domingo, 9 de agosto de 2015


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Coagulação Sanguínea - Hematologia #dia7

A coagulação sanguínea é um processo importante para a manutenção da integridade vascular, e em condições normais, ocorre sempre que há ruptura e sangramento. Há então a formação de coágulo (ou tampão plaquetário em rupturas pequenas) a fim de cessar o sangramento.
O sistema hemostático contém os componentes envolvidos no mecanismo de coagulação, e são responsáveis por regular a perda de sangue e ao mesmo tempo, a formação de trombos intravasculares, que podem ocorrer a partir da formação excessiva de fibrina. Tais componentes são as plaquetas, os vasos, as proteínas da coagulação do sangue (fatores de coagulação), os anticoagulantes naturais e o sistema de fibrinólise.
A cascata de coagulação foi proposta em 1964, por Macfarlane e Davie & Ratnoff, e é conhecida como “cascata”, pois ocorre de forma sequencial, resultando na formação de trombina que converte o fibrinogênio em fibrina. Inicialmente, houve uma divisão do processo de coagulação em duas vias: intrínseca e extrínseca, sendo que cada uma delas, era composta por um determinado grupo de fatores.  

 Na via extrínseca, o fator VII plasmático (na presença do seu cofator, o fator tecidual ou tromboplastina) ativa diretamente o fator X. Na via intrínseca, ativação do fator XII ocorre quando o sangue entra em contato com uma superfície, contendo cargas elétricas negativas (por exemplo, a parede de um tubo de vidro). Tal processo é denominado “ativação por contato” e requer ainda a presença de outros componentes do plasma: pré-calicreína (uma serinoprotease) e cininogênio de alto peso molecular (um cofator não enzimático). O fator XIIa ativa o fator XI, que, por sua vez, ativa o fator IX. O fator IXa, na presença de fator VIII, ativa o fator X da coagulação, desencadeando a geração de trombina e subsequente formação de fibrina. (Franco, RF. 2010 – sobre a via intrínseca e extrínseca).

Entretanto, atualmente esta divisão é entendida como inadequada, já que não ocorre in vivo, e a noção que se tem dos fatores de coagulação foi modificada a partir de trabalhos posteriormente publicados, como o de Chapel Hill, na Carolina do Norte. Hoje, entende-se que as duas vias são estimuladas em conjunto, não havendo separação nítida entre elas, e que há uma grande participação celular neste processo.

Para descomplicar e facilitar o entendimento assista a um vídeo do Canal Academia de Ciência sobre o processo de coagulação:



Fontes e mais informações:
FRANCO RF. Overview of coagulation, anticoagulation and fibrinolysis. Medicina, Ribeirão Preto, 34: 229-237, july/dec. 2001.
SIQUEIRA C. Fisiologia da coagulação. Rev SOCERJ, v, XIV, n 1.
Vídeo: Academia de Ciências.
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Doenças Mieloproliferativas - Hematologia #dia6

As doenças Mieloproliferativas são tipos de cânceres do sangue que começam com uma mutação em uma célula-tronco da medula óssea. Essa mutação, ou mudança, causa uma superprodução de qualquer combinação de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas. (Informações e vídeo: ABRALE - Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia)

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quinta-feira, 6 de agosto de 2015


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Esfregaço sanguíneo - Hematologia #dia5

“O primeiro esfregaço a gente nunca esquece!” E quem nunca ficou horas tentando fazer um esfregaço perfeito que atire a primeira pedra! E há quem fique até hoje. Parece um procedimento simples, mas é preciso que seja executado de forma correta, pois é um fator significativo para a realização de um hemograma confiável.


Trata-se de uma técnica que permite a leucometria diferencial, a estimativa do número de leucócitos e plaquetas por microlitro de sangue, a avaliação morfológica das células sanguíneas (em especial os glóbulos vermelhos) e também a pesquisa de parasitas sanguíneos.

O esfregaço ideal deve ser livre de falhas e paradas, não muito espesso, nem fino demais e sem falhas na cauda. Na observação ao microscópio às duas bordas onde são realizadas as contagens devem apresentar os eritrócitos mais separados e os leucócitos bem distribuídos.

Materiais para a confecção do esfregaço sanguíneo

·      Lâminas de vidro limpas, desengorduradas e secas;
·      Lâminas extensoras;
·      Capilar de vidro;
·      Amostra de Sangue.
·      Obs.: NUNCA esqueça os EPIs, principalmente jaleco e luvas.

