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domingo, 8 de janeiro de 2017


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O que são alimentos seguros? - Por Mayara Montani


Não existe um consenso, o risco deve ser minimizado durante toda a cadeia produtiva, garantindo a qualidade do produto final, reduzindo a ocorrência de doenças transmitidas pelos alimentos.
Um alimento pode ser considerado seguro quando produzido, manipulado, armazenado, embalado e transportado seguindo as boas práticas de fabricação, garantindo o controle de perigos e padrões de qualidade levando em consideração os fatores intrínsecos (características inerentes ao alimento) e extrínsecos (características do ambiente) do alimento. 
Um alimento é considerado seguro quando não causará dano ao consumidor, por estar isento de perigos biológicos, químicos ou físicos.

Os perigos biológicos são microrganismos considerados patógenos potenciais. Por isso, é importante salientar que um alimento seguro, isento de perigos biológicos não é sinônimo de alimento estéril ou isento de microrganismos. Um produto alimentício pode conter certo número de microrganismos e esporos viáveis, porém estes não têm condições de se desenvolver nas condições de estocagem do produto, termo conhecido como "esterilidade comercial".
As boas práticas na produção são importantes para garantir a segurança e qualidade do alimento e das etapas posteriores. O ambiente deve estar livre de perigos (contaminantes e pragas) e procedimentos devem ser estabelecidos, validados e seguidos, garantindo a produção, manipulação, armazenamento e transporte em condições satisfatórias de higiene.
 Alguns pré-requisitos devem ser levados em consideração com a finalidade de controlar os perigos de segurança alimentar e fornecer produtos seguros:
- Instalações (layout).
- Gerenciamento de resíduos.
- Saúde e higiene pessoal .
- Controle de pragas.
- Boas práticas na recepção, fabricação, armazenamento e transporte.
- Controle da qualidade da água e ar.
- Qualificação de fornecedores.
- Limpeza e sanitização de instalações, equipamentos e utensílios.
- Manutenções preventivas e corretivas.

Segundo a Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, a alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, sendo responsabilidade do poder público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população.
Art. 3º:  A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Art. 4º -IV: A segurança alimentar e nutricional abrange: A  garantia da qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica dos alimentos, bem como seu aproveitamento, estimulando práticas alimentares e estilos de vida saudáveis que respeitem a diversidade étnica e racial e cultural da população.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016


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Interpretação do crescimento de microrganismos na cultura primária


A análise inicial das culturas em um laboratório de microbiologia é extremamente importante. A observação quanto ao tipo de material semeado, ao meio de cultura, às informações dos pacientes, e características das colônias deve ser cuidadosa. Muitos espécimes clínicos possuem microrganismos como microbiota habitual, mas “nunca sem boas razões admita um microrganismo como contaminante porque ele não é um patógeno aceito. Nunca sem voas razões aceite um microrganismo como a causa de uma doença infecciosa meramente porque é um patógeno aceito”. 
Por isso, vamos tratar do início de uma análise microbiológica, passo muito importante para um bom resultado final. Esta postagem será baseada no livro “Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica”, Oplusti, C.P. et al., um excelente livro escrito que conta com uma biomédica como uma de suas autoras. 

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domingo, 30 de outubro de 2016


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O jeans moderno e a microbiologia: como é possível unir os dois?

Já imaginou usar a microbiologia na confecção do jeans? E mais, de uma forma sustentável que possa minimizar os resíduos tóxicos e os gastos associados a eles.


