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sábado, 20 de março de 2021


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Estreptococos do grupo B


Streptococcus agalactiae (estreptococos do grupo B) é um coco Gram positivo em cadeia, pertencente ao grupo B de Lancefield, que leva em consideração o antígeno de carboidrato específico da parede celular; por isso, é também conhecido como GBS (grupo B de Streptococcus). É uma bactéria comum dos tratos gastrointestinal e genital, e normalmente não é a causa de infecções em indivíduos saudáveis, embora possa estar associado a infecções em idosos, diabéticos e adultos imunocomprometidos (particularmente pacientes oncológicos), além de representar a principal causa de infecções neonatal em países desenvolvidos.

Desde 1996 há uma recomendação do American College of Obstetricians and Gynecologist (ACOG) para o rastreio de colonização em gestantes entre 35 e 37 semanas. Segundo o último guideline para detecção e identificação de GBS da American Society for Microbiology (ASM), houve uma alteração no intervalo de gestação indicado para o rastreio da colonização por GBS, sendo o ideal realizar o exame entre a 36ª e 37ª semana de gestação, porque verificou-se um melhor valor preditivo da cultura quando realizada nesse período.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021


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O que são elementos genéticos móveis?

São denominados elementos genéticos móveis os segmentos de DNA que podem movimentar-se dentro dos genomas ou mesmo entre genomas diferentes. Esses elementos podem estar integrados aos cromossomos e ao longo do tempo mudar de localização dentro deles, ou ainda estar fisicamente dissociados e se replicarem de forma independente.

Por vezes, alguns podem ser incluídos na categoria de DNA “sem função”, por não codificarem proteínas e não se manifestarem fenotipicamente nos organismos que os possuem. Já outros, codificam enzimas que servirão para a sua mobilização e que poderão conferir características especiais aos organismos que os possuem. São exemplos os genes que conferem resistência aos antibióticos, codificam toxinas ou são responsáveis por algumas funções celulares, como a construção de telômeros.

São 3 os tipos de elementos genéticos móveis: plasmídeos, fagos e elementos transponíveis/transposons.


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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021


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Fasciíte Necrotizante

Você já ouviu falar da bactéria “comedora de carne”? É assim que a Fasciíte Necrotizante – ou Necrosante - (FN) é popularmente conhecida. Na verdade, não “tão popularmente” assim, isso porque é uma doença infecciosa rara, além de ser muito grave, caracterizada por necrose extensa e de rápida progressão. Os dados epidemiológicos dessa doença no Brasil e no mundo não são muito confiáveis, mas o Center for Disease Control (CDC) estima que aproximadamente 700 a 1200 casos ocorrem a cada ano nos Estados Unidos. A dificuldade no levantamento de dados epidemiológicos se dá principalmente pela dificuldade no diagnóstico e pela subnotificação dos casos.

A doença foi descrita inicialmente pelo cirurgião militar Joseph Jones em 1871, mas o termo Fasciíte Necrotizante começou a ser utilizado somente em 1952, com a finalidade de descrever melhor a sua principal característica, que é a necrose do tecido subcutâneo profundo e a fáscia, tendo preservação relativa do músculo subjacente. Há então lesão vascular, trombose e isquemia - resultantes da ação das citocinas pró-inflamatórias, proteinases e endotelinas, e uma fase mais avançada, ocorre a destruição de nervos subcutâneos, tudo isso acompanhado por toxicidade sistêmica grave. O acometimento dos tecidos mais superficiais e a pele ocorre secundariamente. Ela pode ocorrer a partir de incisões cirúrgicas, pequenos traumas perfurantes (incluindo cortes, arranhões, e perfurações devido ao uso de drogas intravenosas), picada de insetos ou ainda queimaduras. Apesar disso, 20% dos casos não apresentam nenhum trauma prévio.

