domingo, 27 de setembro de 2015


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Da vida real para a ficção

Etimologicamente, a palavra neurociência quer dizer: qualquer ciência, ramo de ciência ou conjunto de conhecimentos que se refere ao sistema nervoso. É uma área apaixonante, que nos apresenta várias vertentes e possibilidades de estudos. No Brasil, temos uma grande neurocientista, Suzana Herculano-Houzel, que além de produzir ciência, luta pelo reconhecimento do cientista como profissional.
Mas hoje, viemos apresentar a vocês, uma neurocientista que muitos conhecem na ficção, mas poucos sabem que ela é Ph.D em neurociência na vida real. Já ouviu falar da atriz Mayim Bialik? Melhor... a Amy Farah Foweler, uma nerd neurocientista, namorada do Sheldon (Jim Parsons), da série americana The Big Bang Theory. Conseguiu identificar?


Pois é, ela não só interpreta uma cientista como vive isso na realidade. Mayim Bialik é doutora em neurociência. Foi aceita em Harvard e Yale, mas recebeu seu Ph.D pela UCLA (University of California, Los Angeles) em 2008. Além de neurocientista, é autora de dois livros.

Mayim Bialik com um dos seus livros
Como atriz, foi indicada três vezes ao Emmy de melhor atriz coadjuvante pela sua interpretação em The Big Bang Theory, onde interpreta uma nerd cientista com um toque de excentricidade. Bialik é a única atriz da série de nerds a ostentar o título na vida real.

Cenas de The Big Bang Theory
Em um vídeo publicado em 2013 pelo canal do youtube “NOVA's Secret Life of Scientists and Engineers”, Mayim conta sobre a sua paixão pela ciência que vem desde criança, mas que nunca se imaginou seguindo esta carreira. “Eu achava que ser cientista era difícil demais e que eu não havia sido feita para isso”, diz. Mas na época de Blossom (uma série dos anos 90), seu desejo por se tornar cientista foi ainda maior pelo incentivo de uma professora. Seguiu então para a UCLA assim que o seriado acabou. Se dedicou ao doutorado e ao ensino em universidades.



Voltou à TV para interpretar uma personagem que tem muito dela mesma. “Amy tem um pouco de mim, ou melhor, várias coisas. Não é difícil interpretá-la porque empresto algumas características minhas a ela e a combinação disso é o que a torna divertida e séria ao mesmo tempo”. E Mayim ainda afirma o seu amor pela ciência e pela arte, e diz que é sim possível se apaixonar pelos dois ao mesmo tempo. Afirma ainda diz que seus professores a questionavam sobre o mundo da fama como atriz, e ela respondia: “mas ser uma cientista pode ser tão excitante, criativo e interessante quanto ser atriz”.
Um ponto que levantamos aqui é o que o site Guia do Estudante chamou a atenção: não é preciso se focar em uma só área e não se permitir conhecer ambientes totalmente distintos. Além disso, Mayim e a brasileira Suzana Herculano estão mostrando ao mundo que as mulheres estão cada vez mais inseridas na ciência, produzindo e se aperfeiçoando. Não deixa de ser um orgulho a todos nós!

Fontes:
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domingo, 13 de setembro de 2015


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Curso de C.E.C - Domus Cursos


A Domus Cursos é uma empresa criada por biomédicos para levar conhecimento às diversas áreas da saúde. A missão é transmitir e renovar conhecimentos de forma qualitativa, madura, responsável, harmônica e dinâmica. É exatamente isso que os alunos da Domus encontram! 100% de aprovação no Minicurso de Circulação Extracorpórea com Ms. Élio Barreto de Carvalho Filho (Biomédico, Perfusionista, Microbiologista, Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea, colunista do Biomedicina em Ação e Diretor Geral da Domus Cursos) e com o Perf. Júlio Cesar (Biólogo, Perfusionista Titular da equipe de cirurgia da PUC-Campinas).

 

O Minicurso de CEC aconteceu no dia 26 de agosto de 2015, e contou com a participação de estudantes e profissionais da biomedicina e outras áreas da saúde. Uma delas foi a Vanessa, sorteada pela parceria Domus Cursos e Biomedicina em Ação.