 O jeans sempre foi muito popular, principalmente o jeans azul Denim, desde que Levi Strauss e Jacob Davis, em 1873, produziram pela primeira vez para mineradores de ouro da Califórnia. Hoje, o denim macio e desbotado é produzido pelas empresas com auxílio de enzimas celulases, provenientes de um fungo chamado Trichoderma.
As celulases, como o próprio nome sugere, digerem parte da celulose do algodão e, ao contrário de muitas reações químicas, essas enzimas atuam em temperaturas e pHs seguros. Além disso, as enzimas são proteínas e, portanto, facilmente degradadas para a remoção do esgoto industrial.
E a produção de algodão também pode acontecer com menor impacto ambiental. Isso porque existe uma bactéria chamada Gluconacetobacter xylinus produz celulose ligando unidades de glicose em cadeias simples na membrana externa da parede celular bacteriana. As microfibrilas de celulose são expulsas através de poros na membrana externa, e feixes de microfibrilas se entrelaçam, formando tiras.
Para dar aquele efeito de desbotado, dá para usar o peróxido, que é um agente branqueador mais seguro que o cloro e pode ser facilmente removido do tecido e do esgoto industrial por enzimas. Os pesquisadores da Novo Nordisk Biotech clonaram um gene de peroxidase de cogumelo em leveduras e cresceram as leveduras em condições de máquina de lavar. As leveduras que sobreviveram foram selecionadas como produtoras de peroxidase.
E aquela tonalidade azul, forte, chamada índigo? Dá para fazer isso utilizando bactérias, bem conhecidas por sinal. Biotecnologistas da Califórnia identificaram o gene da Pseudomonas putida, uma bactéria do solo, que converte o subproduto bacteriano indol em índigo. Esse gene foi inserido na bactéria Escherichia coli, que, por sua vez, se tornou azul e produzem índigo a partir do triptofano.
Ah, e dá para fazer até o zíper usando os nossos amigos microrganismos. Cerca de 25 bactérias produzem grânulos de inclusão de poli-hidroxialcanoato (PHA) como reserva alimentar. Os PHAs são similares aos plásticos comuns, e por serem produzidos por bactérias, eles também são prontamente degradados por muitas bactérias. Os PHAs podem representar um material biodegradável alternativo para substituir o plástico convencional, feito a partir de petróleo e ser usado na produção dos zíperes!

Incrível né? A biotecnologia utilizando os microrganismos a nosso favor, sem prejudicar o meio onde vivemos!


Fonte: Tortora, G. J. Microbiologia. 12 ed. Artmed. 2016.
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016


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A biomedicina e os alimentos - por Mayara Montani


A biomedicina oferece inúmeras opções de atuação, dentre elas, a área de alimentos que permite ao profissional biomédico trabalhar em indústrias, laboratórios, centros de pesquisa e consultorias.
O segmento alimentício é, sem dúvidas, uma área interessante e desafiadora para o biomédico. Existem diversas especializações que permitem a esse profissional tornar-se habilitado a atuar nesse mercado.
A especialização em Bromatologia, ou Ciências dos alimentos, capacita o profissional a realizar análises da composição física, química e toxicológica dos alimentos, dos nutrientes e contaminantes presentes e sua atividade no organismo.
A especialização em Gestão da Qualidade dos alimentos habilita o biomédico a desenvolver a gestão como um todo, em toda a cadeia produtiva, garantindo a qualidade dos alimentos produzidos. São abordados temas de Gestão e Segurança Alimentar, Boas Práticas, Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) e Legislações pertinentes.
E por fim, mas não menos importante, a especialização em Microbiologia de Alimentos possibilita ao biomédico aplicar a microbiologia básica da graduação na área de alimentos, realizando análises que visam garantir a segurança e inocuidade dos alimentos e do processo produtivo.

MERCADO DE TRABALHO

A média salarial varia muito, depende da atividade realizada, do local de trabalho e do cargo pretendido.
Um conselho muito importante é buscar experiência prévia, independente da área desejada, a experiência obtida em estágios, trabalhos realizados e outras atividades contam muito para ingressar no mercado de trabalho.

