quinta-feira, 23 de julho de 2020


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Estresse e seu impacto na saúde - Por Ana Beserra

Durante tempo difíceis e de pandemia como o que estamos vivendo agora, é muito propício falarmos e até mesmo sofrermos os impactos do estresse. Convém lembrar, que o estresse por si só não é maléfico, ele rompe com o equilíbrio ou homeostase, e é bom que tenhamos este estado em determinadas situações para elevar os batimentos cardíacos, vasoconstricção e outros sinais do sistema nervoso autônomo simpático que é aquele responsável pelo processo conhecido como luta ou fuga. Além disso, no período de estresse ocorre a liberação de hormônios como o cortisol, e de catecolaminas como a adrenalina e a noradrenalina que contribuem para produzir a ação simpática.

 Nos dias de hoje, não precisamos correr de um animal feroz como antigamente nossos ancestrais faziam, todavia precisamos “lutar e/ou fugir” por causa de outros estressores. Existem vários tipos de estressores como exemplo, podemos citar o estressor físico como expor o organismo a temperaturas extremas como o frio ou calor excessivo, a atividade física, ou o estressor emocional como comportamentos de raiva, aborrecimentos e outros. Sabemos que além dos tipos, existem fases de estresse e são elas a alerta, a resistência e a exaustão.

Atualmente, diversos trabalhos científicos mostram que o estresse na fase de exaustão também denominado crônico, ou seja, a longo prazo pode acarretar no aparecimento de algumas doenças, uma vez que induz a inflamação e contribui para o aparecimento de hipertensão, obesidade, depressão e até mesmo demências. O biomédico, atuando como pesquisador em sua essência, pode atuar na psicobiologia, colaborando com o entendimento do funcionamento das vias de estresse com a liberação de hormônios e neurotransmissores a nível laboratorial e clínico através de pesquisas e estudos.

O que podemos resumir de todo esse assunto, é que o estresse por si só não é ruim, mas sim o sem excesso uma vez que o estresse crônico e não regulado pode levar a danos nos indivíduos como por exemplo transtornos mentais e o biomédico pode contribuir além dos estudos e pesquisas para buscar mais evidências sobre como se dá essa regulação, mas também pode agir como um multiplicador, estimulando mudanças de estilo de vida para uma melhora na saúde como a redução do estresse emocional e prática regular de atividades físicas que ajudam a regular o hormônio do estresse e ainda contribuem para a boa saúde física e mental. Meditar, relaxar e praticar atividade física são exemplos de atividades prazerosas que podem ser incorporadas diariamente, começar com 30 minutos diários é o recomendado e assim, evitaremos os prejuízos do cortisol elevado e os impactos negativos na saúde.

Texto de autoria de Ana Beserra, biomédica, mestre em ciências, doutoranda em saúde mental. CRBM 17222.

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