quinta-feira, 13 de agosto de 2015


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Microbiologia também é arte! #dia4

Os microbiologistas sempre defendem a beleza da microbiologia e o quão incrível é acompanhar o crescimento de culturas e observar as características de cada uma. A microbiologia por si só já é encantadora, com todas as suas cores e formas. Claro que só quem é apaixonado pela área concordará com isso, e é claro também que quando falamos de microrganismos patogênicos, a beleza acaba ficando em segundo plano.



O fotógrafo e microbiologista Seung-Hwan Oh, também conhecido por Tonio Oh, consegue chamar a atenção mesmo daqueles que não gostam de microbiologia. Isso porque ele mistura arte e ciência como ninguém. Oh mistura o orgânico ao artificial, “tratando” as suas fotos com um composto cheio de bactérias. O fotógrafo diz que a sua intenção é “explorar a impermanência da matéria, bem como as limitações materiais da fotografia”. As bactérias literalmente consomem as fotos e causam efeitos incrivelmente belos.

Mais fotos de Tonio Oh (clique para ampliar):

  







Fontes:
Beautiful Decay
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015


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Vida de Microbiologista - Microbiologia #dia3

“Microbiologia é o ramo das ciências que estuda bactérias, fungos e vírus (microrganismos). Os microrganismos constituem mais de 90% da biomassa e a maior biodiversidade da Terra. São usados na produção de vinagres, bebidas alcoólicas, queijos, yogurtes, pães e antibióticos. Apenas uma minoria destes agentes é patogênica ou danosa, causando doenças em humanos, animais e plantas, assim como a deterioração de alimentos e a degradação de estruturas.”  (Instituto de Ciências Biomédicas – USP)


A microbiologia é uma área de atuação fascinante à quem tem instinto de investigação. Analisar uma colônia e ir juntando características, tanto da infecção quanto do microrganismo, e chegar a um resultado final que auxiliará o médico na melhor conduta ao paciente... esta é a função do microbiologista! Claro, que a mesma sensação de investigação se dá na microbiologia de alimentos e ambiental, áreas que o biomédico também está apto a atuar.

Para exemplificar o dia a dia do microbiologista, encontrei este vídeo bem bacana e divertido sobre o assunto: 

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terça-feira, 11 de agosto de 2015


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Urocultura - Microbiologia #dia2


As infecções do trato urinário (ITU) podem ocorrer em pessoas de todas as idades e sexo, entretanto, ocorre com maior frequência em mulheres, devido as características do sistema urinário feminino. Os principais agentes que causam estas infeções são as enterobactérias, entre elas Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Proteus spp e Enterobacter spp. Agentes gram-positivos também podem causar ITU, sendo os principais os estafilococos, com destaque para Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus ssp.
Estas infecções são classificadas em:
·   Bacteriúria assintomática: há presença de bactérias, mas sem sintomatologia. Achado importante em grávidas e crianças com refluxo vesicoureteral.
·   Cistite: infecção da bexiga com disúria como principal sintoma.
·   Pielonefrite: infecção que acomete rins e pélvis, com presença de febre e geralmente associada e infecção sistêmica.
·   ITU complicada: infecção que acomete indivíduo com anormalidade do sistema urinário.
Há ainda as ITUs não complicadas, que geralmente, são diagnosticadas na sedimentoscopia, sem necessidade de cultura.
Pelo fato de que as ITUs são bastante frequentes, a urocultura é o exame mais solicitado em laboratórios de microbiologia. A urocultura, portanto, é cultura de urina para identificação de microrganismos causadores de infecções no trato urinário.

AMOSTRA
A urina de jato médio é a amostra mais comum para a realização de cultura. Entretanto, pode-se fazer a coleta também de urina de qualquer jato, urina de paciente com cateterismo vesical, coleta por sonda de alívio, por punção suprapúbica e amostra de primeiro jato. Para a utilização destes tipos de amostra, as indicações de coleta devem ser seguidas criteriosamente, para maior confiabilidade do exame.

CULTURA
A semeadura da urina pode ser feita de duas formas:

·      Quantitativa: com alça calibrada de platina ou de plástico (de 10µl ou 1µl). Pode ser realizada em MacConkey, CLED ou meio cromogênico. A interpretação é feita de acordo com o crescimento das colônias. É importante ressaltar que, se observado cocos gram-positivos no gram, é recomendado que a semeadura seja feita também em ágar-sangue.