Passos para a realização do esfregaço sanguíneo

1) É preciso certificar-se de que a lâmina esteja limpa e seca. Caso não esteja, faz-se a limpeza da mesma.
 
Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

2) Faça a homogeneização da amostra. Apoie a lâmina de vidro e aplique uma gota de sangue de aproximadamente 1 ou 2 cm de diâmetro do lado que for começar o esfregaço.
Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br


3) Toque a gota de sangue com as costas da extensora em um ângulo de 30 a 45º.
 
Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br
4) Aguarde que o sangue se espalhe pelo bordo da extensora e então deslize-a de modo suave e contínuo até a direção oposta, formando uma camada delgada e uniforme. É importante escorregar a lâmina de uma vez, sem detê-la, evitando falhas.

Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br
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5) Seque a lâmina ao ar e identifique-a com lápis diretamente sobre a parte espessa do esfregaço ou sobre etiqueta de papel (não são usadas canetas esferográficas, pois os corantes removem esse tipo de identificação).

Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

6) Core a lâmina e leve-a ao microscópio para leitura.

Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

A forma correta de realizar a leitura é no meio do esfregaço, onde não há grande espessamento e não é uma área com esfregaço muito fino. Isso permite a melhor visualização dos elementos citológicos.


Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

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Imagem adaptada: www.vidrariadelaboratorio.com.br

O Canal Bionérdicos tem um vídeo super divertido e interativo sobre o tema, e ainda fala sobre a coloração. Vale a pena conferir: 


Fonte: 

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quarta-feira, 5 de agosto de 2015


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Anemia Falciforme - Hematologia #dia4 [vídeo]

Anemia falciforme é uma doença genética e hereditária caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, que perdem a forma arredondada e elástica, adquirem o aspecto de uma foice e endurecem, o que dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre e a oxigenação dos tecidos.
As hemácias falciformes contêm um tipo de hemoglobina, a hemoglobina S, que se cristaliza na falta de oxigênio, formando trombos que bloqueiam o fluxo de sangue, porque não têm a maleabilidade da hemácia normal.
O diagnóstico laboratorial é feito através do hemograma e da eletroforese de hemoglobina (teste confirmatório). O teste do pezinho, realizado em neonatos, proporciona a detecção precoce da doença.

Entenda no vídeo abaixo o que causa a anemia falciforme:

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terça-feira, 4 de agosto de 2015


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Talassemias - Hematologia #dia3

Modelo 3D da hemoglobina. Créditos na imagem. 

      A Talassemia é uma desordem hereditária e que comumente produz anemia microcítica e hipocrômica. Esta denominação abrange um grupo de distúrbios genéticos da síntese da hemoglobina (metaloproteína que contém ferro e está presente nos eritrócitos, permitindo o transporte de oxigênio), caracterizado por redução na produção de uma ou mais cadeias polipeptídicas de globina, que resulta na anemia.
Os primeiros casos identificados de Talassemias se deram em famílias da Itália, Grécia, Turquia e Líbano, que residiam próximo ao Mar Mediterrâneo. O nome Talassemia advém então do grego “thalassa”, e ficou conhecida como "Anemias do Mediterrâneo". Devido à globalização, migração e miscigenação, novos casos começaram a aparecer por todo o mundo.
Cada eritrócito circulante possui cerca de 300 milhões de moléculas de hemoglobina. Cada uma destas moléculas, em seu estado normal, é formada por duas cadeias α (alfa) conectadas a duas cadeias β (beta) de globina (α2β2). Em pacientes portadores de Talassemia, há uma mutação em um ou dois cromossomas específicos (11 e 16). Isso faz com que a medula óssea pare de produzir (ou produzir em menor quantidade) um dos dois tipos de cadeias de globina.  
Indivíduos normais possuem quatro genes responsáveis pela produção de globinas alfa, e análises por técnicas de hibridização mostraram que os quatro genes alfa encontram-se no cromossomo 16 (dois em cada um). Se a mutação ocorrer no cromossomo 16, em um, dois, três ou nos quatro genes, haverá diminuição das cadeias α (alfa), causando uma desproporcionalidade entre o número de cadeias α e β produzidas. Assim, os eritrócitos terão menos moléculas de hemoglobina no seu interior.
Havendo tal desproporcionalidade, consequentemente haverá excesso de globina β, que continua sendo sintetizada normalmente, e isso formará tetrâmeros, resultando na Hemoglobina H.
 Os portadores desta Talassemia serão caracterizados de acordo com o número de genes afetados:
·      Portador silencioso (um gene alfa afetado);
·      Talassemia alfa heterozigota (dois genes alfa afetados);
·      Doença de hemoglobina H (três genes alfa afetados);
·      Síndrome de Hidropsia Fetal por Hemoglobina Bart’s (quatros genes alfa afetados).
Se a mutação ocorrer no cromossomo 11, haverá a falta das cadeias β (beta), e também ocorrerá diminuição de hemoblogina.