ONDE ESTUDAR


SBM (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MICROBIOLOGIA), EXTECAMP (ESCOLA DE EXTENSÃO DA UNICAMP), ITAL (INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS), entre outras.
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quinta-feira, 28 de julho de 2016


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Curso Líbero-Americano de Interpretação do Antibiograma - EUCAST


Para os microbiologistas que acompanham o Biomedicina em Ação, temos uma excelente dica de curso!
Estão abertas as inscrições para o curso online Interpretação do Antibiograma na prática clínica diária, que já está acontecendo desde ontem (27 de julho) e vai até 14 de setembro, com carga horária total de 26 horas.
As aulas serão em português e espanhol. O curso é coordenado pelo médico espanhol Rafael Cantón (presidente do EUCAST - European Commitee on Antimicrobial Susceptibility Testing), por Ana Cristina Gales (Escola Paulista de Medicina da Univeridade Federal de São Paulo - EPM/Unifesp), e por Rafael Vignoli e Verónica Seija (Universidad de la República, Uruguai - UdelaR). A realização é da empresa EviMed.

Público alvo: infectologistas, médicos clínicos e microbiologistas, residentes e farmacêticos-bioquímicos.

Por ser um curso internacional, as inscrições devem ser pagas em dólar. Associados SBPC/ML têm desconto. O valor da inscrição é US$ 110.

Para maiores detalhes clique aqui.

Você pode obter outras informações pelo e-mail cursos@evimed.net ou no endereço http://ATBgrama.evimed.net.
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terça-feira, 5 de abril de 2016


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Antimicrobianos #01 - Betalactâmicos

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016


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Cientistas da Unesp isolam bactérias do Aedes aegypti para combater Zika e Dengue

Foto: G1.com
Uma pesquisa em andamento na Unesp de Botucatu pretende combater a replicação do Zika Vírus e do vírus da dengue. Para isso, os pesquisadores da Universidade isolaram 28 bactérias do intestino do mosquito Aedes Aegypti.
O objetivo do estudo é procurar, dentre estas bactérias, alguma que confira ao mosquito resistência aos vírus, e liberá-las na natureza. Entretanto, o coordenador da pesquisa afirma que estudos posteriores deverão ser realizados para que essas bactérias sejam liberadas com segurança.
  
A reportagem completa você confere clicando aqui!

Resumo do artigo do pesquisador responsável Jayme Augusto de Souza-Neto
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domingo, 16 de agosto de 2015


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Identificação presuntiva de enterobactérias - Microbiologia #dia7

A identificação presuntiva de bacilos gram negativos como Escherichia, Shigella, Samonella, Citrobacter, Enterobacter, Serratia, Proteus, Klebsiella, Hafnia, Pantoea, Morganella, Providencia, Yersinia, pode ser facilitada manualmente por uma série bioquímica simples. Esta série pode ser uma associação de três meios: EPM, MILI e CITRATO.


·      Meio Citrato: o princípio do teste é determinar a capacidade do microrganismo de utilizar o citrato de sódio como única fonte de carbono para seu metabolismo e crescimento. A produção da cor azul após 24 horas de incubação à 35ºC +/- 2ºC indica a presença de produtos alcalinos e positivo para utilização do citrato.

·      Meio EPM: o aparecimento de bolhas ou o deslocamento do meio de cultura do fundo do tubo indica a produção de gás, e determina a capacidade de produção de CO2 a partir da fermentação da glicose. O enegrecimento do meio em qualquer intensidade indica a produção de H2S, e determina a produção de íons S-2 a partir do metabolismo bacteriano. O aparecimento da cor azul ou verde azulada (reação fraca) que se estende para a base do meio, envolvendo-a totalmente ou não, determinando a capacidade do microrganismo de utilizar a ureia, formando duas moléculas de amônia pela ação da enzima uréase. O aparecimento da cor verde na superfície indica a desaminação do triptofano, e a fermentação da glicose é indicada também pela cor amarela na base do tubo.