·      Semiquantitativa: com sistema de laminocultivo. O laminocultivo consiste em uma embalagem plástica cilíndrica, com um suporte conectado na tampa com duas faces. Em uma das faces, há o meio CLED (meio que inibe o véu do Proteus spp. e onde é realizada a contagem no laminocultivo), onde cresce todas as bactérias e na outra face, há o meio de citrato e MacConkey, um meio seletivo para bacilos gram-negativos. Nesta face, é possível realizar o teste de indol com reativo de Kovacs, o que auxilia muito no processo de identificação.
 
Laminocultivo e Reativo de Kovacs
 Ressaltamos que a coloração de gram (já descrita no blog) acompanha todo o processo de identificação das bactérias causadoras da infecção. Além disso, é importante que o microbiologista consulte a urina I do paciente, já que o número elevado de leucócitos e presença de bactérias na sedimentoscopia indicam infecção. É preciso também levar em conta a sintomatologia, idade, sexo e histórico do paciente. E com tudo isso, comparar com a contagem de colônias, descartando ou não possíveis contaminações e infecções verdadeiras.
Para a identificação de possíveis contaminações, é importante observar a quantidade de leucócitos e caso haja mais de um microrganismo predominante na placa (com leucócitos normais), é recomendado que seja pedida uma nova amostra.

INTERPRETAÇÃO E CONDUTA

Para a interpretação das culturas de urina, podemos entender o seguinte:
·  Sem crescimento, sem presença de leucócitos e com presença ou ausência de sintomatologia: NEGATIVO, e não há infecção.
·      Sem crescimento, com presença de leucócitos, com ou sem sintomatologia: NEGATIVO, mas pode haver sim infecção, como por exemplo por gonococo, ureaplasma, clamídia, ou o paciente está fazendo uso de antibióticos.
·      < 105 UFC/mL, com ausência de leucócitos, e dois ou mais microrganismos (MOs): faz-se a identificação e leva-se em conta também a sintomatologia para interpretações mais específicas.
·  < 105 UFC/mL, sem leucócitos, e dois ou mais MOs: faz-se a identificação. Caso haja sintomatologia, recomenda-se também o antibiograma.
·    ≥ 105 UFC/mL, sem leucócitos, com um ou mais MOs: faz-se a identificação, e leva-se em conta a sintomatologia para interpretações mais específicas.
·    ≥ 105 UFC/mL, com leucócitos, com ou sem sintomatologia: além da identificação, faz-se também antibiograma.

Observações relevantes:

Ø No gram, a presença de muitas células epiteliais e de mais de um tipo de MO sugere contaminação de coleta.
Ø Na maioria dos casos, culturas com baixa contagem são negativas. Entretanto, alguns MOs, mesmo que com baixa contagem, são muito importantes, e deve-se fazer identificação e antibiograma.
Ø A cultura de ponta de Foley não deve ser realizada, uma vez que o crescimento de MOs representa a microbiota da uretra distal.
Ø Se houver solicitação de pesquisa de fungos, semear em meios específicos, como o Saboraud.
Ø A coleta e o transporte são passos muito importantes para o exame, e devem seguir critérios específicos para um resultado confiável.

Respondendo a pergunta colocada no facebook:

O que fazer quando isolamos um Streptococcus agalactiae em cultura de urina de jato médio com contagem < 105 UFC/mL, sem presença de leucocitúria no sedimento urinário?

Teste CAMP para identificação de S. agalactiae
Como dissemos anteriormente, alguns microrganismos são importantes mesmo com baixa contagem. Neste caso, o resultado deve ser sempre reportado, mesmo na ausência de leucocitúria, pois o Streptococcus do grupo B ou S. agalactiae é um agente importante, principalmente em grávidas, exigindo intervenção por parte do médico para prevenir infecções graves no recém-nascido. Neste caso, deve ser feito o diagnóstico do agente e teste de sensibilidade aos antimicrobianos, para que o tratamento seja instituído de maneira adequada. Os antimicrobianos a serem testados são: clindamicina, eritromicina, e penicilina ou ampicilina; os dois primeiros são drogas de escolha para pacientes alérgicas às penicilinas.