  
Portanto, há duas classificações para a Talassemia: α-talassemia e β-talassemia. A Talassemia pode se apresentar de duas formas: minor ou major.

Talassemia minor: há somente o traço talassêmico, sem alterações significativas no nível de hemoglobina.
Talassemia major: há um profundo comprometimento do nível de hemoglobina, com complicações severas no baço, fígado, ossos e coração, o que implica cuidados médicos permanentes.
  
Fonte: www.hemorio.rj.gov.br

 O rastreamento da doença pode ser feita já no período neonatal, através de um teste do pezinho ampliado, e em casos positivos, é feita a confirmação por outros testes laboratoriais para a análise da hemoglobina. Além disso, os pais da criança também podem ser avaliados para a identificação de traço talassêmico.
Tanto na criança ou no adulto, o hemograma é o primeiro passo para o diagnóstico, e pelo baixo nível de hemoglobina, pigmentação e formato das células pode-se indicar uma anemia a ser investigada. Entretanto, é preciso que se realizem exames complementares e confirmatórios, como eletroforese de hemoglobina e testes moleculares, para a identificação precisa da causa da má formação da hemoglobina.

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Como a maioria das postagens, que tal um vídeo para fixar o assunto?



Fontes:
Abrasta
www.hemorio.rj.gov.br
Fleury
Tomé-Alves, A. et al. Hemoglobinas AS/Alfa talassemia - importância diagnóstica. Rev.bras.hematol.hemoter., 2000, 22(3): 388-394.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2015


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Mieloma Múltiplo - Hematologia #dia2

O Mieloma Múltiplo é um tipo de câncer da medula óssea, que se caracteriza pelo aumento em número e em atividade dos plasmócitos. O plasmócito é uma célula sanguínea que se desenvolve a partir do linfócito B. Quando expostos a um patógeno, os linfócitos B transformam-se em plasmócitos, e produzem imunoglobulinas que participam do processo de defesa imunológica.  


 Existem cinco tipos diferentes de imunoglobulinas: IgG, IgM, IgA, IgD e IgE, com funções imunológicas diferentes. Cada tipo de imunoglobulina é formado por quatro cadeias de proteínas: duas idênticas pesadas (longas) e duas idênticas leves (curtas). As cadeias pesadas definem os cinco tipos de imunoglobulina: gama (IgG), mi (IgM), alfa (IgA), delta (IgD) e épsilon (IgE). As cadeias leves são de dois tipos: capa e lambda. Em um plasmócito, duas cadeias pesadas iguais se ligam a duas cadeias leves iguais para formar um anticorpo. Cada plasmócito produz um único tipo de anticorpo.

Como as células tumorais derivam de um único plasmócito no Mieloma Múltiplo, todas produzem o mesmo anticorpo, que se acumula no sangue (proteína monoclonal). Em alguns casos, são produzidos excessos de cadeias leves, chamadas de cadeias leves livres ou proteínas de Bence-Jones, que, por serem pequenas, são excretadas na urina. Raramente são produzidos excessos de cadeias pesadas livres.
O tipo de imunoglobulina produzida é usado para classificar o mieloma múltiplo, sendo que os mais comuns são o mieloma IgG (60% a 70%) e o mieloma IgA (20%); e os mais raros são IgD e IgE são raros.
Este câncer é chamado de “mieloma múltiplo” porque múltiplas áreas da medula são normalmente afetadas. Existe uma variação substancial entre pacientes quanto ao número de áreas da medula óssea afetadas; à localização dessas áreas (ex.: coluna vertebral, pélvis, braços e/ou pernas) e à atividade ou padrão de crescimento do mieloma.
Segundo dados da American Cancer Society, trata-se de um câncer relativamente raro. Nos Estados Unidos, cerca de 1 em cada 143 pessoas podem desenvolver a doença. Comumente, pessoas idosas, com mais de 65 anos manifestam o câncer, e em menor escala, pessoas com menos de 35 anos. Ressalta-se ainda que, no Brasil, faltam dados quanto à incidência e prevalência do Mieloma Múltiplo.