“Vim hoje prestigiar o curso de perfusão. É uma área, desde o primeiro semestre, foi a minha primeira opção quando pesquisei as áreas de atuação do biomédico. Então foi ótimo esse curso! Tive a oportunidade de vir porque fui sorteada! Este sorteio para mim foi tudo de bom! Quero agradecer à Domus e ao Biomedicina em Ação por ter sido contemplada. Fiquei muito feliz por isso, e mais feliz ainda pelo aprendizado. Só tenho a agradecer, e que venham os próximos cursos!” (Vanessa, estudante de Biomedicina – Universidade Paulista, Campinas.)


“Eu fiz o curso por curiosidade mesmo... Não tinha muita informação sobre a área, por isso vim conhecer. Gostei muito, porque eles passaram noções básicas de fisiologia e anatomia antes de chegar ao equipamento, então foi muito mais fácil entender do que se fosse algo solto. Os profissionais que ministraram o curso são muito bem preparados e a organização foi excelente.” (Rafaela Prado, estudante de Biomedicina – Universidade Paulista, Campinas.)

E tivemos alunos um tanto especiais. Como a Giovana, que veio de Alfenas, e o Bidossessi, diretamente do Benin, ocidente da África! 


“O curso trouxe muito mais do que eu esperava. Os professores são muito bem preparados, têm muito conhecimento, e são também extremamente atenciosos. Eles nos estimulam, e trazem uma visão da perfusão... não só do trabalho, mas também uma visão humanizada, de como se portar, como tratar o paciente. Então foi muito esclarecedor! A estruturada foi ótima, e são dois contados (Prof. Julio e Prof.Élio) que com certeza quero levar para a minha vida. Pretendo fazer a pós-graduação em perfusão, assim que eu me formar.” (Giovana, estudante de Biomedicina – Universidade Federal de Alfenas.)


“Meu nome é Bidossessi Wilfreied Hounkpe. Lá (em Benim , na África) eu fiz o mestrado em bioquímica e biologia molecular. Aqui (no Brasil), eu estou fazendo o mestrado em ciências biomédicas sobre a anemia falciforme. Sobre o curso, gostei muito. Foi legal, porque apesar da minha experiência, não conhecia esta área e a descobri. Uma boa oportunidade trabalhar nessa área.” (Bidossessi Wilfreied Hounkpe – aluno de mestrado na Universidade Estadual de Campinas.)

Bidossessi, conhecido por Will no laboratório onde realiza a sua pesquisa, nos contou também que está há 1 ano no Brasil, estudando o mecanismo de inflamação na anemia falciforme, com a pesquisa voltada à imunidade inata. Fica no Brasil, oficialmente, até o próximo ano, e pensa em continuar fazendo o doutorado aqui no país, com a mesma pesquisa que ainda tem muitas perguntas a serem respondidas.

Equipe Domus Cursos

E já foi realizado o Curso de Atualização em Gasometria, com o Prof. Dr. Nilson Antunes e a Me. Caroline Shibata, da empresa Werfen. Logo aqui no blog mais sobre este e os próximos cursos da Domus! Fiquem ligados!  
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terça-feira, 8 de setembro de 2015


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Não seja mais um. Seja diferente!