FONTES:
Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
Oplustil, Carmem Paz, et al. Microbiologia Clínica. Vol 2. São Paulo : SAVIER, 2012.
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Coloração de Gram - Microbiologia #dia1

Na microbiologia, é imprescindível que conheçamos a técnica de coloração de Gram, assim como o mecanismo da mesma, para a correta interpretação da bacterioscopia. Obviamente, além dos materiais como corantes e bico de Busen, é de extrema importância que a coloração seja de qualidade, para a obtenção de um resultado confiável e que de fato auxilie na identificação do microrganismo.
O método de Gram foi descoberto pelo médico dinamarquês Hans Cristian Joaquim Gram, em 1884, e por isso recebeu este nome. Hans Gram observou que as bactérias adquiriram cores diferentes, quando tratadas com diferentes corantes.
Hans Gram -
 Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
A partir de então, pode-se classificar as bactérias em dois grandes grupos: gram-positivas e gram-negativas.

·      Gram-positivas: são bactérias que possuem uma espessa camada de peptideoglicano e ácido teicóico e que, portanto, coram-se de azul.
·      Gram-negativas: são bactérias que possuem uma fina camada de peptideoglicano, sobre a qual se encontra uma camada composta por lipoproteínas, fosfolipídeos, proteínas e lipopolissacarídeos. Estas bactérias coram-se de vermelho.

Vamos aprender a técnica para entendermos o que faz com que certas bactérias se corem de azul e outras de vermelho.

Ø Prepare a lâmina fazendo um pequeno esfregaço com a colônia ou a amostra a ser analisada. Pode ser usado salina para melhor diluição na preparação da lâmina.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Ø A maioria dos laboratórios utilizam-se o calor da chama do bico de Bunsen para a fixação da lâmina. Entretanto, segundo o Ministério da Saúde, este é o método original, utilizando violeta-de-genciana, mas atualmente já há um fixador químico no violeta-de-metila (outro tipo de cristal violeta), que dispensa a utilização da chama. Então, após a fixação, coloque sobre toda a lâmina o cristal violeta, que é um corante de cor púrpura, e aguarde de 30 segundos a 1 minuto. Neste passo, todas as bactérias estarão coradas igualmente, pois absorverão o corante.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Ø Após este período, lave a lâmina com água destilada, e posteriormente, aplique o lugol (solução de iodo). Esta solução fixará o corante cristal violeta nas bactérias gram-positivas, que tem a parede mais espessas.
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Lave a lâmina novamente com água destilada e logo após, lave com álcool-acetona, por cerca de 15 segundos ou até o corante azul sair da lâmina. O álcool fará a descoloração das bactérias gram-negativas, que possuem a parede menos espessa, e é imprescindível uma atenção a este passo, para que não descolore muito a lâmina. Coloque rapidamente a lâmina em água corrente, para tirar o excesso de álcool.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Coloque por toda a lâmina a fucsina ou a safranina. Estes são contracorantes, de tom avermelhado, que servirão para corar as bactérias gram-negativas que foram descoradas no passo anterior. Deixe o corante por 30 segundos a 1 minuto, e lave com água destilada.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Seque a lâmina com secador, e leve ao microscópio para a análise.
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

 Observação: é importante mencionar que a padronização do método de gram é específico para cada laboratório. Portanto, os tempos e os passos indicados aqui podem variar de um laboratório para outro. É importante que o procedimento operacional padrão do laboratório seja seguido.

Interpretação do resultado:
Durante o processo de coloração, o tratamento com álcool-acetona extrai os lipídeos, resultando na porosidade ou permeabilidade aumentada da parede celular das bactérias gram-negativas. Por este motivo, o cristal violeta aplicado no início do processo sai, e a safranina aplicada ao final permanece. As gram-negativas coram-se então de vermelho (ou rosa).
Em contrapartida, a parede celular das bactérias gram-positivas, em virtude de sua composição diferente, torna-se desidratada durante o tratamento com álcool-acetona, a porosidade diminui, a permeabilidade é reduzida. Sendo assim, essas bactérias retém o cristal violeta e não se descoram com a aplicação do álcool. As gram-positivas coram-se então de azul (ou roxo).  