·      Meio MILI: determina a motilidade, a descarboxilação da lisina e a produção de indol. A bactéria móvel cresce além da linha de picada. A imóvel somente nesta linha. O teste visa verificar se a bactéria é móvel ou imóvel, o que ajuda a diferenciar alguns gêneros. Determina-se a capacidade de descarboxilação da lisina pela cor do meio. Quando o meio adquire uma cor amarelada, indica que o aminoácido não é utilizado e não á ação da enzima lisina descaboxilase. Quando o meio atinge uma cor púrpura acentuada ou discreta, a lisina é descaboxilada. Para a determinação da produção de indol, adiciona-se 3 gotas de reativo de Kovacs à superfície do meio e agita-se levemente. Quando a bactéria produz indol, o reativo adquire cor rosa ou vermelha. Quando não produz, o reativo mantém sua cor inalterada. É um dos produtos de degradação do metabolismo do triptofano, este quando quebrado, indol, ácido pirúvico e amônia são produzidos.

É importante lembrar que a utilização de outros meios também é válida, como TSI e Meio IAL.

Indicação de bibliografia para análise e identificação:

Livro: Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
Apostila: Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Microbiologia Clinica para o Controle de Infecção Relacionada a Assistência a Saúde. Modulo 6 : Detecção e identificação de bactérias de importância medica /Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2013.
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Antibióticos - Microbiologia #dia6

Os antibióticos pertencem a uma classe de medicamentos muito importante. E a realização e a interpretação do teste de sensibilidade a estes antimicrobianos (TSA) é um dos testes mais desafiadores nos laboratórios de microbiologia. O vídeo que trazemos hoje trata desde a microbiologia básica à escolha clínica dos antibióticos, passando pelas classes dos mesmos. Embora os biomédicos não estejam envolvidos diretamente na escolha dos antibióticos para o tratamento das infecções, é importante que se conheça mais sobre eles. 

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VRE - Enterococos resistentes à vancomicina #dia5


Os enterococos são cocos gram positivos normalmente presentes no trato gastrointestinal e trato genital feminino, e comumente, não são muito virulentos. São instrinsecamente resistentes a clindamicina, penicilinas, cefalosporinas e outros betalactâmicos, e possuem pouca eficácia in vivo a cotrimoxazol, quinolonas, tetraciclina e cloranfenicol. As combinações eficazes são com penicilina, ampicilina ou vancomicina + gentamicina ou estreptomicina. Entretanto, a resistência a aminoglicosídeos está cada vez mais frequente, assim como a ampicilina.
A resistência à vancomicina foi descrita primeiramente nos Estados Unidos, na década de 80 e desde então foi observado um aumento das infecções e colonizações por VRE. A sigla de VRE significa “Vancomycin-resistence enterococcus”, e pode ser traduzida para o português como sendo “enterococo resistente a vancomicina” (ERV). No Brasil, o primeiro VRE foi identificado em um hospital de Curitiba, em 1996 em um hospital de Curitiba, e a partir de então relatos dessa resistência são descritos em diversos hospitais brasileiros.
O Gênero Enterococcus é representado por nove espécies. Não obstante, o Enterococcus faecalis e o Enterococcus faecium são as principais espécies causadoras de infecções no ser humano. A infecção geralmente ocorre a partir da microbiota endógena após manipulação gastrointestinal, por transmissão cruzada pelas mãos de profissionais da saúde em ambientes hospitalares, e equipamentos médicos, como estetoscópios.
Nessas espécies, há a presença de genes vanA e vanB, que codificam altos níveis de resistência à vancomicina, e são os de maior interesse devido a ampla capacidade que esses microrganismos apresentam para disseminação mundial.
Enterococcus gallinarum e Enterococcus casseliflavus são espécies intrinsicamente resistentes a baixos níveis de vancomicina e têm sido descritos como colonizadores do trato intestinal humano.
Os pacientes com maior risco para aquisição de infecção ou colonização por VRE são:
• Pacientes com doença de base severa (neoplasias, hepatopatas, nefropatas) ou imunossupressão (pacientes submetidos a transplantes ou em quimioterapia).
• Pacientes submetidos à cirurgia abdominal ou cárdio-torácica.
• Pacientes submetidos à sondagem vesical ou cateterismo venoso central.
• Pacientes com internação prolongada ou que receberam múltiplos antibióticos, incluindo vancomicina.