A endometriose é uma doença que acomete muitas mulheres, mas que ainda hoje é negligenciada e pouco estudada pela comunidade científica. Isso faz com que as formas de diagnóstico sejam escassas, e o tratamento lento e traumatizante.
Créditos na imagem.
Ela é caracterizada pela presença de endométrio (tecido que reveste o interior do útero), fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestinos e bexiga.
Se não tratada, as consequências da endometriose podem variar, entretanto, as principais são a formação de aderência nos órgãos abdominais, infertilidade e comprometimento de órgãos como ovário, útero, bexiga e intestinos.
O comprometimento do útero foi o que aconteceu com a tia de Georgia Gabriela, de 19 anos. Muito possivelmente você já ouviu falar deste nome. Georgia é uma estudante brasileira, que saiu de Feira de Santana, a 100 quilômetros de Salvador, BA, e alcançou primeiro a oportunidade de estar em Harvard, foi aprovada em 9 universidades americanas, e decidiu por Stanford. 
A estudante se interessou pelo assunto quando viu a doença de perto, e então percebeu o quão pouco se fala na doença, e que no Brasil, as pesquisas acerca do tema não são muito precisas e não evoluem. Ela foi selecionada para um programa em Harvard, onde teve a oportunidade de mostrar seu projeto a grandes pesquisadores da área. Também através do seu projeto, foi selecionada em Stanford, e foi convidada a ministrar uma palestra na conferência TED, que reúne grandes pensadores e idealizadores de projetos, para contar de suas vidas em 18 minutos ou menos. O trabalho da estudante consiste em encontrar uma forma de diagnóstico da endometriose mais eficaz, acessível e invasiva.
Georgia Gabriela, em palestra na conferência TED. 
Esta notícia da aprovação de uma brasileira, vinda de uma cidade da Bahia, em 9 (!!!!) universidades americanas não é nova. Mas a partir da história de Georgia, queremos chamar atenção para alguns pontos.
O primeiro deles é a falta de incentivo à pesquisa no Brasil. Quem acompanha o cenário científico brasileiro sabe o quão precário e difícil é ser cientista por aqui. A começar pelo fato de que cientista não é profissão, é um eterno “estudante”. Haja vista o grande barulho causado pela neurocientista Suzana Herculano-Houzel (assunto para outra postagem), que defende a profissionalização do cientista. Vemos trabalhos não concluídos por corte de verbas, e grandes mentes saindo do país para fazer ciência fora, onde o incentivo é maior (como a própria Georgia está fazendo). E nós só perdemos com isso.
Outro ponto em questão é a força de vontade. Aqui, destacamos o fato de sair da sua zona de conforto, e alcançar lugares nunca imaginados, e com a humildade de olhar a realidade a sua volta. Georgia está em Stanford pelo impulso que teve ao ver a sua própria comunidade, e querer mudar.  
É fácil ir todos os dias a uma faculdade, sentar e ouvir o professor falar. Mas é importante pensar: “o que eu posso fazer com todo esse conhecimento?”. Chega a ser egoísmo guardá-lo todo para si. É claro que a história de Georgia é um tanto incomum de se ver, mas... porquê não? De fato, é importante “pensar fora da caixa” para alçar voos maiores. Não seja só mais um. Seja diferente!



Vale a pena conferir a palestra da estudante Georgia Gabriela, na TED:



E querem um bônus? O Luiz Guilherme, da página Vida de Biomédico, está nos EUA pelo CsF, e também teve a oportunidade de estagiar em Harvard. Vale a pena conferir os vídeos no canal do youtube: Luiz Hendrix.

Fontes:
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015


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Os Meninos do Brasil - FILME


Os Meninos do Brasil é um filme de 1978 (vocês encontram também o livro), que faz menção às barbaridades do nazismo e aborda sob uma temática de ficção científica, a clonagem humana. A história tem como protagonista o médico Joseph Mengele (Gregory Peck), que fez milhares de experiências genéticas com judeus (inclusive crianças), viveu no Paraguai e planejou o nascimento do 4º Reich. Para obter tal objetivo, utiliza várias mães de aluguel em uma clínica brasileira para fazer 94 clones de Hitler quando ele era um garoto, e enviá-los para serem adotados em diversos países.
Além disso, Mengele escolhe famílias que se pareçam com a de Hitler e cria situações para traçar o psicológico dos garotos clonados. Entretanto Ezra Lieberman (Laurence Olivier), um judeu que é um caçador de nazistas, descobre a trama e tenta impedir que tal plano se concretize.


Apesar de ficção científica, o filme trata da realidade. Mengele foi um médico alemão, conhecido como “Anjo da Morte” que se filiou ao partido nazista na Segunda Guerra Mundial. Ao final da guerra, ele fugiu para a América do Sul, passando pelo Brasil, onde montou um laboratório para realizar suas experiências genéticas. 


Há questionamentos sobre a veracidade das experiências com clones apresentada no filme. Isto porque em Cândido Godói, uma pequena comunidade no sul do Brasil, há mais de 50 pares de gêmeos, sendo a maioria deles loiros e de olhos azuis. Os rumores indicam que possivelmente um médico alemão passou por lá, e relatos de que foram feitas muitas experiências com gêmeos e mulheres, com aplicação de medicamentos desconhecidos e inseminação artificial.

Gêmeos de Cândido Godói
Alguns pesquisadores descartaram o envolvimento de Mengele com esse fenômeno, mas obviamente, os rumores continuaram. Esse foi o tema de um documentário da National Geographic: “Os gêmeos de Mengele”.

Gostou e quer assistir ao filme? 