Causas e fatores de risco

Até o momento, as causas da doença não são totalmente elucidadas. Acredita-se que a predisposição genética e a exposição ambiental estejam relacionadas. Não obstante, já se sabe que a exposição à radiação, à substâncias químicas, herbicidas, metais pesados, tinta, petróleo, exposição a asbesto e benzeno podem ser fatores de risco. Além disso, infecções virais, principalmente pelo vírus HHV-8 (Herpes-8), HIV e Hepatite C, podem estar associadas, e raros casos de ocorrência familiar foram descritos, portanto, não é uma recomendação que se pesquise o mieloma em todos os membros da família.

Diagnóstico

O diagnóstico inicial do Mieloma Múltiplo se dá através do hemograma, creatinina, cálcio, ácido úrico, proteínas totais e frações, beta 2 microglobulina, eletroforese e imunofixação de proteínas no soro e urina de 24h, estudo radiológico de esqueleto (crânio, coluna vertebral, tórax, bacia, membros superiores e inferiores), aspirado e/ ou biópsia de medula óssea em crista ilíaca posterior.
Segundo Silva (2007) o hemograma de um indivíduo com Mieloma Múltiplo

evidenciará anemia normocítica e normocrômica, hiporegenerativa, em 60% dos casos. Neutropenia pode estar presente em 30% dos pacientes enquanto a trombocitopenia em 20%. Em torno de 95% dos casos apresentam intensa aglutinação das hemácias por alteração na carga elétrica da membrana eritrocitária, formando verdadeiras pilhas de hemácias conhecidas como rouleaux e que são facilmente observadas em esfregaço de sangue periférico.

Segundo a Profa. Dra. Gisele Colleoni, da Unifesp, o paciente com Mieloma pode apresentar uma anemia não muito intensa, trombocitopenia ou não. A anemia será mais importante em pacientes com Mieloma há mais tempo, com perda de função renal e maior infiltração da medula pelas células tumorais.  (clique aqui para assistir ao vídeo sobre aimportância do hemograma no diagnóstico e acompanhamento dos pacientes).
Para a confirmação do diagnóstico, é preciso que haja a presença de proteína monoclonal, infiltração da medula óssea por plasmócitos identificados através de aspirado ou biópsia de medula óssea ou biópsia de massa tumoral, com laudo de plasmocitoma e evidências de dano aos órgãos afetados pelo mieloma múltiplo: anemia, lesões líticas na radiografia do esqueleto, insuficiência renal e hipercalcemia.
Na pesquisa de imunoglobulinas, a quantidade de um tipo pode ser elevada, enquanto dos outros são baixos, já que os níveis de determinada proteína determina o tipo de mieloma.

Obs.: a dosagem bioquímica das imunoglobulinas pode ser prejudicada devido aos altos níveis. Portanto, recomenda-se a diluição da amostra para a liberação do resultado.

Tratamento

Há grandes avanços no tratamento da doença desde a introdução do primeiro tratamento com melfalano e prednisona, ainda na década de 60, entretanto pode haver variações dependendo do protocolo de tratamento adotado pela equipe mpedica de acordo com as características apresentadas pelo paciente.


Fontes: Abrale
Silva, Roberta Oliveira de Paula e Silva. Mieloma múltiplo: estudo prognóstico e verificação do conhecimento da doença em médicos que atuam na atenção primária à saúde / Roberta Oliveira de Paula e Silva. - Belo Horizonte, 2007. 
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domingo, 2 de agosto de 2015


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Policitemia vera - Hematologia #dia1


       A policitemia vera (PV) é um transtorno mieloproliferativo das células hematopoiéticas, que se caracteriza por haver uma produção anormal e acentuada da série vermelha do sangue (poliglobulia). Mas além das hemácias, pode haver aumento exacerbado também de leucócitos e plaquetas. Trata-se de uma doença crônica, de evolução lenta, e rara, com uma incidência de 2,3/100.000 pessoas por ano. 
A doença é ocasionada por uma mutação em uma célula hematopoiética multipotente que se multiplica gerando muitas células filhas com a mesma mutação. Esta multiplicação é acelerada e sem controle, o que causa uma neoplasia maligna.
A principal mutação observada em pacientes com PV está a mutação adquirida no gene da Janus Kinase 2 (JAK2). Essa mutação faz com que as células precursoras eritroides se autofosforilem, sem que haja estímulos de fatores de crescimento, como a eritropoetina (EPO). O resultado é o acúmulo de células diferenciadas (hemácias) no sangue periférico.