Dica para não esquecer, uma analogia simples:
Ø  Quando você está sem nenhum dinheiro na sua conta, você está no VERMELHO (negativo). Lembre-se então das gram-negativas.
Ø  Quando você tira uma nota boa, você tira uma nota AZUL (isso é positivo!). Lembre-se das gram-positivas.
Para finalizar, um vídeo muito bem explicativo do Prof. Fernando Mafra, do Canal de Escola de Ciências da Vida, do YouTube.



Aproveitem esta semana para estudar microbiologia com o Biomedicina em Ação!

Fontes:
Técnica de Coloração de Gram. Brasília: Ministério da Saúde, Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, 1997. 63 p.: iI. (Série TELELAB) 1. Gram I. Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, (Brasil). II. Série TELELAB.
Universidade Federal Fluminense – Instituto Biomédico – MIP Bacteriologia – Coloração de Gram.
Imagens: Vidraria de Laboratório
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015


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Minicurso de Hematologia - Domus Cursos

Bônus de Hematologia!



A Domus Cursos, parceira do Biomedicina em Ação, lançou mais um curso para Campinas e região! Trata-se de um minicurso de hematologia com foco no diagnóstico diferencial das Anemias, a fim de suprir a necessidade dos profissionais e estudantes sobre o tema. Com profissionais altamente qualificados, com anos de experiência e atualizados sobre o tema, a Domus oferece um curso rápido e excelente para atualização de conhecimentos.
 Mais informações e inscrições pelo site da Domus Cursos!


E lembrando que o Minicurso de Circulação Extracorpórea ainda estão com inscrições abertas! Corra no site e garanta a sua vaga! 


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domingo, 9 de agosto de 2015


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Coagulação Sanguínea - Hematologia #dia7

A coagulação sanguínea é um processo importante para a manutenção da integridade vascular, e em condições normais, ocorre sempre que há ruptura e sangramento. Há então a formação de coágulo (ou tampão plaquetário em rupturas pequenas) a fim de cessar o sangramento.
O sistema hemostático contém os componentes envolvidos no mecanismo de coagulação, e são responsáveis por regular a perda de sangue e ao mesmo tempo, a formação de trombos intravasculares, que podem ocorrer a partir da formação excessiva de fibrina. Tais componentes são as plaquetas, os vasos, as proteínas da coagulação do sangue (fatores de coagulação), os anticoagulantes naturais e o sistema de fibrinólise.
A cascata de coagulação foi proposta em 1964, por Macfarlane e Davie & Ratnoff, e é conhecida como “cascata”, pois ocorre de forma sequencial, resultando na formação de trombina que converte o fibrinogênio em fibrina. Inicialmente, houve uma divisão do processo de coagulação em duas vias: intrínseca e extrínseca, sendo que cada uma delas, era composta por um determinado grupo de fatores.  

 Na via extrínseca, o fator VII plasmático (na presença do seu cofator, o fator tecidual ou tromboplastina) ativa diretamente o fator X. Na via intrínseca, ativação do fator XII ocorre quando o sangue entra em contato com uma superfície, contendo cargas elétricas negativas (por exemplo, a parede de um tubo de vidro). Tal processo é denominado “ativação por contato” e requer ainda a presença de outros componentes do plasma: pré-calicreína (uma serinoprotease) e cininogênio de alto peso molecular (um cofator não enzimático). O fator XIIa ativa o fator XI, que, por sua vez, ativa o fator IX. O fator IXa, na presença de fator VIII, ativa o fator X da coagulação, desencadeando a geração de trombina e subsequente formação de fibrina. (Franco, RF. 2010 – sobre a via intrínseca e extrínseca).

Entretanto, atualmente esta divisão é entendida como inadequada, já que não ocorre in vivo, e a noção que se tem dos fatores de coagulação foi modificada a partir de trabalhos posteriormente publicados, como o de Chapel Hill, na Carolina do Norte. Hoje, entende-se que as duas vias são estimuladas em conjunto, não havendo separação nítida entre elas, e que há uma grande participação celular neste processo.