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Este é um filme que retrata bem a bioética, uma das questões a serem trabalhadas pelo biomédico, mesmo antes de entrar na profissão. Sobre este filme, bioética e outras indicações de livros e séries, ouça o novo episódio do Biomedcast!

http://biomedcast.com/
Fui convidada a dar um toque feminino ao cast, representando o XX que estava faltando ali em meio aos XY! Rsrs O cast está bastante divertido e informativo. Esperamos que gostem!

Fontes:
Adoro Cinema
NatGeoTv
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domingo, 16 de agosto de 2015


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Identificação presuntiva de enterobactérias - Microbiologia #dia7

A identificação presuntiva de bacilos gram negativos como Escherichia, Shigella, Samonella, Citrobacter, Enterobacter, Serratia, Proteus, Klebsiella, Hafnia, Pantoea, Morganella, Providencia, Yersinia, pode ser facilitada manualmente por uma série bioquímica simples. Esta série pode ser uma associação de três meios: EPM, MILI e CITRATO.


·      Meio Citrato: o princípio do teste é determinar a capacidade do microrganismo de utilizar o citrato de sódio como única fonte de carbono para seu metabolismo e crescimento. A produção da cor azul após 24 horas de incubação à 35ºC +/- 2ºC indica a presença de produtos alcalinos e positivo para utilização do citrato.

·      Meio EPM: o aparecimento de bolhas ou o deslocamento do meio de cultura do fundo do tubo indica a produção de gás, e determina a capacidade de produção de CO2 a partir da fermentação da glicose. O enegrecimento do meio em qualquer intensidade indica a produção de H2S, e determina a produção de íons S-2 a partir do metabolismo bacteriano. O aparecimento da cor azul ou verde azulada (reação fraca) que se estende para a base do meio, envolvendo-a totalmente ou não, determinando a capacidade do microrganismo de utilizar a ureia, formando duas moléculas de amônia pela ação da enzima uréase. O aparecimento da cor verde na superfície indica a desaminação do triptofano, e a fermentação da glicose é indicada também pela cor amarela na base do tubo.

·      Meio MILI: determina a motilidade, a descarboxilação da lisina e a produção de indol. A bactéria móvel cresce além da linha de picada. A imóvel somente nesta linha. O teste visa verificar se a bactéria é móvel ou imóvel, o que ajuda a diferenciar alguns gêneros. Determina-se a capacidade de descarboxilação da lisina pela cor do meio. Quando o meio adquire uma cor amarelada, indica que o aminoácido não é utilizado e não á ação da enzima lisina descaboxilase. Quando o meio atinge uma cor púrpura acentuada ou discreta, a lisina é descaboxilada. Para a determinação da produção de indol, adiciona-se 3 gotas de reativo de Kovacs à superfície do meio e agita-se levemente. Quando a bactéria produz indol, o reativo adquire cor rosa ou vermelha. Quando não produz, o reativo mantém sua cor inalterada. É um dos produtos de degradação do metabolismo do triptofano, este quando quebrado, indol, ácido pirúvico e amônia são produzidos.

É importante lembrar que a utilização de outros meios também é válida, como TSI e Meio IAL.

Indicação de bibliografia para análise e identificação:

Livro: Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
Apostila: Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Microbiologia Clinica para o Controle de Infecção Relacionada a Assistência a Saúde. Modulo 6 : Detecção e identificação de bactérias de importância medica /Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2013.
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Antibióticos - Microbiologia #dia6

Os antibióticos pertencem a uma classe de medicamentos muito importante. E a realização e a interpretação do teste de sensibilidade a estes antimicrobianos (TSA) é um dos testes mais desafiadores nos laboratórios de microbiologia. O vídeo que trazemos hoje trata desde a microbiologia básica à escolha clínica dos antibióticos, passando pelas classes dos mesmos. Embora os biomédicos não estejam envolvidos diretamente na escolha dos antibióticos para o tratamento das infecções, é importante que se conheça mais sobre eles. 