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quinta-feira, 7 de maio de 2020


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Meningite bacteriana


Para entendermos a meningite, vamos relembrar alguns conceitos de neuroanatomia, começando pela definição de meninges. Elas são membranas que envolvem e protegem o sistema nervoso central (encéfalo, tronco cerebral e medula espinal). São três membranas: dura-máter, aracnoide e pia-máter. A função inicial dessas membranas é a proteção do SNC.
É importante também lembrar do líquido cefalorraquidiano (ou líquido cérebro-espinal ou liquor), pois ele é fundamental para o diagnóstico da meningite. Como o nome já diz, é um líquido que circula entre o cérebro e a medula espinal, e se localiza entre a pia-máter e a aracnoide (espaço subaracnoide), nos ventrículos cerebrais e ao redor da medula espinal. Tem como função principal a proteção e o amortecimento do SNC contra possíveis choques.
Esquema de demonstração das meninges. Tradução: Biomedicina em Ação. 
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019


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Resistência antimicrobiana e a PLS 545/2018


Atualmente, a resistência aos antimicrobianos é um dos principais problemas da saúde pública mundial, devido às consequências clínicas e econômicas. Trata-se da capacidade de adaptação evolutiva da bactéria (e outros microrganismos) frente aos antimicrobianos, que vem colocando em risco a eficácia dos medicamentos disponíveis.
Desde sua descoberta em 1928 por Alexandre Fleming, os antibióticos são usados para tratamento de infecções bacterianas, e já salvaram milhares de vidas em todo o mundo. O que vemos no cenário atual é uma grave crise de resistência aos antimicrobianos: as bactérias evoluem mais rápido do que novos antibióticos são lançados no mercado.
Além da falta de desenvolvimento dessas drogas e demora para que estejam disponíveis no mercado, esta crise tem sido atribuída principalmente, dentre outros fatores, ao uso excessivo e indiscriminado dessas drogas. Os quadros de resistência geram uma alta taxa de mortalidade, e maiores custos com internação e equipe médica, além da tentativa (muitas vezes nula) de se utilizar combinações de antibióticos a fim de aumentar sua eficácia.
É preciso que haja maior cautela na prescrição e na utilização dos antibióticos pelo paciente. Mesmo que na maioria das vezes o biomédico não esteja em contato direto com o paciente, é importante que tenhamos consciência desse cenário, que conheçamos os principais mecanismos de resistência, e que possamos liberar laudos cada vez mais claros e de acordo com a realidade atual. É importante também manter diálogos com o corpo clínico para que o tratamento ao paciente seja o melhor possível e incentivar o uso correto dos antibióticos.
Há no Senado Federal um projeto de Lei nº 545, de 2018, de autoria do senador Guaracy Silveira (PSL/TO), que visa facilitar o acesso da população de locais sem serviço regular de saúde pública aos antibióticos, sem a necessidade de receita médica. O projeto está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), e é claro, gerou grande polêmica no início desse ano. A explicação dada pelo senador para este projeto é a seguinte:
— O que precisamos, claro, é de saúde com acesso gratuito e universal para que todos tenham diagnóstico e prescrição médica. Mas, enquanto esse sonho não se concretiza, precisamos garantir o acesso da população a esses medicamentos em localidades que não possuam atendimento médico e serviço de saúde pública regular. – Guaracy Silveira, senador (PSL/TO).
Desde 2010, a ANVISA exige a apresentação e retenção de uma via da receita médica na compra do antibiótico. Esta medida se dá justamente para que possa haver um controle da disponibilização de antibióticos à população, já que, como vimos até agora, trata-se de um assunto sério.
Facilitar o uso de antibióticos, ainda mais em uma população carente de atenção médica, é simplesmente promover o aumento de quadros de resistência bacteriana e aumentar ainda mais crise em que vivemos. Lembrando, trata-se de uma crise não só para a comunidade científica, médica e para a população, mas de uma crise econômica.
É necessário que medidas preventivas sejam tomadas, e que a população possa receber uma melhor educação sobre o assunto, para que faça uso dos antibióticos com responsabilidade.
Em outro momento, vamos falar mais sobre os tipos de resistência bacteriana e os mecanismos envolvidos, para fins de estudo. Neste momento, precisamos falar sobre a PLS 545/2018 e, como profissionais da saúde, levar maior conhecimento a quem desconhece o assunto e mostrar à população e ao Senado como medidas como esta proposta pelo senador Guaracy podem provocar um dano irreversível.
Você pode ter acesso e manifestar sua opinião ao Senado dizendo que NÃO APOIA este projeto de Lei, clicando aqui. Compartilhe com outros profissionais ou mesmo as pessoas do seu convívio. Ao invés de facilitar o acesso aos antibióticos e aumentar o seu uso indiscriminado, vamos promover a educação sobre o assunto.

