sexta-feira, 24 de abril de 2020


. .
Atualizações sobre o diagnóstico do SARS-CoV-2 (COVID-19) - Por Amanda Assaf


Recentemente um paciente internado na UTI do Hospital onde trabalho fez o teste de PCR para diagnóstico do SARS-CoV-2 pelo material de swab naso-orofaríngeo e o resultado foi negativo. Devido à discrepância da clínica do paciente com o resultado, o médico solicitou PCR para amostra de lavado broncoalveolar, no qual o resultado dessa vez deu POSITIVO. Diante desse acontecimento resolvi pesquisar e encontrei coisas interessantes para compartilhar com os Biomédicos, para que saibam auxiliar e responder questões recorrentes.


TESTES DISPONÍVEIS
O padrão ouro para diagnóstico do SARS-CoV-2 é a reação em cadeia da polimerase. Porém, outros testes auxiliam na sua detecção. Os testes disponíveis no mercado atualmente detectam o RNA viral, a partir do sequenciamento do RNA por técnica de PCR Real Time; pesquisa de antígeno a partir de imunofluorescência ou pesquisa da produção de anticorpos (IgG e IgM) de um indivíduo que teve contato com o vírus por imunocromatografia, através de teste rápidos. 
Todo teste utilizado em laboratório deve ter seu registro junto a ANVISA e ao Ministério da Saúde. Para se obter esse registro é necessária a apresentação de documentações como a autorização de funcionamento de empresa, certificação de boas práticas de fabricação, resultados e detalhes dos ensaios clínicos da fase da pesquisa clínica, detalhes sobre a produção do teste, validade e estabilidade, além de outros dados que garantem a qualidade e a capacidade  de gerar um resultado clínico fidedigno.

Amostras utilizadas para análise:

A amostra escolhida para coleta dependerá do teste que será utilizado e do que se pretende estudar.

1.   Secreções do trato respiratório superior e inferior:

Para estudar a presença do antígeno utiliza-se amostras colhidas de trato respiratório superior (nasal, oral e faríngeo) por swab naso-orofaríngeo, onde deve-se coletar secreções das duas narinas, utilizando1 swab para cada narina e 1 swab da parte orofaríngea conforme na imagem abaixo:


Técnica para a coleta de swab. Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Guia para a Rede Laboratorial de Vigilância de Influenza no Brasil. 2016.


A coleta deve ser bem realizada, garantindo que todo o swab toque o tecido correto e carregue uma quantidade adequada de secreções.
Amostras mais viscosas e espessas podem ser colhidas através de aspirado da nasofaringe, onde se utiliza solução fisiológica a 0,9% para fluidificar o muco e realizar a aspiração  por nebulização ou instilação, nessa técnica de coleta faz-se uma introdução de cateter de silicone na região nasofaríngea até sentir resistência e realiza-se a sucção por material ideal, essa coleta deve ser realizada por profissional habilitado, geralmente fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos de enfermagem:


Ilustração da técnica para a coleta de aspirado nasofaríngeo. Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Guia para a Rede Laboratorial de Vigilância de Influenza no Brasil. 2016. 

Outra amostra colhida para análise e que também deve ser realizada por profissional habilitado é a coleta do lavado broncoalveolar, onde se introduz o soro fisiológico no broncoscopio e faz-se a aspiração desse lavado.

Essas amostras são utilizadas para diagnóstico do antígeno. Utiliza-se esses sítios de coleta, pois a carga viral nesses locais são maiores e a capacidade de detecção é proporcional. Os testes realizados a partir dessas amostras são: PCR em tempo real com sequenciamento do RNA viral e imunofluorescência para pesquisa do vírus como forma de teste rápido.
A análise de amostras por PCR em tempo real leva entre 4 a 6 horas para a liberação de resultados e o teste é o mais sensível em relação aos outros. A técnica de imunofluorescência demora cerca de 30 minutos para liberação do resultado.

2.   Soro, plasma ou sangue total

Os testes rápidos disponíveis atualmente no mercado para pesquisa de anticorpos IgG e IgM utilizam amostras de soro, plasma ou sangue total. Esse tipo de teste é bastante específico e é realizado pelo método de imunocromatografia.
Nosso organismo leva alguns dias para produzir os primeiros anticorpos IgM e posteriormente temos a produção de anticorpos IgG. Cada antígeno é específico a cada estrutura viral do qual o organismo se expos, esse tempo de produção de anticorpos interfere diretamente nos requisitos solicitados para se realizar um teste rápido.
O teste rápido é indicado para pessoas que possuem sintomas a 10 dias ou mais, sendo que no décimo dia de sintoma pode-se realizar o teste.
Logo abaixo segue uma imagem explicativa dos melhores testes para se diagnosticar a COVID-19 desde os primeiros sintomas:

Representação dos testes laboratoriais para diagnóstico da COVID- 19. Fonte: newslab.com.br.

Indicação de teste rápido e produção de anticorpos IgG. Fonte: labornews.com.br.


Foram aprovados recentemente pela ANVISA também, teste de ELISA e imunoensaio quimioluminescente, onde se utiliza amostras de soro, também para pesquisa de anticorpos..

Avaliação de novos testes pela ANVISA:

Caso queiram saber mais sobre a estratégia e as exigências da ANVISA para aprovação de testes para diagnóstico da SARS – CoV -2  acessem a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 348/2020 clicando aqui.

IMPORTANTE:

Um resultado negativo não exclui a possibilidade de infecção pelo SARS-CoV-2, é necessário que seja realizado outro teste podendo ser pela mesmo método de análise empregado na primeira amostra ou não.
Segundo a Nota Técnica da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas muitos fatores interferem nos resultados, como coleta errada, início de sintomas, carga viral e amostra coletada. Caso o médico ache necessário repetir a análise segundo discrepância do quadro clínico e um resultado NEGATIVO, deve-se, portanto, repetir a análise, se possível, em caso de pacientes graves e internados, em amostras de lavado broncoalveolar colhidas por profissionais habilitados.
Segundo um estudo disponível no PUBMED: a sensibilidade de detecção pelo PCR real time em amostras de lavado é de 93%, escarro 72%, swab nasal 63%, swab orofaringe 32% e sangue de 1%.(JAMA March 11, 2020)

APROVEITEM: O PUBMED ESTÁ LIBERADO PARA ACESSO A ARTIGOS RELACIONADOS A SARS-CoV-2.


Referências:
·      JAMA March 11, 2020. doi:10.1001/jama.2020.3786: Detection of SARS-CoV-2 in Different Types of Clinical Specimens. Acesso em 24/04/2020. Disponível em:<https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2762997?appId=scweb>.



Texto de autoria de Amanda Sardeli Alqualo Assaf, biomédica patologista clínica e auditora PALC. CRBM: 28715.
0 comentaram

0 comentários :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...