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VRE - Enterococos resistentes à vancomicina #dia5


Os enterococos são cocos gram positivos normalmente presentes no trato gastrointestinal e trato genital feminino, e comumente, não são muito virulentos. São instrinsecamente resistentes a clindamicina, penicilinas, cefalosporinas e outros betalactâmicos, e possuem pouca eficácia in vivo a cotrimoxazol, quinolonas, tetraciclina e cloranfenicol. As combinações eficazes são com penicilina, ampicilina ou vancomicina + gentamicina ou estreptomicina. Entretanto, a resistência a aminoglicosídeos está cada vez mais frequente, assim como a ampicilina.
A resistência à vancomicina foi descrita primeiramente nos Estados Unidos, na década de 80 e desde então foi observado um aumento das infecções e colonizações por VRE. A sigla de VRE significa “Vancomycin-resistence enterococcus”, e pode ser traduzida para o português como sendo “enterococo resistente a vancomicina” (ERV). No Brasil, o primeiro VRE foi identificado em um hospital de Curitiba, em 1996 em um hospital de Curitiba, e a partir de então relatos dessa resistência são descritos em diversos hospitais brasileiros.
O Gênero Enterococcus é representado por nove espécies. Não obstante, o Enterococcus faecalis e o Enterococcus faecium são as principais espécies causadoras de infecções no ser humano. A infecção geralmente ocorre a partir da microbiota endógena após manipulação gastrointestinal, por transmissão cruzada pelas mãos de profissionais da saúde em ambientes hospitalares, e equipamentos médicos, como estetoscópios.
Nessas espécies, há a presença de genes vanA e vanB, que codificam altos níveis de resistência à vancomicina, e são os de maior interesse devido a ampla capacidade que esses microrganismos apresentam para disseminação mundial.
Enterococcus gallinarum e Enterococcus casseliflavus são espécies intrinsicamente resistentes a baixos níveis de vancomicina e têm sido descritos como colonizadores do trato intestinal humano.
Os pacientes com maior risco para aquisição de infecção ou colonização por VRE são:
• Pacientes com doença de base severa (neoplasias, hepatopatas, nefropatas) ou imunossupressão (pacientes submetidos a transplantes ou em quimioterapia).
• Pacientes submetidos à cirurgia abdominal ou cárdio-torácica.
• Pacientes submetidos à sondagem vesical ou cateterismo venoso central.
• Pacientes com internação prolongada ou que receberam múltiplos antibióticos, incluindo vancomicina.

NOTA: o paciente colonizado é aquele que é portador da bactéria, mas que não desenvolve a doença infecciosa e pode representar agente de disseminação da bactéria. O infectado é aquele que tem o processo infeccioso pelo VRE.

Cultura e identificação
As culturas de vigilância em ambiente hospitalar são realizadas a partir de swab retal. Utiliza-se meios de cultura líquido e sólido, que permitem a inibição do crescimento de bactérias sensíveis a Vancomicina, proporcionando a seletividade de bactérias resistentes a este. O procedimento se dá da seguinte forma:
·      As amostras semeadas em meio líquido BHI-vanco são analisadas após incubação por 24 horas em estufa bacteriológica.
·      Após este período, se houver turvação no tubo, semeia-se em meio Bea-vanco.
·      Após mais 24 horas, se houver mudança de colocação do meio para preto, indicando consumo da bile esculina presente no meio, semeia-se em Ágar Sangue. Se não houver crescimento, deve-se aguarda até 48 horas para liberar o exame.
·      Se houver crescimento de colônias acinzentadas, realiza-se o teste PYR. Se este for negativo, o exame é liberado como negativo para VRE. Se positivo, faz-se a identificação automatizada ou série bioquímica com telurito, arabinose, bile esculina e NaCl 0,5%.
·      Se o resultado for E. faecalis ou E. faecium, deve-se verificar o MIC (concentração mínima inibitória) de Vancomicina, com fita de E-test. Se o MIC for maior que 256 mcg/mL, solta-se o resultado positivo para VRE, com a identificação e MIC do microrganismo. Para isso, deve-se fazer um inóculo na escala 0,5 de McFarland e deve-se depositar 10µl na superfície do meio Mueller-Hinton.

BÔNUS: Vídeos sobre vancomicina e sobre a resitência


Fontes:
Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
CDC
Levin, Anna Sara. Enterococcus resistente a resistente a vancomicina. Universidade de São Paulo Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias.
Nota Técnica – Enterococo resistente à vancomicina (VER ou VRE). Secretaria de Estado de Saúde Coordenadoria de Controle de Doenças – CCD Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, Divisão de Infecção Hospitalar.



