domingo, 2 de agosto de 2015


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Policitemia vera - Hematologia #dia1


       A policitemia vera (PV) é um transtorno mieloproliferativo das células hematopoiéticas, que se caracteriza por haver uma produção anormal e acentuada da série vermelha do sangue (poliglobulia). Mas além das hemácias, pode haver aumento exacerbado também de leucócitos e plaquetas. Trata-se de uma doença crônica, de evolução lenta, e rara, com uma incidência de 2,3/100.000 pessoas por ano. 
A doença é ocasionada por uma mutação em uma célula hematopoiética multipotente que se multiplica gerando muitas células filhas com a mesma mutação. Esta multiplicação é acelerada e sem controle, o que causa uma neoplasia maligna.
A principal mutação observada em pacientes com PV está a mutação adquirida no gene da Janus Kinase 2 (JAK2). Essa mutação faz com que as células precursoras eritroides se autofosforilem, sem que haja estímulos de fatores de crescimento, como a eritropoetina (EPO). O resultado é o acúmulo de células diferenciadas (hemácias) no sangue periférico.

Imagem: Biomedicina Padrão
 A doença se apresenta com duas fases bem definidas: uma fase inicial, a fase pletórica, em que há um excesso de células do sangue, e uma segunda fase em que as células do sangue estão reduzidas, o baço atinge grandes dimensões e a medula óssea desenvolve progressiva fibrose e hipocelularidade.
Esse excesso de glóbulos vermelhos aumenta o volume do sangue, torna-o mais espesso, provocando uma hiperviscosidade. Os primeiros sintomas são fraqueza, fadiga, cefaleia, enjoo e dificuldades respiratórias. Além disso, sintomas como isquemia digital, astenia, hipertensão, alterações mentais e distúrbios visuais são frequentes por estarem relacionados ao comprometimento da microcirculação. De maneira acentuada e devido a hiperviscosidade, pode haver infarto agudo do miocárdio (IAM), acidentes vasculares encefálicos (AVE), trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar.

Diagnóstico


Imagem: Biomedicina Padrão
O diagnóstico da PV se dá inicialmente através do hemograma, e pode ocorrer mesmo antes do aparecimento dos sintomas. Os valores de hemoglobina e os valores de hematócrito são anormalmente altos, e juntamente com o aumento significativo de hemácias, definem a poliglobulia. Entretanto, é preciso que se faça a diferenciação de uma PV com uma policitemia secundária, e sendo assim, faz-se a dosagem de EPO sérica. Os pacientes com PV apresentam níveis baixos de EPO, o que significa que a produção elevada de hemácias está ocorrendo mesmo sem o estímulo da EPO.  
Pode ser realizada também a análise anatomopatológica da medula óssea, que apresentará hipercelularidade eritrocítica, granulocítica e megacariocítica, além da análise molecular da mutação JAK2V617F.
Segundo critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico se dá da seguinte forma, sendo que para o paciente ser diagnosticado com PV, deve-se encontrar 2 critérios maiores e 1 critério menor ou o primeiro critério maior e dois critérios menores

CRITÉRIOS MAIORES
1.   Hb > 18,5 g/dL (Homem) ou 16,5 g/dL (Mulher);
2.   Mutação JAK2V617F.

CRITÉRIOS MENORES
3.   Biópsia da MO com hipercelularidade em três séries (panmielose);
4.   EPO diminuída;
5.   Formação de colônias eritroides in vitro (indisponível no Brasil).

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Para não perder o costume, dois vídeos sobre o assunto! E amanhã tem mais hematologia no Biomedicina em Ação!


Fontes:
Manual Merck
Alert Online
Biomedicina Padrão
Moretti, M. P.; et al. Policitemia vera: relato de caso. Arquivos Catarinenses de Medicina Vol. 37, no . 3, de 2008. 
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sábado, 1 de agosto de 2015


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Livros: qual é o melhor para estudar?



Para dar início à nossa maratona de postagens no mês de agosto, vamos falar de um assunto bastante relevante: livros! Durante a faculdade vivia na biblioteca, e mesmo agora, não me distanciei dos livros.
Na faculdade, todo mundo me pedia indicações de qual livro estudar para determinada disciplina, e por isso, resolvi indicar alguns para os leitores do Biomedicina em Ação! Reforço que a maneira como cada um estuda é muito específica e pessoal. Cada um se encontra em um livro... outros preferem somente as aulas e artigos (aqui você pode ler um artigo sobre dicas para manter uma rotina de estudos). De qualquer forma, espero que os livros recomendados aqui sirvam para guia-los nas suas escolhas!