Imagem: Biomedicina Padrão
 A doença se apresenta com duas fases bem definidas: uma fase inicial, a fase pletórica, em que há um excesso de células do sangue, e uma segunda fase em que as células do sangue estão reduzidas, o baço atinge grandes dimensões e a medula óssea desenvolve progressiva fibrose e hipocelularidade.
Esse excesso de glóbulos vermelhos aumenta o volume do sangue, torna-o mais espesso, provocando uma hiperviscosidade. Os primeiros sintomas são fraqueza, fadiga, cefaleia, enjoo e dificuldades respiratórias. Além disso, sintomas como isquemia digital, astenia, hipertensão, alterações mentais e distúrbios visuais são frequentes por estarem relacionados ao comprometimento da microcirculação. De maneira acentuada e devido a hiperviscosidade, pode haver infarto agudo do miocárdio (IAM), acidentes vasculares encefálicos (AVE), trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar.

Diagnóstico


Imagem: Biomedicina Padrão
O diagnóstico da PV se dá inicialmente através do hemograma, e pode ocorrer mesmo antes do aparecimento dos sintomas. Os valores de hemoglobina e os valores de hematócrito são anormalmente altos, e juntamente com o aumento significativo de hemácias, definem a poliglobulia. Entretanto, é preciso que se faça a diferenciação de uma PV com uma policitemia secundária, e sendo assim, faz-se a dosagem de EPO sérica. Os pacientes com PV apresentam níveis baixos de EPO, o que significa que a produção elevada de hemácias está ocorrendo mesmo sem o estímulo da EPO.  
Pode ser realizada também a análise anatomopatológica da medula óssea, que apresentará hipercelularidade eritrocítica, granulocítica e megacariocítica, além da análise molecular da mutação JAK2V617F.
Segundo critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico se dá da seguinte forma, sendo que para o paciente ser diagnosticado com PV, deve-se encontrar 2 critérios maiores e 1 critério menor ou o primeiro critério maior e dois critérios menores

CRITÉRIOS MAIORES
1.   Hb > 18,5 g/dL (Homem) ou 16,5 g/dL (Mulher);
2.   Mutação JAK2V617F.

CRITÉRIOS MENORES
3.   Biópsia da MO com hipercelularidade em três séries (panmielose);
4.   EPO diminuída;
5.   Formação de colônias eritroides in vitro (indisponível no Brasil).

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Para não perder o costume, dois vídeos sobre o assunto! E amanhã tem mais hematologia no Biomedicina em Ação!


Fontes:
Manual Merck
Alert Online
Biomedicina Padrão
Moretti, M. P.; et al. Policitemia vera: relato de caso. Arquivos Catarinenses de Medicina Vol. 37, no . 3, de 2008. 
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sábado, 1 de agosto de 2015


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Livros: qual é o melhor para estudar?



Para dar início à nossa maratona de postagens no mês de agosto, vamos falar de um assunto bastante relevante: livros! Durante a faculdade vivia na biblioteca, e mesmo agora, não me distanciei dos livros.
Na faculdade, todo mundo me pedia indicações de qual livro estudar para determinada disciplina, e por isso, resolvi indicar alguns para os leitores do Biomedicina em Ação! Reforço que a maneira como cada um estuda é muito específica e pessoal. Cada um se encontra em um livro... outros preferem somente as aulas e artigos (aqui você pode ler um artigo sobre dicas para manter uma rotina de estudos). De qualquer forma, espero que os livros recomendados aqui sirvam para guia-los nas suas escolhas!

Bioquimica


 A bioquímica é sempre um problema para muitos estudantes, já que parece ser muito complicada. O medo se torna ainda maior quando nos deparamos com o famoso Lehninger. “Os princípios de bioquímica do Lehninger”, de Nelson e Cox, é provavelmente o livro mais completo, tratando-se de bioquímica estrutural,  metabólica e molecular. Entretanto, é uma leitura um pouco pesada e extensa, e pode não agradar a maioria das pessoas.
Sendo assim, uma excelente opção é o “Bioquímica”, de Campbell. O livro é dividido em três volumes: bioquímica estrutural, molecular e metabólica, respectivamente. Particularmente, este é um dos melhores livros para se estudar bioquímica. É extremamente didático, completo, mas não extenso como o Lehninger.
Uma outra opção, é “Bioquímica Básica”, de Anitta Marzzocco. Ele é bem sucinto, e é o preferido dos estudantes. Entretanto, não é indicado para quem quer se aprofundar e aprender mais sobre bioquímica.
Para bioquímica clínica, uma ótima opção é o “Bioquímica Clínica para o Laboratório”, de Motta. É um livro de fácil entendimento, que pode ser muito utilizado durante e após a faculdade. Um livro menor, recomendado para consulta, é o “Bioquímica Clinica” de Gaw. Trata-se de um livro muito interessante e didático, com vários casos clínicos e interpretação de resultados.

