sábado, 16 de agosto de 2014


. .
O que é a Síndrome Hemolítica Urêmica?

Em 2011 o mundo acompanhou a crise europeia da cepa de E. coli O104:H4. A infecção causa um conjunto de sinais e sintomas denominado Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU). Conheça mais sobre ela. 

Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), é uma doença caracterizada pela trombocitopenia (contagem de plaquetas inferior a 150.000/mm3), anemia com sinais de hemólise microangiopática (alterações ao nível dos pequenos vasos sanguíneos) e lesão renal aguda evidenciada por hematúria, proteinúria ou aumento do nível sérico de creatinina. Pode cursar também com disfunções neurológicas e hipertensão arterial, em diversos graus, e há também a SHU típica e a atípica (SHUa).
 A síndrome atinge, sobretudo crianças entre os 6 meses e os 5 anos de idade, com incidência de 2,1 por cem mil habitantes por ano, causando insuficiência renal aguda durante a infância.

Atualmente, a principal causa da SHU é a infecção gastrointestinal por uma cepa Escherichia Coli enterohemorrágica encontrada frequentemente no intestino dos animais, sobretudo nos ruminantes. Ela produz toxinas do tipo Shiga (verotoxinas), por sua semelhança com as toxinas produzidas pela Shigella dysenteriae, que dão origem a um quadro de diarreia, geralmente hemorrágica, além de cólicas abdominais, febre e vômito. As toxinas alcançam a corrente circulatória e unem-se ao receptor GB3 (globotriaosilceramida), presente em vários epitélios (especialmente no endotélio glomerular renal). Há um bloqueamento da síntese de proteínas que leva ao dano e, eventualmente, morte celular. As células endoteliais glomerulares esfacelam-se, ativando e agregando as plaquetas. Daqui deriva a lesão de microangiopatia trombótica.
Infográfico - Infecção pela E.coli (Fonte: Estadão.com)
 As complicações extra renais, apesar de menos frequentes, podem ocorrer. São do tipo neurológico (convulsões, acidentes vasculares cerebrais e coma) em 25% dos casos, e sequelas renais crônicas, geralmente leves, em aproximadamente 50% dos sobreviventes.
A doença pode ser transmitida ao ser humano principalmente através  do consumo de alimentos contaminados, tais como carne picada crua ou pouco cozida, leite sem ferver, água contaminada, contato direto com animais ou contato com pessoas infectadas.

Diagnóstico laboratorial e Tratamento
O diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais de sangue para verificar a presença de anemia microangiopática e também para avaliar a taxa de função renal. Além disso, pode ser realizada a identificação da bactéria Escherichia Coli por meio da coprocultura. A urina 1 não apresenta alterações.
 O tratamento da insuficiência renal aguda inclui a manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, terapia anti-hipertensiva e dieta pobre em sal (se houver hipertensão), além do início de terapia dialítica, quando apropriado. O tempo médio de diálise é de 10 a 32 dias, e tanto a diálise peritoneal como a hemodiálise têm sido usadas quando há falência renal importante na fase aguda.
A plasmaferese tem sido comprovadamente eficaz em adultos com SHU, porém a sua eficácia em crianças ainda não foi provada. Também quando existe comprometimento neurológico na fase aguda da doença, a plasmaferese está indicada. Este tratamento e a transfusão de plasma fresco correspondem à primeira linha de tratamento se houver diagnóstico de SHUa, apesar de ainda existirem debates quanto à eficácia, uma vez que não existem estudos controlados e randomizados sobre o assunto. Há indícios de que a plasmaferese é mais eficaz do que a infusão de plasma fresco, já que ocorre a remoção de toxinas envolvidas na patologia da doença, além de que há transfusão de maior volume de plasma.
Na SHUa, a desregulação da via alternativa do complemento conduz a uma ativação incontrolada deste, que provoca danos, como já foi supramencionado. Neste sentido, o bloqueio do complemento terminal com eculizumab (é um anticorpo monoclonal que se dirige contra a fração C5 do sistema complemento), reduz rapidamente o processo, havendo múltiplos casos publicados em que se observou uma boa resposta clínica ao fármaco.
Há medidas preventivas que podem ser adoptadas: nos países desenvolvidos, a infecção por toxinas provenientes da Escherichia coli deve ser notificada às autoridades de saúde, no sentido de identificar prováveis focos de contaminação e evitar surtos da doença e as suas complicações.

Informações: Portal da diálise / OPAS

Matéria sobre a crise alemã no Biomedicina em Ação (2011): Escherichia coli - A crise alemã   
0 comentaram

0 comentários :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...