Bioquimica


 A bioquímica é sempre um problema para muitos estudantes, já que parece ser muito complicada. O medo se torna ainda maior quando nos deparamos com o famoso Lehninger. “Os princípios de bioquímica do Lehninger”, de Nelson e Cox, é provavelmente o livro mais completo, tratando-se de bioquímica estrutural,  metabólica e molecular. Entretanto, é uma leitura um pouco pesada e extensa, e pode não agradar a maioria das pessoas.
Sendo assim, uma excelente opção é o “Bioquímica”, de Campbell. O livro é dividido em três volumes: bioquímica estrutural, molecular e metabólica, respectivamente. Particularmente, este é um dos melhores livros para se estudar bioquímica. É extremamente didático, completo, mas não extenso como o Lehninger.
Uma outra opção, é “Bioquímica Básica”, de Anitta Marzzocco. Ele é bem sucinto, e é o preferido dos estudantes. Entretanto, não é indicado para quem quer se aprofundar e aprender mais sobre bioquímica.
Para bioquímica clínica, uma ótima opção é o “Bioquímica Clínica para o Laboratório”, de Motta. É um livro de fácil entendimento, que pode ser muito utilizado durante e após a faculdade. Um livro menor, recomendado para consulta, é o “Bioquímica Clinica” de Gaw. Trata-se de um livro muito interessante e didático, com vários casos clínicos e interpretação de resultados.

Parasitologia



Para parasitologia, uma ótima opção é o “Parasitologia Humana”, de Neves. É um livro de escrita clara e fácil entendimento. Há também o “Parasitologia Médica”, de Leventhal e Cheadle, uma excelente opção de texto e atlas.

Hematologia


Um dos livros mais indicados de hematologia é o “Tratado de Hematologia”, de Zago. Há também outros mais sucintos, mas que podem ajudar muito nos estudos. São eles: “Manual de Hematologia – Propedêutica e Clínica”, de Therezinha F. Lorenzi;  “Hemograma – como fazer e interpretar”,  de Oliveira; “Hematologia Básica”, de Azevedo; “Fundamentos em Hematologia”, de Hoffbrand.
 Outra indicação é o livro “156 perguntas e respostas de Hematologia”, da série de livros organizada pela biomédica Camem Paz Oplustil.

Microbiologia


Três bons livros podem ser facilmente encontrados e poderão ser muito úteis para estudar microbiologia. São os livros dos autores Trabulsi, Tortora e Murray. Para algo mais específico (microbiologia clínica), três livros são indicados: “Procedimentos básicos”, de Carmem Paz Oplustil (é um livro excelente!), que podem ser complementado pelo “156 perguntas e respostas de Microbiologia Clinica”, da série de livros organizada pela mesma autora; o livro texto e atlas, amplamente utilizado nos laboratórios clínicos, “Diagnóstico Microbiológico”, de Koneman. 
Ainda, uma excelente complementação são os manuais da Anvisa, que vão do Módulo 1 ao 9, e tratam desde a biossegurança, a organização do laboratório, à análise microbiológica e interpretação dos resultados.  

Anatomia


Começando pelos livros texto, Dângelo e Fantini é um livro bem sucinto e de fácil entendimento. Outro livro recomendado também é “Fundamentos de Anatomia e Fisiologia”, de Tortora.

Quanto aos atlas, o mais famoso com certeza é o Sobotta, seguido pelo Netter. O atlas do autor Yokochi pode agradar a quem busca por imagens reais, e para quem quer adquirir um atlas e pagar menos, uma boa opção é o Grant, que traz imagens e um sucinto texto explicativo. 

Fisiologia



Embora muitos outros livros sejam mais diretos, o “Tratado de Fisiologia”, do Guyton é o mais completo. Mesmo que não pareça, é uma leitura fácil e envolvente, e é um livro indicado para outras disciplinas, por ser extremamente completo.

Imunologia


Para imunologia, com toda certeza, os livros recomendados são todos do autor Abbas. São extremamente didáticos, com figuras muito explicativas. Um livro extra para este tópico é o “Imunoensaios – Fundamentos e Aplicações”, de Adelaide J. Vaz.