Fontes:
SenadoNotícias – para ler na íntegra a notícia sobre o Projeto de Lei
PLS545/2018 – para ler o projeto de Lei e manifestar sua opinião
Wright, G. Tyres, M. Drug combinations: a strategy to extend the life os antibiotics in the 21st century. Nature Reviews, jan. 2019. Disponível em: < https://www.nature.com/articles/s41579-018-0141-x>.
FRIERI, M. et al. Antibiotic resistence. Journal of Infection and Public Health. 10, 369-378. 2017. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1876034116301277>.
VENTOLA, C. L. The Antibiotic Resistance Crisis Part 1: Causes. Vol. 40 No. 4, abr. 2015. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4378521/>.
LOUREIRO, R. J. et al. O uso de antibióticos e aos resistências bacterianas: breves notas sobre a sua evolução. Rev Port Saúde Pública. 34(1):77–84. 2016. Disponível em: <https://ac.els-cdn.com/S087090251500067X/1-s2.0-S087090251500067X-main.pdf?_tid=3d2667d0-d49e-43c1-adae-c5a14e1bb68f&acdnat=1548971440_b54109697d4a222e2a20d1431d7c8c45>.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019


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A ciência influenciando a arte!

Não é novidade que a ciência por muitas vezes influenciou artistas em todo o mundo. A novidade aqui é que o escultor Luke Jerram foi inspirado por microrganismos causadores de doenças importantes, mas que pelas mãos do artista, revelaram sua beleza.
Dá só uma olhada nessas obras de arte!

HIV

(Luke Jerram) 
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


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Como organizar e conservar os alimentos em geladeira? - Por Mayara Montani



O armazenamento correto dos alimentos é fundamental para a saúde. Alguns alimentos necessitam de temperaturas mais frias do que outros, e existe uma variação de temperatura dentro da geladeira, por isso é tão importante ter conhecimento disso, para correto armazenamento dos alimentos.

Cuidados no armazenamento em casa

Após a compra, os alimentos refrigerados e congelados devem ser armazenados na geladeira ou freezer o mais rápido possível e consumidos até a data de validade do produto. A organização dos alimentos é determinante para que os mesmos estejam seguros, conservados e livres de contaminação.
A geladeira não deve ficar muito cheia de alimentos e as prateleiras não devem ser cobertas por panos ou toalhas, pois isso dificulta a circulação do ar frio e consequente manutenção da temperatura.
É importante também abrir a geladeira só quando for necessário e manter a porta aberta pelo menor tempo possível, para evitar oscilações de temperatura.
Nas prateleiras superiores armazene os alimentos preparados, prontos para consumo e que necessitam de maior refrigeração.
Nas prateleiras do meio os produtos pré-preparados e sobras.
E nas prateleiras inferiores, os alimentos crus. Alimentos crus não devem ficar na mesma prateleira dos alimentos cozidos, pois os crus podem contaminar os cozidos – contaminação cruzada.
Na porta armazene garrafas pet, conservas, molhos, bebidas, temperos, geleias – este espaço perde a refrigeração mais rapidamente.
Todos os alimentos devem ser mantidos embalados para evitar ressecamentos, murchamento e contaminação.

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017


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Entrevista: Mayara Montani Reis - Microbiologia de Alimentos


1. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Mayara, onde você cursou Biomedicina? Quando se formou?

Mayara: Me formei em 2011, no Centro Universitário Lusíada – UNILUS em Santos/SP.

2. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Como começou a paixão pela Biomedicina e o que mais lhe chamou atenção no curso?

Mayara: Meu interesse na biomedicina surgiu com a ideia de atuar em pesquisa, por isso, logo no primeiro ano de faculdade iniciei minha iniciação científica na UNIFESP. Após dois anos de pesquisa na área de hepatologia desisti de continuar, pois a IC estava me conduzindo para a área acadêmica, mas não era isso que eu queria na época. Decidi que eu precisava adquirir experiência, então comecei a procurar, e consegui um estágio em análises clínicas. Depois do estágio eu pude ter certeza que não queria trabalhar em hospitais e que eu precisava sair da minha zona de conforto para obter sucesso, diferencial e etc. Foi assim que surgiu a Micro de Alimentos.

3. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Quais características você acredita serem essenciais para um bom biomédico?

Mayara: O biomédico deve gostar do que faz, se adaptar a rotina, ser capaz de trabalhar com uma equipe pequena ou sozinho. A profissão não é muito valorizada, principalmente financeiramente, por isso, é essencial que o profissional busque diferenciação e ame o que faz.

4. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Você é pós-graduada em Microbiologia de Alimentos e Gestão da Segurança de Alimentos. Como e quando se interessou pela área? Onde fez sua especialização?

Mayara: Eu comecei a me interessar por essa área no último ano de faculdade, nas aulas de Bromatologia. Mas como não é o foco do curso, precisei procurar uma formação complementar e me especializar na área. Fiz minha especialização em São Paulo, na SBM – Sociedade Brasileira de Microbiologia. No final das contas foi a melhor coisa que eu fiz, me capacitei e hoje atuo em um segmento incomum e promissor para o biomédico.

5. BIOMEDICINA EM AÇÃO: A maioria dos biomédicos que se formam, atuam em análises clínicas. O que você acha desse grande leque de oportunidades além do laboratório clínico, e quais dificuldades você encontrou para se inserir nesse mercado?

Mayara: Eu acho que existem muitas possibilidades além da área de análises clínicas, mas é essencial que o profissional escolha a área de atuação considerando vários aspectos, como paixão, identificação, retorno financeiro e crescimento profissional. Também é importante considerar a empresa, pois o desenvolvimento e reconhecimento profissional dependem e variam muito de empresa para empresa. Não encontrei muitas dificuldades para me inserir nesse mercado, acredito que oportunidades surgem para quem acredita e corre atrás.

6. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Quais atribuições o biomédico deve ter para seguir a área de Microbiologia de Alimentos?

Mayara: Para atuar nessa área é necessário procurar um estágio durante a faculdade ou um curso de especialização.

7. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Onde o biomédico habilitado em Microbiologia e Alimentos pode atuar?

Mayara: Esse profissional pode atuar em laboratório de análise, em empresas, fábricas e consultorias na área.

8. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Como está o mercado para o biomédico nesta área e com quais outros profissionais de trabalha?

Mayara: O campo é limitado, como em diversas outras áreas, por isso é essencial ter, além de um bom currículo, experiência (estágios, trainees). Nessa área trabalhamos e concorremos com biólogos, nutricionistas, farmacêuticos, técnicos em alimentos ou nutrição, engenheiros de alimentos, entre outros.

9. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Dizem que a Biomedicina é a profissão do futuro. O que você acha disso? Mudaria alguma coisa para melhorar a nossa área?

Mayara: Acredito que sim, mas a biomedicina precisa ser mais valorizada pelo mercado e melhor explorada pelo próprio profissional. Se nos especializarmos, podemos atuar em diversas frentes e dominar o mundo. Brincadeiras a parte, o Biomédico não é capacitado somente em análises clínicas, ele precisa focar em habilitações que possibilitem ser um diferencial, que sejam inovadora e tragam o retorno esperado.

10. BIOMEDICINA EM AÇÃO: Qual a sua dica para quem está começando na Biomedicina?

Mayara: O Biomédico tem uma ampla área de atuação (https://crbm1.gov.br/habilitacao). Minha dica é buscar uma área diferenciada e investir nela.


PERGUNTA DO LEITOR Felipe Trisotto: O biomédico bromatologista pode atuar no desenvolvimento e análises bromatológicas em nutrição animal?

Mayara: Pode, mas isso pode variar entre as empresas.

Considerações finais:
Gostaria de agradecer a oportunidade de escrever no blog. Minha intenção é compartilhar conhecimento e minha experiência na área de alimentos. Quero também me colocar à disposição para esclarecer dúvidas e questionamentos.
Obrigada!

