, sarcoidose e uso de penicilina), que provoca paralisia ascendente (dos pés até a cabeça) progressiva e potencialmente fatal."


  Em muitas pessoas o início da doença é precedido por infecção de vias respiratórias altas, de gastroenterite aguda (por campylobacter) e, num pequeno número de casos, por vacinação especialmente contra gripe e em raras ocasiões contra hepatite B e contra o tétano. Antecedentes de infecções agudas por uma série de vírus tais como, Epstein Barr, citomegalovirus, HTLV, HIV, e diversos vírus respiratórios têm sido descritos. Em 2010, uma pesquisa realizada pela UFRJ, constatou que o vírus da Dengue poder ser um dos causadores (visto que 1-4% das pessoas com dengue desenvolveram a síndrome).

História
  A doença foi descrita inicialmente por Jean B. O. Landry em 1859, médico francês,  como um distúrbio dos nervos periféricos que paralisava os membros, o pescoço e os músculos respiratórios. Em 1916, os médicos parisienses: Georges Guilliain, Jean Alexander Barre e André Strohl, demonstraram a anormalidade característica do aumento das proteínas com celularidade normal, que ocorria no líquor dos pacientes acometidos pela doença. Eis porque esta síndrome também é chamada de Landry-Guillain-Barré.
  Desde então, vários investigadores se interessaram pela síndrome, colhendo informações adicionais sobre o distúrbio, e demonstrando que outros músculos, além do grupo muscular dos membros e da respiração, poderiam ser afetados, como os da deglutição, os do trato urinário, do próprio coração e dos olhos.

Incidência
  A SGB é a maior causa de paralisia flácida generalizada no mundo com incidência anual de 1-4 por 100.000 habitantes e pico entre 20-40 anos de idade. Não existem dados epidemiológicos específicos para o Brasil, mas para se ter noção, em uma cidade do interior de Minas Gerais, com aproximadamente 80 mil habitantes, há três casos confirmados da doença.

Sintomas
  Em geral, o Guillain-Barré progride por duas semanas, mantém-se estável por mais duas e, então, começa a regredir, um processo que pode durar várias semanas.
  • Dor nos membros inferiores seguida por fraqueza muscular progressiva de distribuição geralmente simétrica e distal que evolui para diminuição ou perda dos movimentos de maneira ascendente com flacidez dos músculos em questão de horas/dias.Em alguns pacientes o Guillain-Barré progride lentamente e não chega a acometer a parte superior do corpo de modo importante.
  • Perda dos reflexos profundos de início distal, bilateral e simétrico a partir das primeiras horas ou primeiros dias.
  • Sintomas sensitivos: dor neurogênica, queimação e formigamento distal.
  • Pode haver alteração da deglutição e paralisia facial.
  • Comprometimento dos centros respiratórios com risco de parada respiratória
  • Alteração dos movimentos dos olhos e ataxia cerebelar (déficit de equilíbrio e incoordenação) associada a ptose palpebral (pálpebra caída) e perda dos reflexos.
  • Assimetria importante da fraqueza muscular ou da perda de movimento, distúrbios graves de sensibilidade e disfunção vesical ou intestinal persistentes induzem questionamentos embora não excluam o diagnóstico.
  A gravidade da doença está nos casos em ocorre acometimento dos músculos respiratórios e da face, com dificuldade para respirar, engolir e manter as vias aéreas abertas. Até 30% dos pacientes precisam de ventilação mecânica. 70% dos casos apresentam também sintomas de taquicardia (coração acelerado), hipertensão/hipotensão, perda da capacidade de suar, arritmias, retenção urinária e constipação intestinal. São chamados sintomas de disautonomia e também ocorrem por alteração dos nervos periféricos.

Diagnóstico
  O pacientes deve apresentar fraqueza motora ou déficit sensitivo não explicado afetando os membros. Os achados típicos no exame neurológico incluem fraqueza progressiva e ascendente e arreflexia tendinosa. É fundamental a pesquisa de infecções prévias. É imperativa a coleta do líquido cefalorraquidiano, que freqüentemente mostra dissociação albumino-citológica, ou seja, contagem celular normal com hiperproteinorraquia. Nos casos de pacientes com síndrome de imunodeficiência conseqüente ao HIV pode haver celularidade liquórica em torno de 10 a 50 células/ml. Os dois exames complementares que ajudam no diagnóstico são a punção lombar e a eletroneuromiografia.

Tratamento
  Não há cura conhecida para a síndrome de Guillain-Barré. Porém, existem tratamentos que podem diminuir a severidade da síndrome e acelerar a recuperação na maioria dos pacientes. Também há várias formas de tratar complicações da síndrome de Guillain-Barré. 
O tratamento se baseia em duas terapêuticas igualmente efetivas e devem ser iniciados dentro das primeiras quatro semanas de doença, havendo necessidade de internação do paciente, mesmo os com doença leve, uma vez que o acometimento respiratório pode ocorrer rapidamente. São elas:

Plasmaferese: uma espécie de hemodiálise onde se filtra os auto-anticorpos.
Imunoglobulinas : anticorpos contra os auto-anticorpos.
  Em 80% dos casos o paciente se recupera totalmente, ou as sequelas são mínimas e não interferem na qualidade de vida. A mortalidade é de 5% e aproximadamente o mesmo percentual não consegue voltar a andar.



Fontes: 
http://www.mdsaude.com/2008/12/o-que-sndrome-de-guillain-barr.html

Artigo interessante:

0 comentaram

0 comentários :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...