Histologia e Citologia

 

Quando pensamos em Histologia e Citologia, Junqueira e Carneiro são os primeiros que, automaticamente, lembramos. E de fato, são livros muito bons, e que devem ser apreciados por serem nacionais.



Aprofundando em Citolopatologia Ginecológica, este livro de Koss e Gompel é excelente, e auxilia muito nos estudos.
  
Genética



O principal livro de genética, sempre indicado e que está nos editais de concursos é o Thompson & Thompson. Outro muito utilizado pelos estudantes, é o “Introdução à Genética”, do Griffthis (o famoso “livro da borboleta”).

Patologia


Robbins é o principal nome. De fato, é o livro mais completo, com as melhores imagens e explicações. Entretanto, outro livro que pode agradar é o “Patologia Geral”, do Bogliolo.

Urinálise


Um bom livro para estudar urinálise, é o livro “Exame de Urina e de Fluidos Corporais de Graf, com texto e imagens que ajudarão a complementar os estudos.

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Ressaltamos que estas são apenas sugestões. Encontre o que mais seja adequado a você e às suas necessidades, que esteja disponível na biblioteca, e caso vá adquirir algum, escolha os que mais sejam adequados a você.

Faltou algum livro aqui? Deixe nos comentários a sua sugestão!
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sexta-feira, 31 de julho de 2015


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Agosto todo dia!

Biomedicina em AÇÃO, todos os dias no mês de agosto!!!!

31 dias de postagem, artigos, vídeos, e muito conteúdo! Todos os dias de agosto com um post novo, para você aprender, se atualizar e se divertir aprendendo. O VEDA (Vlog Every Day April - vídeos todos os dias de abril) é um desafio que começou no youtube americano e virou "moda" também no Brasil. A ideia é produzir conteúdo para o canal todos os dias de abril. E resolvemos fazer uma "versão blog" disso, e em agosto! BEDA (???) rsrs Mas a ideia é trazer conteúdo de qualidade todos os dias deste mês! Cada semana uma área da Biomedicina, e cada dia um assunto diferente! 




Espero que gostem e possam aproveitar muito desse projeto do Biomedicina em Ação!

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terça-feira, 28 de julho de 2015


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Semana Acadêmica da Biomedicina UFRGS

Estão abertas as inscrições para a IX Semana Acadêmica da Biomedicina da UFRGS, que acontecerá de 31 de agosto a 04 de setembro, deste ano. E a programação está bem bacana:



As inscrições vão até o dia 24 de agosto, e para se inscrever (clique aqui)é só seguir as instruções presentes no site do evento.

Informações e inscrições: www.sabiomedufrgs.blogspot.com.br

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Telelab - educação continuada para profissionais da saúde

Mais uma vez, venho mostrar que o conhecimento está cada vez mais ao nosso alcance! Talvez poucos busquem outras fontes além dos livros e aulas da faculdade, mas viemos aqui lhes apresentar mais uma forma de aprimoramento! Descobri recentemente uma plataforma do Ministério da Saúde que disponibiliza vídeo-aulas, apostilas (em pdf), e certificação de conclusão! E é tudo de graça, e online!


Trata-se do Telelab, um programa de educação continuada, que disponibiliza CURSOS GRATUÍTOS, cujo público alvo são os profissionais da área de Saúde. Ele foi pensado em 1997, quando o Brasil sentia o impacto da epidemia de AIDS. Havia uma necessidade de capacitar mais profissionais para atender a população, além de padronizar as condutas e melhorar a qualidade do diagnóstico laboratorial em todo o país.
Inicialmente, ainda em 1997, foram produzidos oito cursos: Técnicas para coleta de secreções, Técnicas para coleta de sangue, Técnica de coloração de Gram, Cultura, Isolamento e identificação de Neisseria Gonorrhoeae, Diagnóstico laboratorial de Chlamydia trachomatis, Diagnóstico sorológico da sífilis e os dois cursos sobre diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV: testes de Triagem e testes Confirmatórios. Posteriormente, outros cursos surgiram e outros atualizados. Obviamente, nos anos 90 a internet não caminhava como é hoje. Sendo assim, os cursos eram enviados gratuitamente pelo correio, gravados em fitas VHS e depois de uns anos, em DVD.
Em 2011 foi criada a plataforma online, e está no ar até hoje. São oferecidos 12 cursos, com 15 horas aula, e certificado pela Universidade Federal de Santa Catarina.