NOTA: o paciente colonizado é aquele que é portador da bactéria, mas que não desenvolve a doença infecciosa e pode representar agente de disseminação da bactéria. O infectado é aquele que tem o processo infeccioso pelo VRE.

Cultura e identificação
As culturas de vigilância em ambiente hospitalar são realizadas a partir de swab retal. Utiliza-se meios de cultura líquido e sólido, que permitem a inibição do crescimento de bactérias sensíveis a Vancomicina, proporcionando a seletividade de bactérias resistentes a este. O procedimento se dá da seguinte forma:
·      As amostras semeadas em meio líquido BHI-vanco são analisadas após incubação por 24 horas em estufa bacteriológica.
·      Após este período, se houver turvação no tubo, semeia-se em meio Bea-vanco.
·      Após mais 24 horas, se houver mudança de colocação do meio para preto, indicando consumo da bile esculina presente no meio, semeia-se em Ágar Sangue. Se não houver crescimento, deve-se aguarda até 48 horas para liberar o exame.
·      Se houver crescimento de colônias acinzentadas, realiza-se o teste PYR. Se este for negativo, o exame é liberado como negativo para VRE. Se positivo, faz-se a identificação automatizada ou série bioquímica com telurito, arabinose, bile esculina e NaCl 0,5%.
·      Se o resultado for E. faecalis ou E. faecium, deve-se verificar o MIC (concentração mínima inibitória) de Vancomicina, com fita de E-test. Se o MIC for maior que 256 mcg/mL, solta-se o resultado positivo para VRE, com a identificação e MIC do microrganismo. Para isso, deve-se fazer um inóculo na escala 0,5 de McFarland e deve-se depositar 10µl na superfície do meio Mueller-Hinton.

BÔNUS: Vídeos sobre vancomicina e sobre a resitência


Fontes:
Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
CDC
Levin, Anna Sara. Enterococcus resistente a resistente a vancomicina. Universidade de São Paulo Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias.
Nota Técnica – Enterococo resistente à vancomicina (VER ou VRE). Secretaria de Estado de Saúde Coordenadoria de Controle de Doenças – CCD Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, Divisão de Infecção Hospitalar.



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quinta-feira, 13 de agosto de 2015


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Microbiologia também é arte! #dia4

Os microbiologistas sempre defendem a beleza da microbiologia e o quão incrível é acompanhar o crescimento de culturas e observar as características de cada uma. A microbiologia por si só já é encantadora, com todas as suas cores e formas. Claro que só quem é apaixonado pela área concordará com isso, e é claro também que quando falamos de microrganismos patogênicos, a beleza acaba ficando em segundo plano.



O fotógrafo e microbiologista Seung-Hwan Oh, também conhecido por Tonio Oh, consegue chamar a atenção mesmo daqueles que não gostam de microbiologia. Isso porque ele mistura arte e ciência como ninguém. Oh mistura o orgânico ao artificial, “tratando” as suas fotos com um composto cheio de bactérias. O fotógrafo diz que a sua intenção é “explorar a impermanência da matéria, bem como as limitações materiais da fotografia”. As bactérias literalmente consomem as fotos e causam efeitos incrivelmente belos.

Mais fotos de Tonio Oh (clique para ampliar):

  







Fontes:
Beautiful Decay
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015


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Vida de Microbiologista - Microbiologia #dia3

“Microbiologia é o ramo das ciências que estuda bactérias, fungos e vírus (microrganismos). Os microrganismos constituem mais de 90% da biomassa e a maior biodiversidade da Terra. São usados na produção de vinagres, bebidas alcoólicas, queijos, yogurtes, pães e antibióticos. Apenas uma minoria destes agentes é patogênica ou danosa, causando doenças em humanos, animais e plantas, assim como a deterioração de alimentos e a degradação de estruturas.”  (Instituto de Ciências Biomédicas – USP)


A microbiologia é uma área de atuação fascinante à quem tem instinto de investigação. Analisar uma colônia e ir juntando características, tanto da infecção quanto do microrganismo, e chegar a um resultado final que auxiliará o médico na melhor conduta ao paciente... esta é a função do microbiologista! Claro, que a mesma sensação de investigação se dá na microbiologia de alimentos e ambiental, áreas que o biomédico também está apto a atuar.