Para descomplicar e facilitar o entendimento assista a um vídeo do Canal Academia de Ciência sobre o processo de coagulação:



Fontes e mais informações:
FRANCO RF. Overview of coagulation, anticoagulation and fibrinolysis. Medicina, Ribeirão Preto, 34: 229-237, july/dec. 2001.
SIQUEIRA C. Fisiologia da coagulação. Rev SOCERJ, v, XIV, n 1.
Vídeo: Academia de Ciências.
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Doenças Mieloproliferativas - Hematologia #dia6

As doenças Mieloproliferativas são tipos de cânceres do sangue que começam com uma mutação em uma célula-tronco da medula óssea. Essa mutação, ou mudança, causa uma superprodução de qualquer combinação de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas. (Informações e vídeo: ABRALE - Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia)

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quinta-feira, 6 de agosto de 2015


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Esfregaço sanguíneo - Hematologia #dia5

“O primeiro esfregaço a gente nunca esquece!” E quem nunca ficou horas tentando fazer um esfregaço perfeito que atire a primeira pedra! E há quem fique até hoje. Parece um procedimento simples, mas é preciso que seja executado de forma correta, pois é um fator significativo para a realização de um hemograma confiável.


Trata-se de uma técnica que permite a leucometria diferencial, a estimativa do número de leucócitos e plaquetas por microlitro de sangue, a avaliação morfológica das células sanguíneas (em especial os glóbulos vermelhos) e também a pesquisa de parasitas sanguíneos.

O esfregaço ideal deve ser livre de falhas e paradas, não muito espesso, nem fino demais e sem falhas na cauda. Na observação ao microscópio às duas bordas onde são realizadas as contagens devem apresentar os eritrócitos mais separados e os leucócitos bem distribuídos.

Materiais para a confecção do esfregaço sanguíneo

·      Lâminas de vidro limpas, desengorduradas e secas;
·      Lâminas extensoras;
·      Capilar de vidro;
·      Amostra de Sangue.
·      Obs.: NUNCA esqueça os EPIs, principalmente jaleco e luvas.

Passos para a realização do esfregaço sanguíneo

1) É preciso certificar-se de que a lâmina esteja limpa e seca. Caso não esteja, faz-se a limpeza da mesma.
 
Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

2) Faça a homogeneização da amostra. Apoie a lâmina de vidro e aplique uma gota de sangue de aproximadamente 1 ou 2 cm de diâmetro do lado que for começar o esfregaço.
Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br


3) Toque a gota de sangue com as costas da extensora em um ângulo de 30 a 45º.
 
Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br
4) Aguarde que o sangue se espalhe pelo bordo da extensora e então deslize-a de modo suave e contínuo até a direção oposta, formando uma camada delgada e uniforme. É importante escorregar a lâmina de uma vez, sem detê-la, evitando falhas.

Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br



5) Seque a lâmina ao ar e identifique-a com lápis diretamente sobre a parte espessa do esfregaço ou sobre etiqueta de papel (não são usadas canetas esferográficas, pois os corantes removem esse tipo de identificação).

Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

6) Core a lâmina e leve-a ao microscópio para leitura.

Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

A forma correta de realizar a leitura é no meio do esfregaço, onde não há grande espessamento e não é uma área com esfregaço muito fino. Isso permite a melhor visualização dos elementos citológicos.


Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br


Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

O Canal Bionérdicos tem um vídeo super divertido e interativo sobre o tema, e ainda fala sobre a coloração. Vale a pena conferir: 


Fonte: 

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quarta-feira, 5 de agosto de 2015


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Anemia Falciforme - Hematologia #dia4 [vídeo]

Anemia falciforme é uma doença genética e hereditária caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, que perdem a forma arredondada e elástica, adquirem o aspecto de uma foice e endurecem, o que dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre e a oxigenação dos tecidos.
As hemácias falciformes contêm um tipo de hemoglobina, a hemoglobina S, que se cristaliza na falta de oxigênio, formando trombos que bloqueiam o fluxo de sangue, porque não têm a maleabilidade da hemácia normal.
O diagnóstico laboratorial é feito através do hemograma e da eletroforese de hemoglobina (teste confirmatório). O teste do pezinho, realizado em neonatos, proporciona a detecção precoce da doença.