Como funciona?
É simples. O interessado pelo curso deve fazer um breve cadastro no site, escolher o curso e começar. Com login e senha, o aluno tem acesso aos vídeos e apostilas, e tem a opção de fazer download, assistir online ou ainda receber o DVD pelo correio. Terminada todas as aulas, o aluno passará por uma prova para receber o certificado de conclusão.
Além disso, o aluno tem acesso à uma biblioteca virtual, com fichas de notificação, livros e manuais.

Há uma infinidade de conteúdos disponíveis, ao nosso alcance. E boas ideias como o Telelab são sempre bem-vindas!


Informações para o texto: www.telelab.aids.gov.br
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domingo, 26 de julho de 2015


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Pós-graduação em Perfusão - ASGARD

A circulação extracorpórea (C.E.C.), ou perfusão extracorpórea, é uma das áreas de atuação do Biomédico que vem crescendo e sendo reconhecida cada vez mais. Segundo o Dr. Jeffchandler Belém de Oliveira, biomédico perfusionista, a perfusão extracorpórea é um método utilizado em cirurgias cardiovasculares, ou ainda afecções da aorta, transplantes de coração e/ou pulmão, transplante hepático e em alguns tipos de retirada de tumores e consiste em manter o paciente com suporte artificial de vida (coração, pulmão e rim artificial ou “by pass” cardiopulmonar total) por meio de uma máquina com dispositivos descartáveis, que substitui as funções do coração e dos pulmões, oxigenando e bombeando sangue para o corpo do paciente, podendo então haver a parada do coração para o tratamento, pelo cirurgião, das lesões congênitas ou adquiridas. O sangue é drenado, filtrado, oxigenado e re-injetado, perfundindo todo o organismo e, portanto, é necessário o monitoramento da monitora pressão, temperatura, fluxo, coagulação, equilíbrio hidro-eletrolítico e  hemodinâmico, débito renal, além de providenciar as devidas correções.
O perfusionista então é o profissional que opera a máquina de C.E.C. e é membro da equipe cirúrgica, trabalhando lado a lado com o cirurgião e o anestesista, participando diretamente do controle e cuidado do paciente durante a cirurgia (Dr. Wander).

Se você quer seguir a carreira de perfusionista, nós temos uma dica! Estão abertas as inscrições para a Pós-Graduação em Circulação Extracorpórea da Asgard Cursos!
  



Mais informações no site da Asgard
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terça-feira, 14 de julho de 2015


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Por que fazer pós-graduação?



Por que fazer pós-graduação? Esta é uma das perguntas mais frequentes dos recém-formados ou daqueles que estão prestes a se formar. E a resposta pode variar muito de acordo com o que cada um entende de vida, ou melhor, o que cada um quer para sua vida.
Existem pessoas que ao final de uma faculdade, ou até durante sua formação, necessitam trabalhar para manter sua casa ou até mesmo seus estudos. Outras pessoas são defensores da “necessidade”, ou seja, mesmo tendo os pais para ajudar neste momento, se incomodam, de forma compreensível, com esta situação e querem o quanto antes trabalhar. Isto é um erro?
Com convicção, não! É uma escolha. Muito diferente de erro. Porém sabemos que a continuação dos estudos é fundamental para um profissional atualizado. Logo, o ideal são cursos rápidos de atualização para contribuir no seu trabalho atual, e pós-graduação sem ser modalidade de residência, para que consiga conciliar os dois. Infelizmente, para a área de biomedicina não conseguimos levar simultaneamente emprego e pós-graduação em modalidade de residência, pois o tempo é integral e inviabiliza o aprendizado, com raríssimas exceções.
Algumas pessoas perguntam: por que fazer pós se nada irá mudar no meu salário? Uma pergunta interessante, porém foca no problema errado. A pergunta seria: em que a pós irá mudar na minha vida profissional?
Ter uma pós-graduação te traz alguns benefícios: mais ponto no currículo, maior pontuação em concursos, conhecimento diferenciado na área, maior chance de empregos por este conhecimento. E salário diferenciado... não! Não se engane, isto não irá alterar seu salário de imediato, em quase nenhuma área, mas irá te ajudar a encontrar oportunidades. E o que altera salário!?? O seu trabalho!! A sua importância na empresa.
Logo, se você busca voos altos na empresa que trabalha, saiba que para ela te valorizar, você precisa se valorizar. E fazemos isto, além de oferecer um trabalho de qualidade, nos especializando para oferecer uma mão de obra diferenciada. Caso você seja alguém que está interessado em ter apenas o salário base, sem ascensão profissional, sem ter a preocupação de mostrar serviço e evoluir como profissional, você não precisa fazer pós-graduação.