Para exemplificar o dia a dia do microbiologista, encontrei este vídeo bem bacana e divertido sobre o assunto: 

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terça-feira, 11 de agosto de 2015


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Urocultura - Microbiologia #dia2


As infecções do trato urinário (ITU) podem ocorrer em pessoas de todas as idades e sexo, entretanto, ocorre com maior frequência em mulheres, devido as características do sistema urinário feminino. Os principais agentes que causam estas infeções são as enterobactérias, entre elas Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Proteus spp e Enterobacter spp. Agentes gram-positivos também podem causar ITU, sendo os principais os estafilococos, com destaque para Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus ssp.
Estas infecções são classificadas em:
·   Bacteriúria assintomática: há presença de bactérias, mas sem sintomatologia. Achado importante em grávidas e crianças com refluxo vesicoureteral.
·   Cistite: infecção da bexiga com disúria como principal sintoma.
·   Pielonefrite: infecção que acomete rins e pélvis, com presença de febre e geralmente associada e infecção sistêmica.
·   ITU complicada: infecção que acomete indivíduo com anormalidade do sistema urinário.
Há ainda as ITUs não complicadas, que geralmente, são diagnosticadas na sedimentoscopia, sem necessidade de cultura.
Pelo fato de que as ITUs são bastante frequentes, a urocultura é o exame mais solicitado em laboratórios de microbiologia. A urocultura, portanto, é cultura de urina para identificação de microrganismos causadores de infecções no trato urinário.

AMOSTRA
A urina de jato médio é a amostra mais comum para a realização de cultura. Entretanto, pode-se fazer a coleta também de urina de qualquer jato, urina de paciente com cateterismo vesical, coleta por sonda de alívio, por punção suprapúbica e amostra de primeiro jato. Para a utilização destes tipos de amostra, as indicações de coleta devem ser seguidas criteriosamente, para maior confiabilidade do exame.

CULTURA
A semeadura da urina pode ser feita de duas formas:

·      Quantitativa: com alça calibrada de platina ou de plástico (de 10µl ou 1µl). Pode ser realizada em MacConkey, CLED ou meio cromogênico. A interpretação é feita de acordo com o crescimento das colônias. É importante ressaltar que, se observado cocos gram-positivos no gram, é recomendado que a semeadura seja feita também em ágar-sangue.

·      Semiquantitativa: com sistema de laminocultivo. O laminocultivo consiste em uma embalagem plástica cilíndrica, com um suporte conectado na tampa com duas faces. Em uma das faces, há o meio CLED (meio que inibe o véu do Proteus spp. e onde é realizada a contagem no laminocultivo), onde cresce todas as bactérias e na outra face, há o meio de citrato e MacConkey, um meio seletivo para bacilos gram-negativos. Nesta face, é possível realizar o teste de indol com reativo de Kovacs, o que auxilia muito no processo de identificação.
 
Laminocultivo e Reativo de Kovacs
 Ressaltamos que a coloração de gram (já descrita no blog) acompanha todo o processo de identificação das bactérias causadoras da infecção. Além disso, é importante que o microbiologista consulte a urina I do paciente, já que o número elevado de leucócitos e presença de bactérias na sedimentoscopia indicam infecção. É preciso também levar em conta a sintomatologia, idade, sexo e histórico do paciente. E com tudo isso, comparar com a contagem de colônias, descartando ou não possíveis contaminações e infecções verdadeiras.
Para a identificação de possíveis contaminações, é importante observar a quantidade de leucócitos e caso haja mais de um microrganismo predominante na placa (com leucócitos normais), é recomendado que seja pedida uma nova amostra.