Mayara Reis
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terça-feira, 20 de junho de 2017


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A epidemia de Sífilis no Brasil

Pode parecer demasia para assustar a população, mas é a realidade. Por motivos irrisórios, uma doença sexualmente transmissível que pode ser evitada com uso de preservativo, dá sinais quando aparece, e pode ser tratada, ainda assombra o cenário nacional, tornando-se uma epidemia. Esse foi o tema de uma matéria da Revista Superinteressante, publicada agora no dia 13 de junho.  O assunto é sério, e por isso, hoje aqui no Biomedicina em Ação, vamos falar sobre Sífilis.

O que é?

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior. 

Treponema pallidum em microscopia de varredura.

Como é transmitida e como prevenir?

A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada, ou da mãe infectada para a criança durante a gestação ou o parto.
O uso correto e regular da camisinha masculina ou feminina é uma medida importante de prevenção da sífilis. O acompanhamento da gestante durante o pré-natal contribui para o controle da sífilis congênita.

O que é a sífilis congênita?

É uma doença transmitida ao feto durante a gestação, através da passagem do treponema pela placenta. A doença é mais grave quanto mais recente for a infecção materna. São complicações dessa forma da doença: aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do feto, surdez, cegueira, deficiência mental e/ou morte ao nascer.

Segundo estudo realizado em 2004, estima-se que a taxa de prevalência de mulheres portadoras de sífilis no momento do parto seja de 1,6%. Isso corresponde a aproximadamente 49 mil parturientes infectadas e 12 mil nascidos vivos com sífilis, considerando-se uma taxa de transmissão de 25%, de acordo com estimativa da OMS (www.aids.gov.br).(Fonte: Telelab)

Mesmo quando não se manifesta com essas características, a infecção congênita pode permanecer latente, vindo a se expressar durante a infância ou mesmo na vida adulta. A definição da sífilis congênita deve ser feita pelo médico, o qual deve levar em consideração a comparação dos resultados dos testes não treponêmicos da mãe e da criança, os resultados dos exames de imagem e dos sinais clínicos presentes na criança.
Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado for positivo, tratar corretamente a mulher e sua parceria sexual, para evitar a transmissão vertical.

Quais os sinais e sintomas da doença?

Esse é o problema. Após a infecção, aproximadamente de 10 a 90 dias depois do contágio, aparece uma ferida, geralmente única, no local da entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele). Essa ferida chamada cancro duro ou protossifiloma, tem a base endurecida, contém secreção serosa e muitos treponemas, não dói, não coça, e por isso, o indivíduo dificilmente vai procurar tratamento. Esta é a primeira fase da sífilis. As lesões sifilíticas facilitam a entrada do vírus da imunodeficiência humana (HIV). Além disso, a sífilis acelera a evolução para Aids e a infecção pelo HIV altera a história natural de sífilis

Começa com um machucado. Indolor, costuma não ser bonito, mas também não é o fim do mundo. Quando aparece na área genital, fica evidente nos homens, mas pode acabar escondido dentro da vagina sem chamar qualquer atenção. Há ainda outros casos discretos, como na garganta ou no ânus. Aí, quando você está começando a se preocupar, Bam! Desaparece. Parabéns! Seu sistema imunológico é mesmo incrível, né? Na verdade, não. Você só passou para a próxima etapa de uma doença que, a curto ou longo prazo, pode atacar seu cérebro, mudar a estrutura dos seus ossos, deformar seu rosto e matar seus filhos. Você tem sífilis. (Fonte: Superinteressante)


A cicatrização da ferida é espontânea. Depois de 6 semanas a 6 meses dessa cicatrização, se não houver tratamento, aparecem manchas e erupções (exantema) no corpo, principalmente nas palmas das mãos e plantas dos pés, caracterizando a fase secundária. Essas manchas também não coçam, e podem ser confundidas com algum processo alérgico, sobretudo porque podem surgir ínguas. Nesta fase, o treponema já invadiu todos os órgãos e líquidos do corpo.

