segunda-feira, 10 de setembro de 2012


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ELA - Esclerose lateral amiotrófica


O que é?

O significado dessa doença vem contido no próprio nome:
Esclerose significa endurecimento e cicatrização.
Lateral refere-se ao endurecimento da porção lateral da medula espinhal.
Amiotrófica é a fraqueza que resulta na atrofia do músculo. Ou seja, o volume real do tecido muscular diminui.
Assim, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa e incapacitante, caracterizada por fraqueza muscular secundária pela perda de neurônios motores (responsáveis pelos movimentos de contração e relaxamento muscular) – compromete o 1º neurônio superior e o 2º neurônio inferior - no córtex, tronco cerebral e medula espinal.
Cinco a dez por cento dos casos são familiares, com herança autossômica dominante. É conhecida como doença de Charcot na França, doença do neurônio motor no Reino Unido, e doença de Lou Gehrig nos EUA.
Possui etiologia e patogenicidade desconhecida, porém estudos sugerem como causas a morte celular por agressão autoimune nos canais de sódio e incremento do cálcio intracelular, infecção viral, estresse oxidativo, dano por radicais livres, neurotoxidade por glutamento e disfunção das mitocôndrias ou dos mecanismo de transporte axonal, além da participação de células acessórias, como a microglia, que vem sendo estuda clinicamente.
Na ELA, a clínica é um tanto quanto complexa, crônica e progressiva. Os pacientes geralmente têm idade superior a 40 anos, com maior incidência da doença no sexo masculino, em indivíduos brancos, ou que praticam atividade física muito intensa, ou ainda que tenham sofrido choque elétrico ou trauma mecânico. Porém, vemos muitos casos de mulheres, ainda bastante jovens com ELA, portanto, essas não são regras.
Pode evoluir causando debilidade e atrofia progressiva da musculatura respiratória e dos membros, pela incapacidade do neurônio enviar impulsos aos músculos, espasticidade, distúrbios do sono, estresse psico-social e sintomas de origem bulbar como disartria e disfagia, podendo resultar em morte (em três ou quatro anos após o início dos sintomas, e dois a três anos após o diagnóstico definitivo) ou ventilação mecânica permanente.
A maioria das doenças crônicas neurodegenerativas que deixam pacientes acamados, comprometem sua capacidade intelectual. Entretanto, a ELA não afeta o raciocínio intelectual do paciente, assim como sua visão, audição, paladar, olfato e tato, e na maioria dos casos, não afeta suas funções sexuais, intestinais e vesical.
Talvez esse não comprometimento do intelecto seja a questão mais difícil dessa doença, pois o paciente está ligado a tudo o que acontece ao seu redor, porém não consegue se expressar com palavras ou gestos.

Sintomas

O primeiro sintoma da ELA é a fraqueza muscular, seguida da deterioração dos músculos, que se inicia nas extremidades, usualmente em um lado do corpo, e posterior envelhecimento das células nervosas (esclerose) e morte dos nervos envolvidos morrem, deixando o paciente cada vez mais limitado, porém há outros sintomas que podem acompanhar esta fraqueza, como a cãibra, que é o mais frequente.
Manifesta-se inicialmente pelos membros superiores, e posteriormente, os inferiores, e pode haver uma forma mais agressiva da doença, quando ocorre a paralisia bulbar progressiva (ataca a língua e a glote), e assim há o comprometimento da mastigação e da fala, acompanhada da perca rápida de peso.

Diagnóstico

Não há um diagnóstico precoce para a ELA. Geralmente, leva-se de 10 a 11 meses do primeiro sintoma à confirmação do diagnóstico, pois os sintomas iniciais levam o paciente a procurar um ortopedista. Entretanto, sabe-se que o ideal é iniciar o tratamento antes do primeiro neurônio morto, e a ciência busca pistas para identificar a doença o quanto antes.

Tratamento

Há muitos estudos sobre a ELA, porém o tratamento é paliativo e inespecífico. Muitos desses estudos visam diminuir o sofrimento e aumentar a sobrevida desses pacientes.
Pode ser realizado fisioterapia, justamente pela falta de movimentação, ajudando o paciente a se exercitar para tentar manter alguma flexibilidade, terapia ocupacional para providenciar dispositivos adaptados às duas deficiências, principalmente para a comunicação do paciente com outras pessoas a medida que este vai perdendo a fala, além de um tratamento com um pneumologista, devido os sintomas pulmonares, para um acompanhamento a longo prazo, com técnicas de ventilação não-invasivas.
Como não há nenhuma terapia eficaz para evitar a evolução da doença, dentre as inúmeras drogas já testadas, a única que conseguiu retardar a progressão da doença, ainda assim em apenas alguns meses, foi o Riluzol (Rilutek), um inibidor da via glutamatérgica (o excesso da neurotransmissão dessa via está envolvido em doenças neurodegenerativas), e até a publicação em 2004, do artigo Perspectivas de terapia celular na esclerose lateral amiotrófica, de Júlio C. Voltarelli (uma das fontes deste texto), era a única droga liberada pelo FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento da ELA.
Com base nas drogas anti-inflamatórias testadas, pela suspeita da etiologia relacionada a infecções, pesquisas com a infusão de células-tronco hematopoiéticas estão progredindo, mas ainda nada concreto pode ser afirmado, além de que a descoberta da mutação do gene SOD1 em uma pequena porcentagem dos pacientes com ELA, por Siddique e cols, permitiu que se identificasse a forma genética da doença, verificando que esta comporta-se do mesmo modo nos 97% a 98% dos pacientes sem a mutação, e espera-se que a compreensão do mecanismo de degeneração do neurônio motor nos pacientes com mutações de SOD1 explique por que os neurônios degeneram em pacientes sem a mutação.


Fontes:
CASSEMIRO, C. R; ARCE, C. G. Comunicação visual por computador na esclerose lateral amiotrófica. Arq Bras Oftalmol 2004;67:295-300
VOLTARELLI, J. C. Perspectivas de terapia celular na esclerose lateral amiotrófica. Rev. bras. hematol. hemoter. 2004;26(3):155-156.
Tudo sobre a ELA. Disponível em: <http://www.tudosobreela.com.br/home/index.asp> Acessado em 10/09/12.

Vídeo: youtube.com.br
Foto: Google.
4 comentaram

4 comentários :

  1. Muito legal este resumo sobre a doença ELA, minha mãe é portadora da forma bulbar,toma o riluzol e esperamos que as pesquisas de novas drogas dentro e fora do Brasil sejam um sucesso... afinal não temos tempo.Valeu equipe
    Roseli Assis
    roseliassis2011@hotmail.com

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    Respostas
    1. Roseli,obrigada! Também esperamos que cada vez mais as pesquisas evoluam,e que ajude a todos os pacientes. Abraços!

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  2. Philipe Ribeiro, é sim esta doença a do físico Stephen Hawking.

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