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quinta-feira, 13 de agosto de 2015


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Microbiologia também é arte! #dia4

Os microbiologistas sempre defendem a beleza da microbiologia e o quão incrível é acompanhar o crescimento de culturas e observar as características de cada uma. A microbiologia por si só já é encantadora, com todas as suas cores e formas. Claro que só quem é apaixonado pela área concordará com isso, e é claro também que quando falamos de microrganismos patogênicos, a beleza acaba ficando em segundo plano.



O fotógrafo e microbiologista Seung-Hwan Oh, também conhecido por Tonio Oh, consegue chamar a atenção mesmo daqueles que não gostam de microbiologia. Isso porque ele mistura arte e ciência como ninguém. Oh mistura o orgânico ao artificial, “tratando” as suas fotos com um composto cheio de bactérias. O fotógrafo diz que a sua intenção é “explorar a impermanência da matéria, bem como as limitações materiais da fotografia”. As bactérias literalmente consomem as fotos e causam efeitos incrivelmente belos.

Mais fotos de Tonio Oh (clique para ampliar):

  







Fontes:
Beautiful Decay
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015


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Vida de Microbiologista - Microbiologia #dia3

“Microbiologia é o ramo das ciências que estuda bactérias, fungos e vírus (microrganismos). Os microrganismos constituem mais de 90% da biomassa e a maior biodiversidade da Terra. São usados na produção de vinagres, bebidas alcoólicas, queijos, yogurtes, pães e antibióticos. Apenas uma minoria destes agentes é patogênica ou danosa, causando doenças em humanos, animais e plantas, assim como a deterioração de alimentos e a degradação de estruturas.”  (Instituto de Ciências Biomédicas – USP)


A microbiologia é uma área de atuação fascinante à quem tem instinto de investigação. Analisar uma colônia e ir juntando características, tanto da infecção quanto do microrganismo, e chegar a um resultado final que auxiliará o médico na melhor conduta ao paciente... esta é a função do microbiologista! Claro, que a mesma sensação de investigação se dá na microbiologia de alimentos e ambiental, áreas que o biomédico também está apto a atuar.

Para exemplificar o dia a dia do microbiologista, encontrei este vídeo bem bacana e divertido sobre o assunto: 

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terça-feira, 11 de agosto de 2015


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Urocultura - Microbiologia #dia2


As infecções do trato urinário (ITU) podem ocorrer em pessoas de todas as idades e sexo, entretanto, ocorre com maior frequência em mulheres, devido as características do sistema urinário feminino. Os principais agentes que causam estas infeções são as enterobactérias, entre elas Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Proteus spp e Enterobacter spp. Agentes gram-positivos também podem causar ITU, sendo os principais os estafilococos, com destaque para Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus ssp.
Estas infecções são classificadas em:
·   Bacteriúria assintomática: há presença de bactérias, mas sem sintomatologia. Achado importante em grávidas e crianças com refluxo vesicoureteral.
·   Cistite: infecção da bexiga com disúria como principal sintoma.
·   Pielonefrite: infecção que acomete rins e pélvis, com presença de febre e geralmente associada e infecção sistêmica.
·   ITU complicada: infecção que acomete indivíduo com anormalidade do sistema urinário.
Há ainda as ITUs não complicadas, que geralmente, são diagnosticadas na sedimentoscopia, sem necessidade de cultura.
Pelo fato de que as ITUs são bastante frequentes, a urocultura é o exame mais solicitado em laboratórios de microbiologia. A urocultura, portanto, é cultura de urina para identificação de microrganismos causadores de infecções no trato urinário.

AMOSTRA
A urina de jato médio é a amostra mais comum para a realização de cultura. Entretanto, pode-se fazer a coleta também de urina de qualquer jato, urina de paciente com cateterismo vesical, coleta por sonda de alívio, por punção suprapúbica e amostra de primeiro jato. Para a utilização destes tipos de amostra, as indicações de coleta devem ser seguidas criteriosamente, para maior confiabilidade do exame.

CULTURA
A semeadura da urina pode ser feita de duas formas:

·      Quantitativa: com alça calibrada de platina ou de plástico (de 10µl ou 1µl). Pode ser realizada em MacConkey, CLED ou meio cromogênico. A interpretação é feita de acordo com o crescimento das colônias. É importante ressaltar que, se observado cocos gram-positivos no gram, é recomendado que a semeadura seja feita também em ágar-sangue.