Parasitologia



Para parasitologia, uma ótima opção é o “Parasitologia Humana”, de Neves. É um livro de escrita clara e fácil entendimento. Há também o “Parasitologia Médica”, de Leventhal e Cheadle, uma excelente opção de texto e atlas.

Hematologia


Um dos livros mais indicados de hematologia é o “Tratado de Hematologia”, de Zago. Há também outros mais sucintos, mas que podem ajudar muito nos estudos. São eles: “Manual de Hematologia – Propedêutica e Clínica”, de Therezinha F. Lorenzi;  “Hemograma – como fazer e interpretar”,  de Oliveira; “Hematologia Básica”, de Azevedo; “Fundamentos em Hematologia”, de Hoffbrand.
 Outra indicação é o livro “156 perguntas e respostas de Hematologia”, da série de livros organizada pela biomédica Camem Paz Oplustil.

Microbiologia


Três bons livros podem ser facilmente encontrados e poderão ser muito úteis para estudar microbiologia. São os livros dos autores Trabulsi, Tortora e Murray. Para algo mais específico (microbiologia clínica), três livros são indicados: “Procedimentos básicos”, de Carmem Paz Oplustil (é um livro excelente!), que podem ser complementado pelo “156 perguntas e respostas de Microbiologia Clinica”, da série de livros organizada pela mesma autora; o livro texto e atlas, amplamente utilizado nos laboratórios clínicos, “Diagnóstico Microbiológico”, de Koneman. 
Ainda, uma excelente complementação são os manuais da Anvisa, que vão do Módulo 1 ao 9, e tratam desde a biossegurança, a organização do laboratório, à análise microbiológica e interpretação dos resultados.  

Anatomia


Começando pelos livros texto, Dângelo e Fantini é um livro bem sucinto e de fácil entendimento. Outro livro recomendado também é “Fundamentos de Anatomia e Fisiologia”, de Tortora.

Quanto aos atlas, o mais famoso com certeza é o Sobotta, seguido pelo Netter. O atlas do autor Yokochi pode agradar a quem busca por imagens reais, e para quem quer adquirir um atlas e pagar menos, uma boa opção é o Grant, que traz imagens e um sucinto texto explicativo. 

Fisiologia



Embora muitos outros livros sejam mais diretos, o “Tratado de Fisiologia”, do Guyton é o mais completo. Mesmo que não pareça, é uma leitura fácil e envolvente, e é um livro indicado para outras disciplinas, por ser extremamente completo.

Imunologia


Para imunologia, com toda certeza, os livros recomendados são todos do autor Abbas. São extremamente didáticos, com figuras muito explicativas. Um livro extra para este tópico é o “Imunoensaios – Fundamentos e Aplicações”, de Adelaide J. Vaz.

Histologia e Citologia

 

Quando pensamos em Histologia e Citologia, Junqueira e Carneiro são os primeiros que, automaticamente, lembramos. E de fato, são livros muito bons, e que devem ser apreciados por serem nacionais.



Aprofundando em Citolopatologia Ginecológica, este livro de Koss e Gompel é excelente, e auxilia muito nos estudos.
  
Genética



O principal livro de genética, sempre indicado e que está nos editais de concursos é o Thompson & Thompson. Outro muito utilizado pelos estudantes, é o “Introdução à Genética”, do Griffthis (o famoso “livro da borboleta”).

Patologia


Robbins é o principal nome. De fato, é o livro mais completo, com as melhores imagens e explicações. Entretanto, outro livro que pode agradar é o “Patologia Geral”, do Bogliolo.

Urinálise


Um bom livro para estudar urinálise, é o livro “Exame de Urina e de Fluidos Corporais de Graf, com texto e imagens que ajudarão a complementar os estudos.

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Ressaltamos que estas são apenas sugestões. Encontre o que mais seja adequado a você e às suas necessidades, que esteja disponível na biblioteca, e caso vá adquirir algum, escolha os que mais sejam adequados a você.

Faltou algum livro aqui? Deixe nos comentários a sua sugestão!
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