INTERPRETAÇÃO E CONDUTA

Para a interpretação das culturas de urina, podemos entender o seguinte:
·  Sem crescimento, sem presença de leucócitos e com presença ou ausência de sintomatologia: NEGATIVO, e não há infecção.
·      Sem crescimento, com presença de leucócitos, com ou sem sintomatologia: NEGATIVO, mas pode haver sim infecção, como por exemplo por gonococo, ureaplasma, clamídia, ou o paciente está fazendo uso de antibióticos.
·      < 105 UFC/mL, com ausência de leucócitos, e dois ou mais microrganismos (MOs): faz-se a identificação e leva-se em conta também a sintomatologia para interpretações mais específicas.
·  < 105 UFC/mL, sem leucócitos, e dois ou mais MOs: faz-se a identificação. Caso haja sintomatologia, recomenda-se também o antibiograma.
·    ≥ 105 UFC/mL, sem leucócitos, com um ou mais MOs: faz-se a identificação, e leva-se em conta a sintomatologia para interpretações mais específicas.
·    ≥ 105 UFC/mL, com leucócitos, com ou sem sintomatologia: além da identificação, faz-se também antibiograma.

Observações relevantes:

Ø No gram, a presença de muitas células epiteliais e de mais de um tipo de MO sugere contaminação de coleta.
Ø Na maioria dos casos, culturas com baixa contagem são negativas. Entretanto, alguns MOs, mesmo que com baixa contagem, são muito importantes, e deve-se fazer identificação e antibiograma.
Ø A cultura de ponta de Foley não deve ser realizada, uma vez que o crescimento de MOs representa a microbiota da uretra distal.
Ø Se houver solicitação de pesquisa de fungos, semear em meios específicos, como o Saboraud.
Ø A coleta e o transporte são passos muito importantes para o exame, e devem seguir critérios específicos para um resultado confiável.

Respondendo a pergunta colocada no facebook:

O que fazer quando isolamos um Streptococcus agalactiae em cultura de urina de jato médio com contagem < 105 UFC/mL, sem presença de leucocitúria no sedimento urinário?

Teste CAMP para identificação de S. agalactiae
Como dissemos anteriormente, alguns microrganismos são importantes mesmo com baixa contagem. Neste caso, o resultado deve ser sempre reportado, mesmo na ausência de leucocitúria, pois o Streptococcus do grupo B ou S. agalactiae é um agente importante, principalmente em grávidas, exigindo intervenção por parte do médico para prevenir infecções graves no recém-nascido. Neste caso, deve ser feito o diagnóstico do agente e teste de sensibilidade aos antimicrobianos, para que o tratamento seja instituído de maneira adequada. Os antimicrobianos a serem testados são: clindamicina, eritromicina, e penicilina ou ampicilina; os dois primeiros são drogas de escolha para pacientes alérgicas às penicilinas.

FONTES:
Oplustil, Carmem Paz, et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. 3 ed. São Paulo : SAVIER, 2010.
Oplustil, Carmem Paz, et al. Microbiologia Clínica. Vol 2. São Paulo : SAVIER, 2012.
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Coloração de Gram - Microbiologia #dia1

Na microbiologia, é imprescindível que conheçamos a técnica de coloração de Gram, assim como o mecanismo da mesma, para a correta interpretação da bacterioscopia. Obviamente, além dos materiais como corantes e bico de Busen, é de extrema importância que a coloração seja de qualidade, para a obtenção de um resultado confiável e que de fato auxilie na identificação do microrganismo.
O método de Gram foi descoberto pelo médico dinamarquês Hans Cristian Joaquim Gram, em 1884, e por isso recebeu este nome. Hans Gram observou que as bactérias adquiriram cores diferentes, quando tratadas com diferentes corantes.
Hans Gram -
 Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
A partir de então, pode-se classificar as bactérias em dois grandes grupos: gram-positivas e gram-negativas.