Sendo assim, lembre-se: a pós-graduação é essencial para você que quer iniciar um caminho de crescimento profissional ascendente, seja ela em tempo integral ou não. E o mais importante, este passo é só o início e não o final. 
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quinta-feira, 9 de julho de 2015


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Domus Cursos - Renovando conhecimentos!



O Biomedicina em Ação tem o prazer de apresentar a nossa mais nova parceria: Domus Cursos! A Domus é a nova empresa instalada em Campinas, que proporcionará aos estudantes e profissionais da saúde uma nova visão do conhecimento, com cursos didáticos e interativos.
E já começamos a todo vapor, com dois cursos:

 


 Para maiores informações, acessem:
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domingo, 5 de julho de 2015


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Gabaritando no exame de sangue - por Portas dos Fundos

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Transplante de medula óssea será oferecido pelo SUS para tratamento de Anemia Falciforme

Anemia falciforme é uma doença hereditária monogênica caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, pela alteração da sua membrana, rompem-se mais facilmente e causando anemia. É causada pela mutação de ponto (GAG->GTG) no gene da globina beta da hemoglobina, originando uma hemoglobina anormal, denominada hemoglobina S (HbS), ao invés da hemoglobina normal denominada hemoglobina A (HbA).
A doença originou-se na África e foi trazida às Américas pela imigração forçada dos escravos. No Brasil, distribui-se heterogeneamente, e é predominante entre negros e pardos, também ocorrendo entre brancos.
Devido ao encurtamento da vida média das hemácias, pacientes com anemia falciforme apresentam hemólise crônica que se manifesta por palidez, icterícia, elevação dos níveis de bilirrubina indireta, do urobilinogênio urinário e do número de reticulócitos.
Como não há tratamento específico para a doença, medidas como boa nutrição, profilaxia, diagnóstico e terapêutica precoce de infecções; manutenção de boa hidratação e evitar condições climáticas adversas são aplicadas a fim de minorar as consequências da anemia crônica. Não obstante, o acompanhamento ambulatorial e laboratorial se faz muito importante.  
Diante disso, no dia 01/07/2015, quarta-feira, foi publicada no Diário Oficial da União a inclusão do transplante de medula óssea para o tratamento da Anemia Falciforme no rol de procedimentos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Parte das evidências científicas que contribuíram para a inclusão do tratamento na rede pública foi produzida em trabalhos realizados no âmbito do Centro de Terapia Celular (CTC) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP e sediado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, o centro é o único do Brasil que realiza o procedimento de maneira regular.”

A técnica é chamada de “transplante de células-tronco hematopoéticas alogênico”, e os primeiros trabalhos experimentais foram realizados em 2003, sob coordenação de Julio Voltarelli, pesquisador pioneiro no estudo com células-tronco e estudioso também em esclerose lateral amiotrófica, que faleceu em 2012. Já foram realizados 27 dos 40 transplantes em portadores de anemia falciforme. Na Europa já foram transplantados cerca 600 pacientes falciformes e 600 nos Estados Unidos, com um índice promissor de 90%, quando o doador é um irmão compatível; e mortalidade de 5%. Os transplantes com doadores não aparentados ainda são considerados experimentais.

“Essa experiência local foi muito importante para ajudar a mudar opiniões contrárias à inclusão do procedimento no SUS dentro do Ministério da Saúde. Havia apenas evidências sobre a segurança e a eficácia do método vindas da Europa ou dos Estados Unidos e nós mostramos que em nossos pacientes conseguíamos alcançar os mesmos índices de cura e sobrevida. Mostramos que muitos desses pacientes, que antes viviam sendo hospitalizados, passaram a levar uma vida normal e produtiva. Essa experiência local foi fundamental”, afirmou Belinda Simões, líder atual do projeto.

Fonte:

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