domingo, 29 de junho de 2014


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Fraude ou inexperiência? (Caso STAP)


Em janeiro deste ano (2014), alguns jornais brasileiros e internacionais noticiaram uma descoberta que parecia dar novos rumos à medicina regenerativa. Tratava-se da descoberta de um método de reprogramação celular de Aquisição de Pluripotência Desencadeada por Estímulo (STAP, na sigla em inglês).  Dizia-se que um método extremamente simples era capaz de transformar células maduras em células pluripotentes. A descoberta se deu por cientistas do Centro de Biologia do Desenvolvimento RIKEN, no Japão, e culminou numa publicação polêmica na Nature, uma das mais respeitadas revistas científicas. 
Os cientistas afirmavam que, as células “expostas a fortes estímulos que elas não experimentariam normalmente em seus ambientes” faz com que ela volte ao seu estado de pluripotência. Eles usaram células adultas de camundongos e expuseram-nas a níveis baixos de oxigênio ou a um banho de ácido de 30 minutos. Observou-se que as células sobreviveram e recuperaram-se do estimulo, pois se recuaram a um estado semelhante ao de uma célula estaminal. Se bem sucedido no homem, o método barato e rápido parecia extremamente viável.
Mas algum tempo após a publicação na Nature, questionamentos principalmente quanto à credibilidade das imagens publicadas no artigo e a dificuldade de outros cientistas em reproduzir o experimento começaram a surgir, o que fez com que a própria instituição RIKEN e a Nature iniciassem uma investigação acerca da veracidade do estudo e indícios de fraude. Teruhiko Wakayama, da Universidade Yamanashi (Japão), co-autor do estudo, questionou publicamente os resultados. Logo depois, mais três co-autores se pronunciaram, e Ryoji Noyori, presidente do RIKEN, pediu “desculpas pelo grande problema e as preocupações causados a tantas pessoas na sociedade pela publicação dos artigos sobre as células STAP”. No fim da conferência de imprensa, Noyori e outros responsáveis da RKEN pediram desculpa curvando-se perante a assistência. O relatório inicial da instituição concluiu que “houve manipulação inapropriada dos dados de dois dos itens [imagens] investigados, mas que as circunstâncias [em que essa manipulação aconteceu] não foram consideradas como constituindo má conduta científica”. 

Haruko Obokata. Foto: Público.pt. 
Depois de quase dois meses de investigação e de todo o escândalo, Obokata se pronunciou perante a quase 300 jornalistas. A própria instituição RIKEN a acusou de fraude, mas visivelmente emocionada, a pesquisadora se curvou diante de todos e se desculpou, confirmando haver erros no artigo devido a sua inexperiência, mas que não havia agido de forma a manipular os resultados, e afirmou que as células STAP de fato existem. “É absolutamente possível explicar como é que os erros apareceram”, declarou Obokata. 


Fontes: Público.Pt e G1.com
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