·      Gram-positivas: são bactérias que possuem uma espessa camada de peptideoglicano e ácido teicóico e que, portanto, coram-se de azul.
·      Gram-negativas: são bactérias que possuem uma fina camada de peptideoglicano, sobre a qual se encontra uma camada composta por lipoproteínas, fosfolipídeos, proteínas e lipopolissacarídeos. Estas bactérias coram-se de vermelho.

Vamos aprender a técnica para entendermos o que faz com que certas bactérias se corem de azul e outras de vermelho.

Ø Prepare a lâmina fazendo um pequeno esfregaço com a colônia ou a amostra a ser analisada. Pode ser usado salina para melhor diluição na preparação da lâmina.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Ø A maioria dos laboratórios utilizam-se o calor da chama do bico de Bunsen para a fixação da lâmina. Entretanto, segundo o Ministério da Saúde, este é o método original, utilizando violeta-de-genciana, mas atualmente já há um fixador químico no violeta-de-metila (outro tipo de cristal violeta), que dispensa a utilização da chama. Então, após a fixação, coloque sobre toda a lâmina o cristal violeta, que é um corante de cor púrpura, e aguarde de 30 segundos a 1 minuto. Neste passo, todas as bactérias estarão coradas igualmente, pois absorverão o corante.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Ø Após este período, lave a lâmina com água destilada, e posteriormente, aplique o lugol (solução de iodo). Esta solução fixará o corante cristal violeta nas bactérias gram-positivas, que tem a parede mais espessas.
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Lave a lâmina novamente com água destilada e logo após, lave com álcool-acetona, por cerca de 15 segundos ou até o corante azul sair da lâmina. O álcool fará a descoloração das bactérias gram-negativas, que possuem a parede menos espessa, e é imprescindível uma atenção a este passo, para que não descolore muito a lâmina. Coloque rapidamente a lâmina em água corrente, para tirar o excesso de álcool.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Coloque por toda a lâmina a fucsina ou a safranina. Estes são contracorantes, de tom avermelhado, que servirão para corar as bactérias gram-negativas que foram descoradas no passo anterior. Deixe o corante por 30 segundos a 1 minuto, e lave com água destilada.
 
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

Ø Seque a lâmina com secador, e leve ao microscópio para a análise.
Imagem: www.vidrariadelaboratorio.com.br

 Observação: é importante mencionar que a padronização do método de gram é específico para cada laboratório. Portanto, os tempos e os passos indicados aqui podem variar de um laboratório para outro. É importante que o procedimento operacional padrão do laboratório seja seguido.

Interpretação do resultado:
Durante o processo de coloração, o tratamento com álcool-acetona extrai os lipídeos, resultando na porosidade ou permeabilidade aumentada da parede celular das bactérias gram-negativas. Por este motivo, o cristal violeta aplicado no início do processo sai, e a safranina aplicada ao final permanece. As gram-negativas coram-se então de vermelho (ou rosa).
Em contrapartida, a parede celular das bactérias gram-positivas, em virtude de sua composição diferente, torna-se desidratada durante o tratamento com álcool-acetona, a porosidade diminui, a permeabilidade é reduzida. Sendo assim, essas bactérias retém o cristal violeta e não se descoram com a aplicação do álcool. As gram-positivas coram-se então de azul (ou roxo).  


Dica para não esquecer, uma analogia simples:
Ø  Quando você está sem nenhum dinheiro na sua conta, você está no VERMELHO (negativo). Lembre-se então das gram-negativas.
Ø  Quando você tira uma nota boa, você tira uma nota AZUL (isso é positivo!). Lembre-se das gram-positivas.
Para finalizar, um vídeo muito bem explicativo do Prof. Fernando Mafra, do Canal de Escola de Ciências da Vida, do YouTube.



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Fontes:
Técnica de Coloração de Gram. Brasília: Ministério da Saúde, Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, 1997. 63 p.: iI. (Série TELELAB) 1. Gram I. Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, (Brasil). II. Série TELELAB.
Universidade Federal Fluminense – Instituto Biomédico – MIP Bacteriologia – Coloração de Gram.
Imagens: Vidraria de Laboratório
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