·      Semiquantitativa: com sistema de laminocultivo. O laminocultivo consiste em uma embalagem plástica cilíndrica, com um suporte conectado na tampa com duas faces. Em uma das faces, há o meio CLED (meio que inibe o véu do Proteus spp. e onde é realizada a contagem no laminocultivo), onde cresce todas as bactérias e na outra face, há o meio de citrato e MacConkey, um meio seletivo para bacilos gram-negativos. Nesta face, é possível realizar o teste de indol com reativo de Kovacs, o que auxilia muito no processo de identificação.
 
Laminocultivo e Reativo de Kovacs
 Ressaltamos que a coloração de gram (já descrita no blog) acompanha todo o processo de identificação das bactérias causadoras da infecção. Além disso, é importante que o microbiologista consulte a urina I do paciente, já que o número elevado de leucócitos e presença de bactérias na sedimentoscopia indicam infecção. É preciso também levar em conta a sintomatologia, idade, sexo e histórico do paciente. E com tudo isso, comparar com a contagem de colônias, descartando ou não possíveis contaminações e infecções verdadeiras.
Para a identificação de possíveis contaminações, é importante observar a quantidade de leucócitos e caso haja mais de um microrganismo predominante na placa (com leucócitos normais), é recomendado que seja pedida uma nova amostra.

INTERPRETAÇÃO E CONDUTA

Para a interpretação das culturas de urina, podemos entender o seguinte:
·  Sem crescimento, sem presença de leucócitos e com presença ou ausência de sintomatologia: NEGATIVO, e não há infecção.
·      Sem crescimento, com presença de leucócitos, com ou sem sintomatologia: NEGATIVO, mas pode haver sim infecção, como por exemplo por gonococo, ureaplasma, clamídia, ou o paciente está fazendo uso de antibióticos.
·      < 105 UFC/mL, com ausência de leucócitos, e dois ou mais microrganismos (MOs): faz-se a identificação e leva-se em conta também a sintomatologia para interpretações mais específicas.
·  < 105 UFC/mL, sem leucócitos, e dois ou mais MOs: faz-se a identificação. Caso haja sintomatologia, recomenda-se também o antibiograma.
·    ≥ 105 UFC/mL, sem leucócitos, com um ou mais MOs: faz-se a identificação, e leva-se em conta a sintomatologia para interpretações mais específicas.
·    ≥ 105 UFC/mL, com leucócitos, com ou sem sintomatologia: além da identificação, faz-se também antibiograma.

Observações relevantes:

Ø No gram, a presença de muitas células epiteliais e de mais de um tipo de MO sugere contaminação de coleta.
Ø Na maioria dos casos, culturas com baixa contagem são negativas. Entretanto, alguns MOs, mesmo que com baixa contagem, são muito importantes, e deve-se fazer identificação e antibiograma.
Ø A cultura de ponta de Foley não deve ser realizada, uma vez que o crescimento de MOs representa a microbiota da uretra distal.
Ø Se houver solicitação de pesquisa de fungos, semear em meios específicos, como o Saboraud.
Ø A coleta e o transporte são passos muito importantes para o exame, e devem seguir critérios específicos para um resultado confiável.

Respondendo a pergunta colocada no facebook:

O que fazer quando isolamos um Streptococcus agalactiae em cultura de urina de jato médio com contagem < 105 UFC/mL, sem presença de leucocitúria no sedimento urinário?

Teste CAMP para identificação de S. agalactiae
Como dissemos anteriormente, alguns microrganismos são importantes mesmo com baixa contagem. Neste caso, o resultado deve ser sempre reportado, mesmo na ausência de leucocitúria, pois o Streptococcus do grupo B ou S. agalactiae é um agente importante, principalmente em grávidas, exigindo intervenção por parte do médico para prevenir infecções graves no recém-nascido. Neste caso, deve ser feito o diagnóstico do agente e teste de sensibilidade aos antimicrobianos, para que o tratamento seja instituído de maneira adequada. Os antimicrobianos a serem testados são: clindamicina, eritromicina, e penicilina ou ampicilina; os dois primeiros são drogas de escolha para pacientes alérgicas às penicilinas.

FONTES:
Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
Oplustil, Carmem Paz, et al. Microbiologia Clínica. Vol 2. São Paulo : SAVIER, 2012.
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