O exantema se apresenta na forma de máculas, pápulas ou grandes placas eritematosas branco-acinzentadas denominadas condiloma lata, que podem aparecer em regiões úmidas do corpo. (Fonte: Telelab)

Depois, vem a sífilis latente, que é dividida em recente (menos de um ano de infecção) e tardia (mais de um ano de infecção). A duração é variável (pode durar até 40 anos!), e nessa fase, não é contagiosa, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.
A fase terciária então pode surgir de 2 a 40 anos depois do início da infecção. É chamada fase da moléstia, pois costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

As úlceras que começam a brotar pelo corpo são tão agressivas que, em regiões de contato direto da pele com ossos, como no crânio, o esqueleto começa a ser corroído. Na tíbia, principal osso da canela, o corpo até tenta combater a degeneração: conforme a erosão óssea aparece, o estrago vai sendo calcificado. A região afetada começa a engrossar e, com o avanço do desgaste, a canela vai ficando curvada. Em alguns casos, a bacia também é afetada e o doente perde a capacidade de andar em linha reta. Uma das maneiras mais antigas de identificar portadores de sífilis, inclusive, é ver se a pessoa caminha como um pato, rebolando por causa da bacia deteriorada. Implacável, a infecção ainda ataca os sistemas vascular e nervoso – o que pode acontecer precocemente entre a primeira e a segunda fase. Quando a bactéria finalmente ocupa o cérebro, o infectado começa a sentir alterações de humor e pode desenvolver demência. É a chamada neurosífilis. Nesta última fase, finalmente, transar não ameaça mais aos outros. A sífilis deixa de ser infecciosa e quer acabar somente com o portador.(Fonte: Superinteressante)

Como a sífilis é diagnosticada no laboratório?

Para o diagnóstico da sífilis podem-se utilizar os testes treponêmicos e os não treponêmicos. Os testes treponêmicos são qualitativos, ou seja, detectam a presença ou ausência de anticorpos contra antígenos do Treponema pallidum na amostra. Os testes não treponêmicos detectam anticorpos não treponêmicos, anteriormente denominados anticardiolipínicos, reagínicos ou lipoídicos. Esses anticorpos não são específicos para Treponema pallidum, porém estão presentes na sífilis. Os testes não treponêmicos podem ser: qualitativos – rotineiramente utilizados como testes de triagem para determinar se uma amostra é reagente ou não; ou quantitativos – são utilizados para determinar o título dos anticorpos presentes nas amostras que tiveram resultado reagente no teste qualitativo e para o monitoramento da resposta ao tratamento. O título é indicado pela última diluição da amostra que ainda apresenta reatividade ou floculação visível.
De acordo com as fases da doença, podemos observar o seguinte:

·      Sífilis primária:
Na sífilis primária, o diagnóstico laboratorial pode ser feito pela pesquisa direta do Treponema pallidum por microscopia de campo escuro, pela coloração de Fontana-Tribondeau, que utiliza sais de prata, e pela imunofluorescência direta. Os anticorpos começam a surgir na corrente sanguínea cerca de 7 a 10 dias após o surgimento do cancro duro. Por isso, nesta fase os testes sorológicos são não reagentes. O primeiro teste a se tornar reagente em torno de 10 dias da evolução do cancro duro é o FTA-abs, seguido dos outros testes treponêmicos e não treponêmicos. Quanto mais precocemente a sífilis primária for tratada, maior será a possibilidade de os exames sorológicos tornarem não reagentes. Porém, mesmo após a cura os testes treponêmicos podem permanecer reagentes por toda a vida.

·      Sífilis secundária:
Na sífilis secundária, todos os testes que detectam anticorpos são reagentes e os testes quantitativos tendem a apresentar títulos altos. Após o tratamento nesta fase, os testes treponêmicos permanecem reagentes por toda a vida do usuário, ao passo que os testes não treponêmicos podem ter comportamento variável. Em alguns indivíduos ficam não reagentes, e em outros permanecem indefinidamente reagentes em baixos títulos.

·      Sífilis latente:
Nesta fase, todos os testes que detectam anticorpos permanecem reagentes, e observa-se uma diminuição dos títulos nos testes quantitativos. Para diferenciar esta fase da infecção primária, deve-se pesquisar no líquor a presença de anticorpos, utilizando-se o VDRL. Evidencia-se sífilis latente quando o VDRL é reagente no líquor, acompanhado de baixos títulos no soro.