Entenda no vídeo abaixo o que causa a anemia falciforme:

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terça-feira, 4 de agosto de 2015


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Talassemias - Hematologia #dia3

Modelo 3D da hemoglobina. Créditos na imagem. 

      A Talassemia é uma desordem hereditária e que comumente produz anemia microcítica e hipocrômica. Esta denominação abrange um grupo de distúrbios genéticos da síntese da hemoglobina (metaloproteína que contém ferro e está presente nos eritrócitos, permitindo o transporte de oxigênio), caracterizado por redução na produção de uma ou mais cadeias polipeptídicas de globina, que resulta na anemia.
Os primeiros casos identificados de Talassemias se deram em famílias da Itália, Grécia, Turquia e Líbano, que residiam próximo ao Mar Mediterrâneo. O nome Talassemia advém então do grego “thalassa”, e ficou conhecida como "Anemias do Mediterrâneo". Devido à globalização, migração e miscigenação, novos casos começaram a aparecer por todo o mundo.
Cada eritrócito circulante possui cerca de 300 milhões de moléculas de hemoglobina. Cada uma destas moléculas, em seu estado normal, é formada por duas cadeias α (alfa) conectadas a duas cadeias β (beta) de globina (α2β2). Em pacientes portadores de Talassemia, há uma mutação em um ou dois cromossomas específicos (11 e 16). Isso faz com que a medula óssea pare de produzir (ou produzir em menor quantidade) um dos dois tipos de cadeias de globina.  
Indivíduos normais possuem quatro genes responsáveis pela produção de globinas alfa, e análises por técnicas de hibridização mostraram que os quatro genes alfa encontram-se no cromossomo 16 (dois em cada um). Se a mutação ocorrer no cromossomo 16, em um, dois, três ou nos quatro genes, haverá diminuição das cadeias α (alfa), causando uma desproporcionalidade entre o número de cadeias α e β produzidas. Assim, os eritrócitos terão menos moléculas de hemoglobina no seu interior.
Havendo tal desproporcionalidade, consequentemente haverá excesso de globina β, que continua sendo sintetizada normalmente, e isso formará tetrâmeros, resultando na Hemoglobina H.
 Os portadores desta Talassemia serão caracterizados de acordo com o número de genes afetados:
·      Portador silencioso (um gene alfa afetado);
·      Talassemia alfa heterozigota (dois genes alfa afetados);
·      Doença de hemoglobina H (três genes alfa afetados);
·      Síndrome de Hidropsia Fetal por Hemoglobina Bart’s (quatros genes alfa afetados).
Se a mutação ocorrer no cromossomo 11, haverá a falta das cadeias β (beta), e também ocorrerá diminuição de hemoblogina.


  
Portanto, há duas classificações para a Talassemia: α-talassemia e β-talassemia. A Talassemia pode se apresentar de duas formas: minor ou major.

Talassemia minor: há somente o traço talassêmico, sem alterações significativas no nível de hemoglobina.
Talassemia major: há um profundo comprometimento do nível de hemoglobina, com complicações severas no baço, fígado, ossos e coração, o que implica cuidados médicos permanentes.
  
Fonte: www.hemorio.rj.gov.br

 O rastreamento da doença pode ser feita já no período neonatal, através de um teste do pezinho ampliado, e em casos positivos, é feita a confirmação por outros testes laboratoriais para a análise da hemoglobina. Além disso, os pais da criança também podem ser avaliados para a identificação de traço talassêmico.
Tanto na criança ou no adulto, o hemograma é o primeiro passo para o diagnóstico, e pelo baixo nível de hemoglobina, pigmentação e formato das células pode-se indicar uma anemia a ser investigada. Entretanto, é preciso que se realizem exames complementares e confirmatórios, como eletroforese de hemoglobina e testes moleculares, para a identificação precisa da causa da má formação da hemoglobina.

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Como a maioria das postagens, que tal um vídeo para fixar o assunto?



Fontes:
Abrasta
www.hemorio.rj.gov.br
Fleury
Tomé-Alves, A. et al. Hemoglobinas AS/Alfa talassemia - importância diagnóstica. Rev.bras.hematol.hemoter., 2000, 22(3): 388-394.
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