segunda-feira, 6 de maio de 2013


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Criação de vírus híbrido de gripe aviária em laboratório da China causa polêmica


Enquanto o mundo está paralisado por um novo vírus da gripe aviária, o H7N9, que se espalha pela China, um estudo lembra-nos que outro vírus da gripe (H5N1) ainda representa uma ameaça de pandemia.
Cientistas na China criaram um vírus híbrido pela mistura de genes de H5N1 (vírus da gripe aviária), com a cepa do H1N1 (vírus da gripe suína). O resultado mostrou que este híbrido é capaz de se disseminar facilmente pelo ar entre cobaias, através de gotículas respiratórias, e agora é mantido no freezer de um laboratório. Com isso, a equipe chinesa indicou ter provado que o vírus mortal H5N1 pode precisar apenas de uma simples mutação genética para “adquirir transmissibilidade entre mamíferos”.  "Se esses vírus H5N1 que foram transmitidos a mamíferos são gerados na natureza, uma pandemia será muito provável", diz Hualan Chen, virologista do Instituto Harbin de Investigação Veterinária da Academia Chinesa de Ciências, que liderou o estudo.
Jeremy Farrar, diretor da Unidade de Pesquisa da Oxford University Clinical em Ho Chi Minh City, Vietnã, afirma que “é um trabalho notável e mostra claramente como a circulação contínua de cepas do H5N1 na Ásia e no Egito continua a constituir uma ameaça muito real para a saúde humana e animal".
Foto (REPRODUÇÃO): Nature. Infecção das vias
aéreas pelo híbrido criado em laboratório da China.
Transmitido às pessoas pelas aves, o H5N1 é letal em 60% dos casos, mas não é transmitido entre humanos, característica que até agora evitou uma pandemia (clique aqui e saiba mais) . Alguns argumentam que estudos híbridos como este esclarecem como o vírus consegue sofrer mutação na natureza para causar uma epidemia humana, e podem ajudar às pessoas a se preparar.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o H5N1 infectou 628 pessoas e matou 374 desde 2003. O H1N1, que surgiu no México, é altamente transmissível e infectou um quinto da população mundial em uma pandemia registrada entre 2009 e 2010.  Híbridos de gripe podem surgir naturalmente quando duas cepas virais infectam a mesma célula e trocam seus genes. Este processo, conhecido como rearranjo (ou reagrupamento), produziu as estirpes responsáveis por pelo menos três tipos de gripes anteriores, incluindo o de 2009. Entretanto, não existem evidências de que o H1N1 e o H5N1 tenham feito isso até agora.
(Continue lendo,clique aqui)
Este estudo está gerando grande alvoroço na comunidade científica, pois alguns observadores temem que a ciência esteja colocando a humanidade em risco ao criar tais mutantes. “Estes vírus feitos pelo homem nunca estiveram na natureza. Agora estão armazenados em um freezer”, disse à AFP o professor de virologia Simon Wain-Hobson, do Instituto Pasteur, da França. Wain-Hobson citou um vazamento em laboratório de febre aftosa, uma doença que afeta o gado e que causou um surto na Grã-Bretanha seis anos atrás.
Não está claro como os resultados se aplicam aos seres humanos. Porém, Wain-Hobson e outros cientistas temem que o risco possa ser ainda maior que o valor científico da pesquisa. Seus argumentos se baseiam em que a pesquisa têm pouco valor para a descoberta de uma vacina ou de um tratamento que levaria anos para desenvolver, provavelmente muito antes de um surto.
O virologista John Oxford, da Universidade Queen Mary, de Londres, no entanto, disse que o experimento era um alerta importante. Ele demonstrou como dois vírus, ambos que ainda infectam pessoas ao redor do mundo, podem trocar genes.
“A matemática dirá que cedo ou tarde uma pessoa será coinfectada”, afirmou, provavelmente levando a um vírus híbrido “que começará a se disseminar”. “Precisamos nos reorganizar, rever nossos planos de pandemia e estar certos de que temos estoques de vacina para o H5N1″, afirmou o virologista.
"Eu acredito que essa pesquisa é fundamental para a nossa compreensão da gripe", diz Farrar."Mas esse tipo de trabalho, em qualquer lugar do mundo, precisa ser bem regulado e conduzido nas instalações mais seguras, que são registrados e certificados para um padrão internacional comum".
E os cientistas não sabem se os vírus híbridos são tão mortais como o H5N1. Os híbridos não mataram nenhuma das cobaias, mas segundo Chen, os roedores utilizados na pesquisa não são bons modelos para patogenicidade em humanos. Segundo ele, há também a possibilidade de que diante a exposição mundial ao H1N1, a população já tenha criado certa imunidade contra a infecção do H5N1. Isto foi baseado em pesquisas anteriores que mostraram que vacinas contra o H1N1 promoveram alguma proteção contra o H5N1 em camundongos.
"Se você pegar anticorpos de pessoas que tenham sido vacinadas ou infectadas naturalmente, será que eles reagem de forma cruzada com estes vírus?", questiona Stacey Schultz-Cherry, virologista do Hospital de Pesquisa Infantil St. Jude, em Memphis, Tennessee"É um estudo importante que precisa ser feito.".
Entretanto, a preocupação de pandemia agora é com o H7N9. A pesquisa sobre o vírus H5N1 vai ter que esperar.

Fontes:
(Artigo original)
(Artigo original)


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