·      Sífilis terciária:
Nesta fase, os testes que detectam anticorpos habitualmente são reagentes e os títulos dos testes não treponêmicos tendem a ser baixos. Porém, podem ocorrer resultados não reagentes. Em usuários que apresentam sintomas neurais, o exame do líquor (LCR) é indicado, porém nenhum teste isoladamente é seguro para o diagnóstico da neurossífilis. Recomenda-se que o diagnóstico seja feito pela combinação entre a reatividade do teste e o aumento de células e de proteínas no LCR. Para testagem do LCR, o VDRL – que tem alta especificidade – é o exame recomendado, apesar de apresentar baixa sensibilidade (de 30% a 47% de resultados falso-negativos).

Relação entre testes para diagnóstico de sífilis, as fases da doença, o curso clínico da infecção e o tempo. Fonte: Ministério da Saúde. 


E o tratamento?

O tratamento é simples, feito com antibióticos, especialmente penicilina cristalina. Deve ser acompanhado com exames clínicos e laboratoriais para avaliar a evolução da doença e estendido aos parceiros sexuais.

Imagem ilustrativa de Bezetacil, para tratamento de sífilis. 


Por que a sífilis se tornou uma epidemia?

Um dos pontos de maior destaque na matéria da Revista Superinteressante está relacionado aos motivos que levaram à epidemia de sífilis. O Ministério da Saúde decretou epidemia em outubro de 2016, já que desde 2010, foram notificados quase 228 mil novos casos; só entre 2014 e 2015 houve um aumento de 32% nos casos de sífilis entre adultos – e mais de 20% em mulheres grávidas. A maior parte dos casos está na região Sudeste (56%), a mais urbanizada e desenvolvida do País. Em 2015, tivemos 6,5 casos de bebês infectados a cada mil nascidos vivos; sendo esse valor 13 vezes maior do que a Organização Mundial da Saúde considera aceitável.
E como dizemos anteriormente, o tratamento é muito simples se comparado a outras ISTs. Além disso, é muito barato! Talvez esse seja o problema. Além da queda no uso de preservativos para evitar a sífilis e outras infecções, o acesso à penicilina passou a ser aliado para que tudo isso culminasse para o estado alarmante que vivemos hoje. Chega a ser piegas o fato de um dos problemas ser o acesso ao antibiótico mais antigo que existe.
Resumidamente, o que acontece é que, por ser barata, a indústria farmacêutica não se interessa em fabricar: falta penicilina nas prateleiras. Além disso, existe o risco de choque anafilático: ninguém quer aplicar sem estrutura adequada. Os parceiros de mulheres grávidas com sífilis não tomam medicamentos e, portanto, continua o ciclo.
E por fim, esta epidemia acontece há mais tempo do que possamos imaginar. Isso porque só em 2010 o diagnóstico de sífilis foi atrelado à notificação compulsória, o que ajudou nas estatísticas, aumentando o número de casos positivos.
É necessário que todo um trabalho seja realizado: a população esteja cada vez mais ciente do uso de preservativos, da procura por diagnóstico e tratamento, e que os órgãos competentes possam ser capazes de prestar um tratamento que não custa nem um pouco caro para os cofres públicos.

Para se aprofundar mais nos tipos de testes para diagnóstico da sífilis, indicamos um curso online e gratuito, o Telelab. Já falamos sobre essa plataforma do Ministério da Saúde, e lá você pode encontrar um curso completo sobre sífilis. Acesse clicando aqui! 



Referências bibliográficas:
Germano, F. A nova cara da Sífilis. Jun 2017. Disponível em: < http://super.abril.com.br/saude/a-nova-cara-da-sifilis/>.
Diagnóstico de Sífilis. Telelab. Disponível em: < http://telelab.aids.gov.br/index.php/component/k2/item/106-baixar-diagnostico-sifilis>.


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quarta-feira, 31 de maio de 2017


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Nanotecnologia aplicada ao combate da resistência bacteriana

Imagem: Mateus Borba Cardoso
Atualmente nos deparamos cada vez mais com perfis de resistência bacteriana a antibióticos, e a corrida por soluções está cada vez mais acelerada. Cientistas brasileiros do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)  encontraram uma nova estratégia para combater as bactérias multirresistentes.
O trabalho publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, trata sobre a síntese de um nanofármaco, usando um método de revestimento nanopartículas de prata e sílica porosa (potencialmente tóxicas para os microrganismos e também para as células humanas) com uma camada de antibiótico, no caso a ampicilina, em um arranjo específico, que tem uma explicação lógica. A ideia é que, por afinidade química, o nanorfámaco age apenas sobre os microrganismos patogênicos, sendo inerte ao organismo humano.
Segundo Mateus Borba Cardoso, um dos pesquisadores do CNPEM, o antibiótico é usado como uma espécie de isca, para levar a nanopartícula até a bactéria com uma grande quantidade do fármaco. “A ação combinada da droga com os íons de prata foi capaz de matar até mesmo microrganismos resistentes”. O pesquisador explica ainda que atualmente há medicamentos comerciais com nanopartículas, que servem para recobrir o princípio ativo e aumentar o tempo de vida deste dentro do organismo, mas a estratégia usada para este método publicado recentemente, eles “decoraram” a superfície da nanopartícula com grupos químicos que a direcionam até o local onde ela deve agir, sendo assim, mais seletivo.
E como a nanopartícula é direcionada até o patógeno? Tudo ocorre pela lógica do arranjo da ampicilina. “Por meio de modelagem molecular, conseguimos determinar qual parte da molécula de ampicilina interage melhor com a membrana bacteriana. Deixamos então todas as moléculas do fármaco com essa parte-chave voltada para o lado externo da nanopartícula, aumentando as possibilidades de interação com o patógeno”, explicou Cardoso.

E quanto à eficácia?

Inicialmente foi feito um estudo quanto ao efeito do nanoantibiótico em comparação ao da ampicilina convencional, em duas linhagens diferentes de Escherichia coli. Na primeira situação, os cientistas utilizaram uma linhagem suscetível à ampicilina, e praticamente 100% dos microrganismos morreram tanto com a ampicilina convencional quanto com o nanoantibiótico, versão combinada com a prata e a sílica. Na segunda situação, a linhagem da E.coli era resistente à ampicilina convencional, e somente o nanofármaco apresentou eficácia.  
Depois, era preciso testar o efeito citotóxico do nanoantibiótico nas células de mamíferos. Foi usado então, uma linhagem de células renais humanas. O resultado foi que o revestimento da nanopartícula com o antibiótico se mostrou segura.
Uma das partes mais interessantes do trabalho são as imagens de microscopia confocal, onde mostram que além de não ser tóxico, o nanoabtibiótico não interfere no ciclo celular:
 
Imagem do artigo, mostrando o teste de citotoxidade da nanopartícula revestida e sem o revestimento. Fonte: Oliveira, JFA. et al. Defeating Bacterial Resistance and Preventing Mammalian Cells Toxicity Through Rational Design of Antibiotic-Functionalized Nanoparticles. 2017.

Este estudo pode ser o passo inicial para a síntese de outros nanofármacos, variando o antibiótico de revestimento e combatendo também outras espécies de bactérias.

Tem pontos negativos?

Sim, como todo estudo inicial. O problema desse método é justamente a nanopartícula. Cardoso explica que, como a prata e a sílica são materiais inorgânicos, a nanopartícula não é metabolizada pelo organismo, o que ocasiona em acúmulo.
Não se sabe ao certo onde as nanopartículas se acumulariam. Para isso, serão necessários testes em animais. Entretanto, uma alternativa é utilizar ao invés da prata, um outro antibiótico de espectro diferente ou uma nanopartícula pequena o suficiente para ser excretada pela urina.
De qualquer forma, o nanofármaco apresentado neste estudo já é um avanço imensurável, e poderá ser utilizado em casos graves em que não há outra alternativa para o tratamento de infecções hospitalares, evitando a morte de muitos pacientes.
O trabalho foi também uma colaboração de pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Instituto de Química (IQ), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e do Departamento de Bioquímica-Programa de Pós-graduação em Biologia Funcional e Molecular, Instituto de Biologia (IB), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).


O artigo Defeating Bacterial Resistance and Preventing Mammalian Cells Toxicity Through Rational Design of Antibiotic-Functionalized Nanoparticles (doi:10.1038/s41598-017-01209-1), de Jessica Fernanda Affonso de Oliveira, Ângela Saito, Ariadne Tuckmantel Bido, Jörg Kobarg, Hubert Karl Stassen e Mateus Borba Cardoso pode ser lido na íntegra em: www.nature.com/articles/s41598-017-01209-1. 



Fonte: Revista FAPESP
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